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Zelensky quer ativos russos, Kremlin rejeita trégua no Natal

16 de dezembro de 2025

Zelensky rejeita qualquer paz que recompense a agressão russa e defende o uso de ativos russos congelados para apoiar a Ucrânia, enquanto o Kremlin recusa uma trégua de Natal proposta por Berlim e apoiada por Kiev.

Presidente ucraniano discursa em Haia, esta terça-feira (16.12.2025)
Para Zelensky, o Kremlin, sede do poder russo, comporta-se "como um criminoso profissional convencido de que nunca será apanhado"Foto: Piroschka van de Wouw/REUTERS

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeitou esta terça-feira (16.12) em Haia qualquer desfecho para a guerra que implique uma recompensa da agressão da Rússia, que acusou de se comportar "como um criminoso profissional".  "Se o agressor recebe uma recompensa, começa a acreditar que a guerra vale a pena. É por isso que a justiça deve ser central para pôr fim a esta guerra", afirmou, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Num discurso no parlamento dos Países Baixos centrado no diálogo em curso com parceiros europeus e norte-americanos, Zelensky disse que a Ucrânia participa nas "negociações de paz mais intensas desde o início da guerra" em 2022.  Afirmou que não se trata de um diálogo sobre "uma pausa ou uma solução temporária", mas sim de uma paz "verdadeira e duradoura" que ponha fim à guerra russa contra a Ucrânia.

Zelensky referiu-se às conversações em que participou na segunda-feira, em Berlim, e disse que se está a trabalhar em "documentos que poderão travar a guerra e garantir a segurança". Alertou que "cada detalhe importa" e nenhum deve recompensar o agressor, como a exigência da Rússia de território ucraniano que "nem sequer conseguiu conquistar" militarmente.

Para Zelensky, o Kremlin, sede do poder russo, comporta-se "como um criminoso profissional convencido de que nunca será apanhado". O líder ucraniano disse também que a Rússia mantém "cerca de um milhão" de soldados na Ucrânia, ao mesmo tempo que exige a Kiev limites à soberania e ao direito de se integrar em alianças como a NATO.

Reconstruir Ucrânia com dinheiro russo

Insistindo que "o agressor deve pagar", Zelensky apelou para a utilização dos ativos russos congelados na Europa para financiar a Ucrânia. Afirmou que o homólogo russo, Vladimir Putin, "não acredita nas pessoas, apenas no poder e no dinheiro", e ignora as perdas humanas do exército russo. Mas "conta, sim, cada dólar e cada euro que perde", argumentou.

"Neste momento, os líderes europeus têm sobre a mesa decisões relativas aos ativos russos. A maioria desses ativos encontra-se na Europa e podem, e devem, ser utilizados plenamente para defender-se da própria agressão da Rússia", insistiu.

A Comissão Europeia está a tentar usar parte dos cerca de 200 mil milhões de euros de ativos do Banco da Rússia congelados no âmbito das sanções pela invasão da Ucrânia para financiar um empréstimo a Kiev.

A questão será discutida na cimeira da União Europeia que se realiza esta semana em Bruxelas. 

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Zelensky reiterou que a prestação de contas deve ser central em qualquer desfecho para o conflito e que "não basta forçar a Rússia a um acordo" nem que "deixe de matar".

Moscovo deve aceitar "que no mundo há regras e que não pode enganar toda a gente", afirmou, defendendo, por isso, sanções firmes e a aplicação da justiça internacional para evitar a impunidade.

Neste sentido, agradeceu o papel dos Países Baixos no impulso à criação de um tribunal especial para o crime de agressão.

Recordou ainda o abate do voo MH17 no leste da Ucrânia, em 2014, por separatistas apoiados pela Rússia, uma tragédia que vitimou 298 pessoas, na maioria neerlandeses. "Isso não pode ser esquecido", afirmou, referindo que "quando os drones deixarem de matar, a lei deve continuar a falar".

Zelensky participa hoje em Haia em várias reuniões bilaterais e numa conferência diplomática para estabelecer uma Comissão Internacional de Reclamações para a Ucrânia. Trata-se de um organismo que terá como missão decidir sobre as indemnizações pelos danos causados pela guerra da Rússia contra a Ucrânia.  

Kremlin rejeita trégua de Natal

O Kremlin rejeitou a trégua de Natal proposta pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, e apoiada pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, após conversações mantidas com os Estados Unidos em Berlim. "Queremos a paz, não uma trégua que dê fôlego aos ucranianos e permita que se prepararem para continuar com a guerra", disse Dmitri Peskov, porta-voz da Presidência russa, na sua conferência de imprensa diária por telefone.

Peskov acrescentou que a cessação das hostilidades "depende de se chegar ou não a um acordo, como disse o Presidente [norte-americano, Donald] Trump". "Se os ucranianos forem movidos pelo desejo de substituir a procura de um acordo por soluções de curto prazo e inviáveis, dificilmente estaremos dispostos a participar", observou o porta-voz russo.

Peskov sublinhou que a posição da Rússia é "bem conhecida e consistente" e expressou a sua convicção de que esta é compreendida tanto por Washington como por Kiev. "Queremos parar a guerra, alcançar os nossos interesses e garantir a paz na Europa para o futuro", enfatizou.

Friedrich Merz propôs uma trégua de Natal na segunda-feira, que foi imediatamente apoiada por Volodymyr Zelensky.  O Presidente ucraniano adiantou ainda que os Estados Unidos também apoiavam esta trégua natalícia. O chanceler alemão apelou ao Kremlin para que cesse os ataques contra o país vizinho pelo menos durante as festas de Natal, como gesto de boa vontade para um cessar-fogo definitivo. Em relação aos temas discutidos em Berlim, que incluíam o fornecimento de garantias de segurança para Kiev, Peskov realçou que Moscovo não reagiria "a notícias da imprensa".

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