Setor do turismo em Angola encolheu seis milhões de euros
16 de setembro de 2018
Em 2017, entraram em Angola 260.961 turistas, menos que os 397.485 registados no ano anterior. As receitas do turismo renderam ao Estado angolano 10.000 milhões de kwanzas (30,3 milhões de euros).
Foto: DW/C. Vieira
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Segundo o diretor do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatísticas (GEPE) do Ministério da Hotelaria e Turismo de Angola, Mário dos Santos, citado no Jornal de Angola, o setor do Turismo em Angola representa 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
As receitas de 2017, porém, representaram um decréscimo de 2.000 milhões de kwanzas (seis milhões de euros) em relação a 2016, quando o setor gerou 12 mil milhões de kwanzas (36,3 milhões de euros), facto que o diretor do GEPE atribuiu à "precária situação económica" que o país atravessa.
Menos turistas do que em 2016
Em 2017, entraram em Angola 260.961 turistas, menos que os 397.485 registados em 2016, redução que obrigou o Ministério da Hotelaria e Turismo a estabelecer uma agenda com outros parceiros para impedir que o número de entradas continue a retroceder.
O Ministério da Hotelaria e Turismo admitiu que só haverá entrada de turistas no país se se tornarem "verdadeiramente operacionais" as infraestruturas hoteleiras, estradas, transportes, segurança, saneamento, energia e águas, uma vez que só assim, disse, se "fortalecerá a indústria e a economia do turismo".
As províncias de Luanda, Benguela, Huíla, Huambo e Cabinda são as que mais turistas receberam, enquanto os principais países emissores de turistas para Angola foram a África do Sul, Namíbia e a República Democrática do Congo.
Ilha do Mussulo: Luanda com um toque de exclusividade
É uma das capitais mais caras do mundo. A maioria da população vive em condições miseráveis, mas Luanda oferece opções de lazer e turismo para os mais favorecidos economicamente. A Ilha do Mussulo é um dos destinos.
Foto: DW/C. Vieira
Lazer ao alcance de poucos
Famosa por ser uma das capitais mais caras do mundo, em que a maioria da população vive em condições miseráveis, Luanda oferece opções de lazer e turismo voltadas para o seleto grupo de pessoas mais favorecidas economicamente. A Ilha do Mussulo é um destes destinos, mas é preciso estar com a conta corrente recheada para desfrutar do conforto.
Foto: DW/C. Vieira
Partida de Kapossoka
No terminal marítimo Kapossoka, em Luanda, barqueiros informais oferecem o serviço de travessia até à Ilha do Mussulo. Daqui saem também os catamarãs (ao fundo) que fazem o transporte de passageiros até ao principal porto de Luanda e vice-versa. A viagem de catamarã na classe económica custa cerca de 2,5 dólares e dura cerca de 40 minutos. Já o preço dos barqueiros informais é negociável.
Foto: DW/C. Vieira
Valores negociáveis
O preço do transporte particular informal depende do volume de passageiros, do local de desembarque e da habilidade de negociação de cada um. Em média, o trecho até ao Mussulo custa 10 dólares, mas a ida e volta pode sair por 15 dólares, se combinado antes com o barqueiro. A viagem oferece uma perspetiva diferente da cidade de Luanda. Aqui, o terminal Kapossoka e apartamentos ao fundo.
Foto: DW/C. Vieira
Luxo e conforto
A Ilha do Mussulo é conhecida pelas suas acomodações luxuosas, como essas casas à beira-mar vistas na chegada de barco. Alguns funcionários do Governo angolano e celebridades têm casas aqui. A ilha oferece belas paisagens e infraestruturas turísticas - bares, restaurantes e resorts. Mas o luxo e conforto saem caro.
Foto: DW/C. Vieira
Sossego e tranquilidade
As praias da Ilha do Mussulo também são famosas pela tranquilidade e sossego, ao contrário do ritmo alucinante da capital angolana. Alguns optam por locais desertos, mas a maioria dos visitantes - em especial nos finais de semana - prefere aproveitar o dia no conforto dos estabelecimentos comerciais. Na foto, vista parcial do Bar Ssulo à beira-mar.
Foto: DW/C. Vieira
Preços nas alturas
Visitantes aproveitam o dia no Bar Ssulo, que pertence ao resort com o mesmo nome. Um dia de lazer aqui pode sair caro. O aluguel de cada espreguiçadeira custa 15 dólares. A cerveja é vendida a partir de 6 dólares, cada. Além de confortáveis hospedagens, o hotel oferece piscina, spa e ginásio. A diária no apartamento duplo custa 198 dólares, na estação baixa, e 396, na alta.
Foto: DW/C. Vieira
Público seleto
A maioria dos angolanos não tem condições financeiras de frequentar ambientes como este. Por aqui, o que se vê são angolanos das classes mais favorecidas e, sobretudo, estrangeiros que se deslocaram a Angola temporaria ou permanentemente em serviço.
Foto: DW/C. Vieira
Festas na praia
A tranquilidade e sossego não são os únicos atrativos da Ilha do Mussulo. Aqui também são realizadas muitas festas, frequentadas por centenas de pessoas - sobretudo estrangeiros. Alguns chegam com seus jet skis, barcos e lanchas particulares. Neste caso, o ingresso de entrada custou 40 dólares por pessoa, incluíndo uma bebida de boas-vindas. Outras bebidas são vendidas à parte.
Foto: DW/C. Vieira
Fora da realidade
Somando os custos básicos de transporte até à ilha, espreguiçadeira para permanecer no bar e entrada da festa, a brincadeira fica em, no mínimo, 70 dólares – sem contar o consumo de bebidas e alimentos. Um valor que corresponde a quase metade do salário mínimo do país e que a maioria da população não pode sequer sonhar em gastar em um único dia de diversão.