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UE impõe linhas vermelhas a acordo de paz na Ucrânia

24 de novembro de 2025

Genebra produziu um plano de paz revisto para a Ucrânia: EUA, Kiev e UE falam em progressos, mas mantêm divergências. União Europeia exige soberania e sanções. Rússia rejeita alterações europeias.

Presidente do Conselho Europeu, António Costa, e presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen
UE exige soberania ucraniana no plano revisto dos EUAFoto: Eva Krafczyk/dpa/picture alliance

As negociações para um plano de paz na Ucrânia ganharam novo fôlego depois de uma ronda de conversações em Genebra, no domingo, entre Estados Unidos, Ucrânia e representantes europeus, que resultou num acordo-quadro revisto e num raro alinhamento público entre Washington e Kiev sobre o princípio de que qualquer saída para a guerra terá de respeitar "plenamente a soberania" ucraniana.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, assegurou hoje, em Luanda, que a União Europeia (UE) manterá uma "posição unida e coordenada" na próxima fase  do processo, sublinhando que matérias que afetam diretamente o bloco, como sanções, alargamento e congelamento de ativos russos, só podem ser decididas pelos 27.

Uma reunião informal de líderes europeus à margem da cimeira UE-União Africana serviu para calibrar a resposta ao plano de 28 pontos apresentado pela administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, considerado em Kiev demasiado favorável a Moscovo. Costa disse que, apesar de persistirem assuntos por fechar, a direção é positiva e o objetivo não é um cessar-fogo curto, mas uma paz duradoura.

Paz ou capitulação? O que propõem os EUA à Ucrânia?

03:05

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Do lado ucraniano, Volodymyr Zelensky admitiu avanços durante as negociações, mas avisou que é necessário "debater mais" e que a Ucrânia está num "momento crítico", pressionada pelo ultimato de Trump, que exigiu uma resposta até 27 de novembro, prazo que o líder norte-americano já admitiu poder estender.

Europa cerra fileiras

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou que a soberania e a integridade territorial da Ucrânia "têm de ser mantidas" e que o tema é, na prática, a segurança da Europa "agora e no futuro".

A dirigente europeia apontou que as conversações em Genebra criaram "bases sólidas para seguir em frente", mas insistiu que só Kiev pode decidir sobre o futuro das suas Forças Armadas e opções estratégicas. Von der Leyen voltou também a exigir o regresso das crianças ucranianas desaparecidas ou raptadas durante a guerra, assunto que passou a constar no quadro revisto. 

Na mesma linha, o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que a Europa terá de aprovar todos os aspetos que envolvam a sua segurança num eventual acordo, defendendo que a Ucrânia não pode ser empurrada para concessões unilaterais e que o processo será "árduo e demorado". Merz sustentou ainda que o passo seguinte deve ser colocar a Rússia à mesa das negociações.

Já o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, declarou que as referências diretas à UE e à NATO foram retiradas do texto norte-americano durante as consultas de Genebra, num gesto interpretado em Berlim como proteção dos interesses europeus.

Para o governante alemão, a linha de contacto atual será o ponto de partida das negociações territoriais, embora não necessariamente o ponto final.

Rússia ganha terreno na UcrâniaFoto: Kremlin Pool/Russian Look/picture alliance

Moscovo rejeita plano

A Rússia rejeitou, entretanto, as modificações propostas pelos países europeus ao plano de paz para a Ucrânia apresentado pelos Estados Unidos.

"Tomámos conhecimento do plano europeu que, à primeira vista, é absolutamente não construtivo, não nos convém", afirmou o conselheiro presidencial para os assuntos internacionais, Yuri Ushakov, citado pela agência de notícias espanhola EFE. 

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, informou ter oferecido a Putin mediação direta entre Kiev e Moscovo para uma "paz justa", dizendo estar disposto a promover contactos que levem a um acordo duradouro.

Ancara não explicou se essa iniciativa se articula com o plano revisto dos EUA, mas Erdogan admitiu que o documento pode ser uma base desde que não crie novas instabilidades e responda às necessidades de segurança dos dois lados.

No terreno, a guerra não dá sinais de abrandamento. A Rússia anunciou o controlo total de dois bairros em Pokrovsk, cidade estratégica na região de Donetsk, e a tomada de Zatyshshya, em Zaporizhzhya, passo que, segundo Moscovo, abre caminho para uma ofensiva sobre Hulyaipole. O Estado-Maior russo afirma já controlar cerca de 75% de Pokrovsk e ter consolidado posições em Mirnograd, essencial para completar o cerco. 

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