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UNITA mobiliza centenas em Luanda

29 de março de 2026

Centenas de militantes e simpatizantes da UNITA marcharam este sábado em Luanda num ato alusivo ao 60.º aniversário do principal partido da oposição angolana, que reafirma ambição de conquistar as próximas eleições.

Protesto da UNITA em Luanda
Manifestação acontece num momento em que a UNITA procura afirmar-se como alternativa política nas eleições gerais previstas para 2027 (foto de arquivo)Foto: Borralho Ndomba/DW

Os participantes desfilaram a partir das 13h00 (hora local) em direção à nova sede do secretariado provincial, num percurso de cerca de uma hora que teve início em Vila Alice e decorreu de forma tranquila, sem incidentes.

Ao longo do trajeto, o cortejo foi ganhando dimensão com a adesão progressiva de novos participantes. Segundo o secretário provincial da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) em Luanda, o objetivo da iniciativa foi assinalar a data e reforçar a mobilização política.

"Viemos, por um lado, reabrir a nossa sede provincial. Por outro, assinalar o ato provincial dos 60 anos do nosso partido", afirmou Adriano Sapiñala, sublinhando que as celebrações decorrem em simultâneo em todo o país.

Sapiñala acrescentou ainda que a iniciativa constituiu uma "demonstração de força", num momento em que o partido procura afirmar-se como alternativa política nas eleições gerais previstas para 2027.

"UNITA não está distraída"

"É importante, de quando em quando, fazermos esses atos, para dizer que a UNITA não está distraída, muito menos desamparada", disse, acrescentando que o partido "vai lutar para o primeiro lugar".

A UNITA venceu pela primeira vez em Luanda nas eleições gerais de 2022 e quer reforçar o seu peso político na capital.

Durante a marcha, ativistas que tinham tentado organizar uma outra manifestação, apelando à libertação de presos políticos, entretanto impedida pela polícia, aproveitaram a "boleia" da UNITA para reiterar as suas reivindicações.

O dirigente da UNITA manifestou solidariedade com os organizadores da iniciativa, com Sapiñala a declarar "total solidariedade" à organização, considerando não haver razões para o impedimento.

Segundo Sapiñala, o partido opositor manteve contactos prévios com as autoridades para garantir a realização das iniciativas, sublinhando que não existiam motivos para o impedimento da outra marcha, já que houve reuniões com a polícia para ajustar o percurso e evitar sobreposição de atividades.

O dirigente disse que o partido aceitou alterar o itinerário inicialmente previsto a pedido das autoridades, para não coincidir com a manifestação dos ativistas, razão pela qual disse ter ficado "surpreso" com a decisão de impedir o protesto.

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31:46

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"Polícia, usada para impedir"

"Eu sei que a polícia é usada para impedir, mas a decisão não é da polícia, é política", afirmou, apelando aos decisores para respeitarem o direito à manifestação consagrado na Constituição.

O político considerou ainda que existem presos políticos em Angola, defendendo que os detidos estão a ser punidos por "delito de opinião" e criticando o que classificou como um "estado de policiamento permanente contra os cidadãos e os seus direitos".

Sapiñala criticou igualmente propostas legislativas do Executivo, como a chamada lei das 'fake news', que, segundo disse, visam "coartar as liberdades aos cidadãos" e contradizem a Constituição.

Entre os participantes, as principais preocupações centravam-se no aumento do custo de vida com alguns a comentarem que "o país está mal", enquanto outros lamentavam que Angola seja um país rico, mas com salários baixos.

Cândido João Mundo, que participou nas comemorações, destacou a "alegria" do momento, considerando tratar-se de uma demonstração da força da UNITA em todo o país, mas lamentou que os angolanos estejam "a passar mal" e defendeu que o partido constitui uma alternativa "para ver se Angola muda".

"Muita coisa vai mudar"

O militante alertou ainda para o aumento da criminalidade entre jovens, afirmando que muitos estão a enveredar pela "bandidagem", e considerou que, com a UNITA no poder, "muita coisa vai mudar" e "não vai haver gatunice".

Já Rosa Sessenta, vendedora ambulante, apontou o aumento dos preços dos produtos alimentares e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres, que "são pai, são mãe, solteiras, viúvas", referindo que, quando tentam trabalhar, "levam chicote da polícia".

"O problema que temos neste país é que o MPLA não presta atenção", afirmou, defendendo que a UNITA pretende trabalhar com todos os partidos e unir os angolanos.

Além da marcha da UNITA e da tentativa de manifestação dos ativistas, o Governo Provincial de Luanda promoveu também uma iniciativa alusiva ao mês da mulher, que, segundo um comunicado oficial, reuniu mais de 100 mil participantes, incluindo representantes religiosos.

De acordo com o mesmo documento, o governador provincial de Luanda, Luís Nunes, manifestou preocupação com o aumento de comportamentos desviantes entre a juventude e defendeu a necessidade de respostas baseadas na prevenção, educação, celeridade da justiça e aplicação de sanções exemplares, sublinhando ainda a importância de reforçar a confiança nas instituições e garantir proteção às mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade. 

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