Um ano de Chapo no poder em Moçambique: O que mudou?
14 de janeiro de 2026
Entre protestos contra a eleição, o novo chefe de Estado, Daniel Chapo, tomou posse, há um ano, com promessas de combater o terrorismo, a corrupção e de melhorar as condições de vida dos professores, dos médicos e dos enfermeiros.
Mas passado um ano estes grupos de profissionais ainda clamam pelo pagamento de horas extraordinárias e pela melhoria das condições de vida.
O porta-voz da ANAPRO, Marcos Mulima, entende que o país não está a avançar em todos setores. E no caso específico da educação pede a demissão da ministra do pelouro.
"Que está em prol da prática de mesmices, que não querem ver a educação a andar. Não só, entendemos que a politização da educação é um caos e tudo isto acontece porque não há interesse em formar massas que ajudam a progredir o país", justifica.
A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) anunciou esta quarta-feira (14.01) uma greve de 30 dias, prorrogável, com início esta sexta-feira (16.01).
O presidente da associação, Anselmo Muchave, justifica a paralisação com a insatisfação da classe em relação à decisão do Governo de pagar apenas 40% do 13.º vencimento aos profissionais da saúde.
"Não muda nada"
Cidadãos ouvidos pela DW dizem que não estão a ver nada a mudar no país. "Absolutamente nada mudou, já passa um ano. Não há emprego, a idade está a avançar e nada está a acontecer", critica um cidadão.
"Esta governação deChapo não ajuda nada, as coisas não estão a andar.", lamenta outro morador. "A FRELIMO está a governar, mas não muda nada", acrescenta outro moçambicano.
Mas o analista político Dércio Alfazema entende que há sinais positivos de que a governação de Daniel Chapo é promissora. "O investimento que está a ser feito para os jovens, a questão do fundo de iniciativa local, todo o apoio para reanimar o setor privado, os investimentos na área de infraestruturas, mesmo estando num ano difícil eu penso que o governo está a dar resposta", diz.
No início do ano o país estava na iminência de uma greve geral da função púbica. Mas Dércio Alfazema acha que o governo conseguiu dar resposta ao cenário. "Este mandato iniciou com a iminência de uma greve geral da função pública, uma situação que nunca vivemos no país, mas tudo isso o governo conseguiu dar resposta, tranquilizar esses profissionais", considera.
Combater a corrupção com discursos?
No discurso de tomada de posse, a 15 de janeiro de 2025, Daniel Chapo destacou repetidamente o combate à corrupção no país.
No entanto, o jornalista Alexandre Chiure considera que em Moçambique o combate a este mal termina nos discursos e sem medidas concretas.
"Se a corrupção fosse combatida com base em discursos já não existiria. Temos estado a acompanhar discursos bonitos sobre a corrupção, mas não são acompanhados de medidas. O que se está a passar neste país é a tomada de medidas, é decidir para corrigir esta situação", conclui.