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PolíticaVenezuela

Venezuela: Quem assume o poder após queda de Nicolas Maduro?

5 de janeiro de 2026

Delcy Rodríguez foi confirmada, este domingo, presidente interina da Venezuela. Mas Trump adverte que se não fizer o que está "certo", vai "pagar mais caro do que Maduro". Conselho de Segurança da ONU reúne hoje.

Ruas de Caracas após detenção de Nicolas Maduro
Conselho de Segurança da ONU reúne hoje para debater situação na Venezuela.Foto: Leonardo Fernandez Viloria/REUTERS

O Conselho de Segurança da ONU reúne-se de emergência, esta segunda-feira (05.01), para discutir o ataque norte-americano que levou à deposição de Nicolas Maduro, que se encontra detido em Nova Iorque. 

Caracas pediu a reunião para abordar a "agressão criminosa" dos Estados Unidos, na madrugada de sábado. Outros países, como o Irão e a Colômbia, também apoiaram o pedido venezuelano.

A reunião acontece no mesmo dia em que é esperado que Maduro e a mulher Cilia Flores, detidos num centro de detenção em Nova Iorque, compareçam num tribunal em Manhattan. Maduro é acusado de crimes de narcoterrorismo e posse de armas. 

Trump: " EUA estão no comando"

Para já, permanece a dúvida sobre quem governa a Venezuela até se concluir uma transição de poder. O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no domingo que é o seu país que está "no comando".

No domingo, Delcy Rodríguez, vice-presidente de Nicolás Maduro, foi confirmada presidente interina. Mas logo a seguir, Trump ameaçou-a, avisando que "pagará mais caro do que Maduro" se não cooperar com os Estados Unidos.

Delcy Rodríguez, vice-presidente de Nicolás Maduro, foi confirmada presidente interina da Venezuela no domingo.Foto: Marcelo Garcia/Miraflores press office/AFP

Donald Trump afastou também, entretanto, a hipótese da vencedora do Prémio Nobel da Paz e líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, liderar o país. "Acho que seria muito difícil para ela liderar o país. Não tem apoio nem respeito no país", disse.

Segundo o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, os Estados Unidos só trabalharão com as autoridades venezuelanas que tomem "as decisões certas".

"Se eles [quem esteja no poder na Venezuela] não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de influência para garantir a proteção dos nossos interesses, incluindo o embargo ao petróleo em vigor", avançou Marco Rubio, em entrevista à CBS.

Questionado diretamente sobre a hipótese de colocar "boots on the ground" (tropas norte-americanas no terreno) na Venezuela, Rubio admitiu que o Presidente Trump "mantém sempre todas as opções em aberto para todos os assuntos".

Apoio a Edmundo González Urrutia

Tal como a oposição venezuelana, também María Corina Machado defende que, após a captura de Maduro, cabe ao antigo candidato opositor Edmundo González Urrutia, exilado em Espanha, "assumir de imediato" o mandato presidencial.

Edmundo González Urrutia: Captura de Nicolás Maduro "é um passo importante" para a normalização da Venezuela, "mas não suficiente".Foto: Jose Diaz/AP Photo/picture alliance

Por seu lado, numa mensagem nas redes sociais, Edmundo González Urrutia disse que a captura de Nicolás Maduro "é um passo importante" para a normalização da Venezuela, "mas não suficiente". Urrutia considera que "a verdadeira normalização do país só será possível quando se libertarem todos os venezuelanos privados de liberdade por razões políticas, verdadeiros reféns de um sistema de perseguição”.

Edmundo González apela também aos militares para "fazerem cumprir o mandato soberano" das presidenciais.

"A nossa legitimidade vem do mandato popular e do claro apoio de milhões de venezuelanos que anseiam por um país com paz, com instituições e com um futuro. Esse apoio é profundo, maioritário e sustentado, e nunca será traído. Como Presidente dos venezuelanos, faço um apelo sereno e claro às Forças Armadas Nacionais e aos órgãos de segurança do Estado. O vosso dever é cumprir e fazer cumprir o mandato soberano expresso nas eleições presidenciais de 28 de julho de 2024", disse.

O que virá a seguir é "uma corrida de resistência"

Em entrevista à Lusa, o antigo político e embaixador venezuelano Milos Alcalay afirma que o dia 03 de janeiro marca "o início do fim do regime" de Nicolás Maduro, mas o que virá a seguir é "uma corrida de resistência e não de velocidade".

Para o antigo vice-ministro das Relações Externas e ex-representante permanente nas Nações Unidas, na geopolítica atual, 'o ritmo é diferente' e já não existem 'definições imediatas ou golpes de Estado', como no passado. Além disso, destaca que os três agentes fundamentais na crise venezuelana têm também "tempos distintos":

"Para Trump, o tempo é diferente. Para María Corina e para a oposição, que querem terminar com a situação atual e entrar de uma vez na democracia, e para o regime bolivariano, trata-se de ganhar tempo e, quanto mais durar, mais tentarão manter-se. A oposição segue hoje, isso é política. Não há nada eterno, mas estão identificados com María Corina Machado e com a eleição de Mundo González. Um apoio aberto e categórico de Trump prejudicaria essa situação”.

A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro.

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