Tanzânia regressa à normalidade?
5 de novembro de 2025
A vida volta a normalidade,na Tanzânia, após uma semana de violentos protestos, motivados pela exclusão dos principais partidos da oposição, davotação da última quarta-feira, 29 de outubro.
As pessoas já estão a voltar às ruas, os transportes públicos e privados retomam suas rotas, e pequenas empresas reabrem suas portas — especialmente nas regiões que enfrentaram violência e protestos.
Yusuf é dono de uma barraca de frutas em Dar es Salaame confessa: "Ainda tinha medo de abrir. Mas hoje, com mais gente na rua e os soldados mais calmos, resolvi voltar. Preciso alimentar meus filhos".
As autoridades tanzanianas levantaram ontem o recolher obrigatório imposto desde quarta-feira passada. Apesar disso, a conectividade à internet continua instável. Muitos negócios digitais seguem paralisados desde semana passada.
Joseph Mrema é empreendedor digital. Conta os desafios pelos quais está a passar: "O meu site voltou por algumas horas, consegui atender dois clientes. Mas hoje de manhã, tudo caiu de novo. Sem internet, não há trabalho".
Um recomeço marcado pelo medo
A escassez de combustível também preocupa os tanzanianos. Em centros urbanos como Mwanza e Arusha, filas em postos se tornaram rotina. O impacto é sentido até nas igrejas e escolas, que enfrentam dificuldades para funcionar normalmente.
A violência eleitoral deixou marcas profundas no país. Embora algumas fontes tenham relatado um número elevado de mortes, investigações conjuntas indicam que os dados podem ter sido exagerados.
No entanto, o principal partido da oposição, Chadema, insiste que houve cerca de 1000 mortes. Deogratius Munishi – porta-voz da formação política, diz ter informações de que a polícia está a ir a vários hospitais recolher os corpos das pessoas assassinadas durante os protestos.
"Ouvimos dizer que algumas delas estão a ser enterradas em valas comuns. Algumas estão a ser atiradas ao Oceano Índico e que outras estão a ser recolhidas em sacos mortuários e atiradas ao rio Ruvu, que é famoso por ter muitos crocodilos. Assim, quando atiram [os corpos], servem de alimento para os crocodilos”, relata.
Investigação
O Chadema exige por isso uma investigação internacional e independente aos factos denunciados. A recém-investida Presidente Samia Suluhu culpa os estrangeiros pelas manifestações mortíferas no país.
"A maioria dos jovens que foram presos por cometerem atos ilícitos eram de fora da Tanzânia", disse Suluhu, instando as autoridades policiais a investigar o que terá acontecido.
Esta quarta-feira (05.11), toma posse o novo procurador-geral da República, em Chamwino, Dodoma, de quem a maioria dos tanzanianos espera que ajude a esclarecer as mortes, nos protestos pré e pós-eleitorais. Organizações de direitos humanosesperam que o restabelecimento da internent possa ajudar na recolha das provas das denúncias.