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HistóriaPortugal

1520: Descoberto o Estreito de Magalhães

Jens Teschke
Publicado 21 de outubro de 2015Última atualização 21 de outubro de 2021

No dia 21 de outubro de 1520, mais de um ano após o início da viagem pelos mares, as embarcações conduzidas por Fernão de Magalhães chegavam à ponta da América do Sul – o estreito que hoje leva o nome do navegador.

Pintura com desenhos de quatro navios e montanhas cobertas de neve ao fundo
A frota de MagalhãesFoto: Getty Images/Hulton Archive

Ainda criança, Fernão de Magalhães (1480-1521) já sonhava com viagens, com a infinitude do mar e com as estrelas. A década de 1490 era de mudanças decisivas, Cristóvão Colombo e Vasco da Gama descobriam o mundo. Enquanto isso, o jovem Magalhães sonhava não só apenas em ver com os próprios olhos o que esses aventureiros e heróis do mar haviam descoberto, mas ir além, descobrindo o que eles ainda não tivessem encontrado.

Em 1513, Magalhães já era um viajante e marinheiro experiente, tendo ido até a Índia, China e Ilhas Molucas. Seus sonhos de navegar em direção ao Ocidente, no entanto, persistiam. Ele queria chegar pelo oeste até as Índias, provando assim que a Terra é redonda.

Dom Manuel, rei de Portugal, no entanto, rejeitava a proposta, além de não demonstrar qualquer simpatia pelas ideias do aventureiro. Em 1518, o monarca lhe negou mais uma vez a permissão para uma expedição rumo ao Ocidente, o que deixou Magalhães amargurado e decepcionado.

Rejeição de Portugal, apoio da Espanha

O cidadão português virou então as costas à terra natal e dirigiu-se ao rei Carlos da Espanha. Desde o Tratado de Tordesilhas de 1494, no qual o papa Alexandre 6º dividira o globo terrestre em dois hemisférios, delegando a parte ocidental à Espanha e a oriental a Portugal, os dois países discutiam sobre os limites de cada região.

Fernão de Magalhães assegurou ao monarca espanhol: "Com a minha expedição, vou mostrar onde estão as fronteiras entre Portugal e Espanha e provar que as Ilhas das Especiarias pertencem à Espanha".

Fernão de MagalhãesFoto: dpa

Ele se referia às Ilhas Molucas, hoje parte da Indonésia. O rei Carlos, entusiasmado com as promessas de Magalhães, deixou-se seduzir pela promessa de novas descobertas. Em setembro de 1519, o português alçava velas a serviço da Espanha.

Fernão de Magalhães tinha, enfim, sob seu comando, cinco navios e 280 marinheiros, numa viagem de mais de 42 mil milhas marítimas. Ele enfrentaria perigosas tempestades, motins da tripulação e um percurso árduo e cheio de desafios.

Apesar de tudo, era um sonho que se realizava: nenhum temporal e nenhuma dificuldade superavam seu desejo de navegar do Ocidente para o Oriente.

Durante essa viagem em direção ao desconhecido, a expedição viveu uma série de decepções. Em 21 de outubro de 1520, no entanto, mais de um ano após o início da empreitada, as embarcações chegaram enfim à ponta da América do Sul.

Fim no "mar pacífico"

Magalhães navegou através do estreito que hoje leva seu nome, seguindo em direção ao que pensava ser o Ocidente – e hoje sabemos ser o Oriente. Os membros da expedição, extremamente exaustos, continuaram navegando 96 dias por esse "mar pacífico", como descreveu o navegador.

A fome, o escorbuto e o calor reduziram a tripulação à metade. Somente 115 homens chegaram às Filipinas, onde Magalhães morreria num confronto com os nativos.

Em 7 de setembro de 1522, praticamente reduzido a uma carcaça, o navio Vitória chegou sozinho ao porto de Sevilha, na Espanha.

A bordo encontravam-se apenas 18 dos 280 homens que haviam participado da expedição. Apesar disso, o sobrevivente Antonio Pigafetta registrou em seu diário, no dia do regresso à Espanha: "A fama de Magalhães será eterna".