Trump dá ultimato ao Irão sobre acordo de paz
6 de maio de 2026
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira (06.05) intensificar os bombardeamentos contra o Irão caso Teerão não aceite um acordo negociado com Washington para encerrar o conflito iniciado no final de fevereiro. Ao mesmo tempo, o líder norte-americano afirmou que poderá suspender definitivamente as operações militares e flexibilizar o bloqueio naval imposto à República Islâmica caso haja avanços nas negociações em curso.
Numa publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a operação militar norte-americana "Fúria Épica" poderá ser encerrada e que o Estreito de Ormuz voltará a funcionar normalmente caso o Irão aceite os termos propostos pelos Estados Unidos. Segundo o Presidente, o bloqueio naval norte-americano continuaria apenas temporariamente até à assinatura definitiva do entendimento.
"Se o Irão concordar em cumprir o que foi acordado, a já lendária operação Fúria Épica chegará ao fim", escreveu Trump. "Se não aceitarem, os bombardeamentos começarão e serão, infelizmente, de um nível e intensidade muito maiores do que antes", acrescentou.
As declarações aumentam a pressão sobre Teerão num momento considerado decisivo pelas autoridades norte-americanas. Segundo o portal Axios, a Casa Branca aguarda nas próximas 48 horas uma resposta iraniana a um memorando de entendimento de uma página que prevê o encerramento da guerra e a abertura de negociações mais amplas sobre o programa nuclear iraniano.
De acordo com fontes norte-americanas citadas pelo portal, este será o momento em que Washington e Teerão estiveram mais próximos de um acordo desde o início do conflito, lançado pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
Proposta inclui sanções e programa nuclear
O documento discutido entre as partes prevê uma moratória sobre o enriquecimento nuclear iraniano, o levantamento gradual das sanções impostas pelos Estados Unidos e a libertação de milhares de milhões de dólares em fundos iranianos congelados no exterior.
Em troca, o Irão suspenderia as restrições impostas ao trânsito marítimo no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do petróleo transportado no mundo.
O conflito teve um forte impacto nos mercados globais, desde que Teerão bloqueou parcialmente a passagem na região em resposta às ofensivas militares norte-americanas e israelitas. Centenas de navios ficaram retidos no Golfo Pérsico, elevando os preços internacionais do petróleo, gás natural e fertilizantes.
"Projeto Liberdade" é suspenso
Esta terça-feira (05.05), Trump anunciou a suspensão temporária da operação "Projeto Liberdade", iniciativa militar lançada pelos Estados Unidos para escoltar embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. O Presidente justificou a decisão com os avanços diplomáticos.
Apesar da pausa na operação, Washington mantém o bloqueio naval contra portos iranianos. Segundo o Comando Central norte-americano, cerca de 50 embarcações já tiveram a passagem interrompida desde o início da ofensiva.
As autoridades norte-americanas afirmam que a suspensão do "Projeto Liberdade" procura criar espaço político para a conclusão do acordo de paz.
Cessar-fogo continua frágil
Embora os Estados Unidos e o Irão mantenham atualmente um cessar-fogo por tempo indeterminado, a situação permanece instável. Nos últimos dias, houve relatos de ataques iranianos contra embarcações e alvos nos Emirados Árabes Unidos, além de confrontos esporádicos na região do Golfo.
Analistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que as negociações continuam vulneráveis à resistência interna dentro do regime iraniano, especialmente por parte da Guarda Revolucionária Islâmica, considerada um dos principais obstáculos a um entendimento duradouro.
Mesmo assim, membros do Governo norte-americano afirmam acreditar que existe uma "janela real" para o fim da guerra nas próximas semanas.