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Timor Leste exige justiça

22 de fevereiro de 2011

A ANTI - Aliança Nacional de Timor Leste por um Tribunal Internacional - pediu ao Conselho de Segurança da ONU que investigue os crimes cometidos durante os 24 anos de ocupação indonésia, que continuam impunes.

Jose Ramos Horta bei einer Rede in Dili Ost Timor
O presidente de Timor Leste, José Ramos Horta, durante uma conferência de imprensa em Dili.Foto: AP

A ANTI, Aliança Nacional de Timor Leste por um Tribunal Internacional, enviou uma carta ao Conselho de Segurança da ONU e ainda a trinta organizações estrangeiras a pedir justiça pelas atrocidades que aconteceram durante a ocupação da Indonésia que começou em 1975 e durou 24 anos. A Deutsche Welle conversou com José Pereira da ANTI que explica melhor o que o seu grupo pretende:

„O que nós queremos é que, com o mandato alargado da ONU, eles possam também fazer uma investigação a todos os crimes que aconteceram, aos maiores ataques. Porque durante a ocupação indonésia aconteceram muitos massacres e para além de fazerem essa investigação, poderiam fazer também uma acusação formal para que certos criminosos pudessem ser julgados ou processados“.

Timor Leste é um dos mais recentes países do mundo, pois declarou a sua independência em Maio de 2002. Passou a ser o 8º país do mundo de língua oficial portuguesa.Foto: dpa

Crimes cometidos durante a ocupação indonésia

De acordo com a carta da ANTI os timorenses sofreram muito durante esse periodo de ocupação, como torturas psicológicas e fisicas, vários tipos de violação incluindo a sexual contra as mulheres. Morreram cerca de 180 mil pessoas. Entretanto, esta exigência da ANTI não se coaduna com a postura de tolerância que o governo de Timor Leste tem mostrado com frequência. José Pereira apresentou uma justificação surprendente:

„Quando falamos de tolerância e reconciliação, ou organização diplomática, isso são coisas que têm a ver com os políticos. E de vez em quando, aquilo que os políticos fazem não corresponde à necessidade do povo. Quando falamos por exemplo da Indonésia, sobre os criminosos… A Indonésia agora é um país democrático e por isso tem obrigação de respeitar os princípios universais".

Este grupo de organizações defende que a única solução para pôr termo a impunidade no país e na Indonésia é que a democracia e os direitos humanos vinguem nesses lugares. O Conselho de Segurança da ONU, fez uma investigação sobre os casos de atrocidades em Timor, mas as informações que constam do relatório não eram exactamente o que a ANTI esperava. Daí este grupo tecer criticas ao secretário geral da ONU, Ban Ki-moon. José Pereira explica:

Os crimes cometidos entre 1975 e 1999 continuam impunes

„Só fizeram a investigação dos crimes cometidos de 1999 até 2006, ou seja depois do fim da ocupação indonésia. Mas o que nós exigimos é que se faça a investigação dos crimes cometidos durante essa ocupação, portanto de 1975 até 1999“.

O actual Primeiro ministro de Timor Leste, Xanana Gusmão foi o símbolo e a alma da resistência timorense durante os 24 anos de ocupação indonésia.Foto: AP

A ANTI faz quatro recomedações à ONU na sua missiva, entre elas, a a discussão sobre o alargamento da comissão de especialistas para o estabelecimento de um tribunal criminal internacional quando os mecanismos nacionais falharem; e o alargamento do mandato da equipa de investigação dos crimes graves, como alguns que aconteceram em Timor Leste. Recorde-se que no dia 22 de Fevereiro o Conselho de Segurança discutiu o alargamento da missão de paz no país que terminou no dia 26.

Autor: Nádia Issufo / Carlos Martins

Revisão: António Rocha

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