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DesastresMoçambique

Vítima das cheias em Moçambique: "Prefiro ficar onde estou"

5 de fevereiro de 2026

Vítimas das cheias em Xai-Xai relatam pavor e perdas. Dos cerca de 15 mil desalojados, cerca de dois terços não escolheram os centros de acolhimento criados pelo Governo. Executivo diz que garante "condições básicas".

Boane 2026 | Mulher em frente à sua casa inundada após semanas de chuva
Foto ilustrativa. Cheias afetaram mais de 700 mil pessoas. A província de Gaza é uma das mais atingidasFoto: Amilton Neves/REUTERS

Julieta Ncuna, de 35 anos, é vendedora de frutas e vive com os seus três filhos menores numa zona ribeirinha da cidade de Xai-xai, no Bairro Um, provínica de Gaza. À DW, conta que a sua casa foi uma das primeiras a ser atingidas pelas chuvas intensas.

"Dali eu não tinha para onde ir, entrei em contacto com o meu chefe de bairro para saber se havia um centro de acolhimento, ele disse que [ainda não tinham sido criados]. Fiquei apavorada e sem saber o que fazer e para onde ir, uma vez que não tenho familiares na zona alta. No segundo e no terceiro dia, entrei em contacto com ele e deu a mesma resposta."

Mário Mavaieie, de 71 anos de idade, é outra vítima das cheias. O líder comunitário da cidade de Xai-Xai coordenou ações de evacuação e conta agora as suas perdas.

"Perdi uma estante, perdi a cama, porque, quando começámos a retirar as pessoas, eu fui um dos primeiros a andar a chamar a atenção as pessoas. Enquanto isso, as águas estavam a subir e, quando quis remover as minhas coisas, já era tarde."

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Maioria dos desalojados longe dos centros de acolhimento

Dos cerca de 15 mil desalojados em Xai-Xai, segundo os dados oficiais, a maior parte preferiu outros refúgios em vez dos centros de acolhimento criados pelo Governo.

Não foi o caso de Mário, ele está acomodado no Centro de Acolhimento do Bairro Oito e conta à DW como é a vida lá: "A vida está normal, não tanto como se estivéssemos em casa. [Temos] duas refeições por dia, almoço e jantar. Tem matabicho também".

Sobre a disponibilidade de camas, Mavaieie diz que "quem tivesse esteira, dormia na esteira. Mas agora foram fornecidos kits que trazem duas esteiras cada e as pessoas estão a dormir nas esteiras".

A solidariedade da comunidade foi também a salvação de muitos. Julieta contou com o apoio de gente de boa vontade para ser resgatada e para salvar os seus bens. Foi acolhida pelos amigos do seu salvador, que lhe deram cobertas, esteiras e comida. A Sra. Nilza abriu-lhe as portas de casa até que tudo se normalize.

"Eu prefiro ficar onde estou em vez de ir ao centro de acolhimento, porque o sofrimento que lá há é dez vezes pior do que o sofrimento que estou a passar nesta casa onde estou. [Prefiro] mil vezes sofrer sabendo que não tenho nada para comer em vez de sofrer vendo que há comida que possam me servir, mas não querem me servir. Não sei se me entende..."

De acordo com Julieta, "estão a servir uma refeição por dia no centro de acolhimento. Não importa se tem crianças ou não. A refeição é servida uma vez ao dia, à hora do jantar."

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Autoridades: "Não temos grandes dificuldades"

Em Xai-Xai, o Centro Nacional Operativo de Emergência, acionado pelo Governo, criou quatro centros de acolhimento na zona alta da cidade, que albergam 4.952 vítimas. O porta-voz Adolfo Macie assegura que foram criadas todas as condições básicas para a acomodação.

"Estamos a falar do abrigo, da questão da higiene, água e saneamento. Temos água em todos os centros e comunidades, estão a consumir água do sistema de abastecimento da nossa cidade. Em todos os centros temos postos de atendimento para a saúde. E as equipas instaladas lá são lideradas por um médico. Criamos também comissões de segurança, temos postos policiais para a segurança dos acomodados, e garantimos, no mínimo, duas refeições por dia."

Sobre eventuais dificuldades na assistência , Macie garante: "Na assistência, não temos grandes dificuldades. Contamos com o apoio do PAM [Programa Alimentar Mundial], que está a garantir a alimentação. Temos ainda o apoio do Governo, que está a assegurar, através do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), a aquisição de produtos alimentares, de higiene e outros necessários para o dia a dia das nossa comunidades".

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