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PolíticaEstados Unidos

Um ano da posse de Trump assinalado com protestos nos EUA

20 de janeiro de 2026

Assinala-se esta terça‑feira um ano desde a tomada de posse do Presidente norte‑americano, Donald Trump, para o segundo mandato na Casa Branca. Para marcar a data, estão previstos protestos em várias cidades dos EUA.

Donald Trump prestou juramento no Capitólio, em Washington, em 20 de janeiro de 2025
Donald Trump tomou posse como Presidente dos EUA a 20 de janeiro de 2025, no Capitólio, em WashingtonFoto: Kevin Lamarque/AP Photo/picture alliance

Muitos cidadãos manifestam descontentamento com políticas consideradas controversas, desde medidas anti-imigração à política externa e tarifária, esta última responsável por choques económicos em alguns países.

"Num ano, o que vimos foi um autoritarismo total. Trump não tem nenhum tipo de política coesa, mas tem os seus instintos autoritários. E assim como políticas muito assustadoras que se assemelham muito à supremacia branca", diz um americano.

"Estou ainda dividido: há coisas com as quais não estou satisfeito, mas há outras com que estou satisfeito", afirma outro cidadão.

Uma das decisões internas mais criticadas após o regresso de Donald Trump à Casa Branca foi o endurecimento das ações contra imigrantes, considerado por muitos como perseguição.

A decisão gerou protestos em vários Estados. Barbara Eriv, presidente da Indivisible Immigration Coalition, afirma: "Do ponto de vista humano, não posso permitir que as pessoas sejam aterrorizadas e sofram. É um escândalo moral. Não podemos apoiar que estas coisas aconteçam."

Erosão de direitos e escalada autoritária

A Amnistia Internacional denunciou hoje uma escalada de práticas autoritárias pelo governo dos Estados Unidos desde o regresso de Trump e alertou para uma crescente erosão dos direitos humanos no país.

"Todos somos testemunhas de uma trajetória perigosa sob a administração Trump, que já levou a uma emergência em matéria de direitos humanos", afirma Paul O'Brien, diretor executivo da Amnistia Internacional EUA, no relatório.

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"Ao destruir normas e concentrar o poder, a administração [Trump] está a tentar tornar impossível que alguém a responsabilize", alerta ainda a a organização internacional de defesa dos direitos humanos.

No relatório, intitulado "Soando os Alarmes: Aumento das Práticas Autoritárias e Erosão dos Direitos Humanos nos EUA", a Amnistia Internacional documenta a escalada da situação em áreas nas quais "o Governo Trump está a abalar os pilares de uma sociedade livre", desde liberdade de imprensa e acesso à informação, liberdade de expressão e de reunião pacífica, organizações da sociedade civil e as universidades, opositores políticos e críticos, juízes, advogados e sistema jurídico. 

Política expansionista ou diplomacia da força?

Desde 20 de janeiro de 2025, Donald Trump tem mostrado uma postura controversa que já provocou choque entre alguns países. Aliás,  Trump chegou a ameaçar anexar o Canadá, em março.

Em junho as tropas americanas atacaram o Irão. No início deste ano, protagonizou outro momento inédito ao ordenar a prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

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Agora, voltou-se para a Gronelândia, embora apenas 8% dos norte‑americanos apoiem uma intervenção militar na ilha dinamarquesa. Esta movimentação, dirigida a um território de um país membro da NATO, é vista como uma afronta ao Tratado e aos aliados europeus.

"Trump está prestes a destruir a NATO ao tentar, sabe, ameaçar invadir a Gronelândia (...) E, sabe, isto é realmente preocupante”, disse um cidadão americano à AFP.

ONU lamenta "impunidade"

O secretário‑geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou que os Estados Unidos estão a agir com impunidade. "Infelizmente há quem acredite que a Força da Lei deve ser substituida pela Lei da Força. Quando se vê a política atual dos EUA, há uma convicção clara de que as soluções multilaterais não são relevantes e que o que importa é o exercício do poder e da influência dos Estados Unidos e, por vezes, a este respeito, pelas normas do direito internacional", lamentou.

Além disso, Trump ameaçou impor tarifas aos países da NATO que enviaram tropas para defender a Gronelândia. Os líderes europeus contestam e prometem retaliar. O chanceler alemão, Friedrich Merz, não quer uma escalada com os EUA, mas onscidera "estas tarifas inapropriadas e, portanto, vamos responder. É isso que iremos discutir na quinta-feira em Bruxelas. O objetivo é manter a Europa unida e a NATO forte."

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Mediador de conflitos?

Por outro lado, Trump tentou pôr fim ao conflito entre Rússia e Ucrânia - promessa que afirmara poder resolver em 24 horas -, mas um ano depois não houve avanços. Virou-se então para o conflito no Médio Oriente, entre o Hamas e Israel, onde conseguiu intermediar um acordo de cessar-fogo que continua em vigor.

No contexto africano, Trump recebeu na Casa Branca o Presidente sul‑africano, num encontro marcado por alegações de genocídio contra afrikaners na África do Sul - afirmação prontamente rejeitada por Cyril Ramaphosa. A partir daí, as relações bilaterais arrefeceram. Os EUAfaltaram à cimeira do G20 realizada na África do Sul e também não convidaram o país para a próxima reunião do grupo, a realizar-se em território norte-americano.

Durante este primeiro ano de mandato, Trump retirou ainda os Estados Unidos de vários organismos internacionais, incluindo estruturas ligadas às Nações Unidas, e promoveu cortes significativos em diversas agências federais.