A autoridade responsável pela igualdade de gênero a nível federal na Alemanha propôs que o hino do país seja modificado, perdendo palavras como "pátria", seguindo exemplos de Canadá e Áustria, que adotaram frases neutras em seus hinos.
A ideia logo entrou em debate na imprensa alemã e levou autoridades no assunto e políticos a se manifestarem. Nesta segunda-feira (05/03), a chanceler federal Angela Merkel manifestou-se contrária à medida.
Kristin Rose-Möhring, comissária para a Igualdade no Ministério da Família desde 2001, sugere o corte de referências masculinas específicas do hino, através de uma circular enviada a funcionários do ministério, segundo reportagem publicada pela edição dominical do tabloide Bild.
As mudanças, segundo ela, poderiam ser implementadas por ocasião do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. Um porta-voz do ministério afirmou que a mensagem é uma "contribuição pessoal” de Rose-Möhring. Não se sabe se a sugestão chegará ao Parlamento, mas a ideia gerou intenso debate na sociedade.
Entre as propostas está a substituição da palavra "vaterland" (pátria) por "heimatland", expressão cuja composição traz "heimat” (termo sem equivalente em outras línguas, similar a “terra natal”). “Vater” em alemão significa pai.
Também prevê a substituição de "brüderlich mit herz und hand" (fraternalmente com coração e mão) por "couragiert mit herz und hand" (corajosamente com coração e mão). “Brüderlich” é uma palavra derivada de "brüder" (irmão).
A chanceler Angela Merkel afirmou, através de seus porta-voz, não ver necessidade de mudanças no texto do hino nacional. Segundo o porta-voz do governo Steffen Seibert, Merkel está "muito satisfeita" com a forma tradicional do hino.
De forma similar se manifestou a secretária-geral da CDU, o partido de Merkel, Annegret Kramp-Karrenbauer: como mulher, afirmou a política, ela nunca se sentiu excluída pelas palavras do hino.
A proposta de mudanças no hino foi revelada horas antes de o Partido Social-Democrata (SPD) anunciar que 66% dos seus membros votaram a favor de uma nova edição da coalizão com os conservadores de Merkel. Juntos, eles governam a Alemanha desde 2013.
O SPD deve manter o Ministério da Família no novo governo, enquanto Horst Seehofer, líder do partido conservador bávaro União Social Cristã (CSU), chefiará um Ministério do Interior, que será ampliado com as pastas da construção civil e "Heimat".
O hino alemão atual tem origem na canção Lied der Deutschen (Canção dos alemães), escrita em 1841 por August Heinrich Hoffmann. O texto original começa com a frase "Deutschland über alles” (Alemanha acima de tudo), na qual Hoffmann se referia aos esforços para a unificação dos estados alemães num único país, a Alemanha. Em 1922, durante a República de Weimar, a canção, composta de três estrofes, foi declarada o hino nacional alemão.
Durante o período nazista, a segunda e a terceira estrofes foram suprimidas e apenas a primeira era cantada, o que criou a associação entre a expressão "Deutschland über alles" e o nazismo.
Com o fim da Segunda Guerra, a Canção dos alemães continuou sendo o hino nacional alemão, mas apenas a terceira estrofe é cantada. Em 1991, após a Reunificação, a terceira estrofe, que começa com as palavras "unidade e justiça e liberdade", foi oficializada como sendo o hino nacional.
MD/afp/dpa/ap/rtr
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Afirmar que "só se pode filosofar em alemão" é comprar polêmica certa. Contudo, é inegável: o idioma permite sintetizar conceitos complexos de forma extremamente específica e concisa. E também ser genialmente maldoso.
Foto: Reuters/F. BenschO sofrimento pode ser mesquinho ou altruísta, mas nenhuma de suas formas é tão filosoficamente abrangente quanto a "Weltschmerz" ("dor do mundo"). Cunhado pelo escritor Jean Paul, o conceito diagnostica o pessimismo típico do movimento romântico, uma insatisfação crônica e insolúvel com a condição humana. Um sentimento que parece estar novamente em alta, nos últimos anos.
Foto: picture-alliance/dpa/M. SchönherrHá quem reaja ao pessimismo construindo castelos nas nuvens: "Luftschloss" ("castelo de ar") significa devaneio, fantasia. Na Alemanha do século 16, "construir um castelo no ar" equivalia a ficar sentado no telhado e sonhar. Para o autor americano Jerome Lawrence, aliás, "neurótico é quem constrói um castelo no ar; psicótico é quem mora dentro; psiquiatra é quem recebe o aluguel".
Foto: Fotolia/crimsonNa política, urbanismo, artes, medidas sociais ou cirurgia plástica, por vezes a emenda é pior do que o soneto. Ativismo cego, associado a ignorância e incompetência, pode acarretar resultados tragicamente agravantes. Em alemão, o paradoxal termo composto "Verschlimmbessern" ("melhorar piorando") resume esse tipo de boas intenções – das quais, dizem, o inferno está tão cheio.
Foto: MEHR"Inveja da comida" é observada entre cães: mesmo satisfeito, o animal avança sobre a ração alheia assim que vê um companheiro se alimentar. Contudo, só descobrir que se quer algo quando outro mostra interesse pelo mesmo objeto do desejo também é um defeito demasiado humano. Basta pensar na "Futterneid" de consumidores se digladiando durante uma liquidação. Ou em certas disputas amorosas.
Foto: imago/MITOVocê fica deprimido. Para compensar, passa a comer sem controle. Engorda. Todo mundo nota. Os alemães são capazes de exprimir essa cadeia de ocorrências – a materialização da tristeza em tecido adiposo – numa única palavra: "Kummerspeck" ("banha de aflição"). Um diagnóstico que já vem acompanhado do possível antídoto: uma dose de bom humor e autoironia.
Foto: Colourbox/S. JarryÉ injusto, até irracional, mas quem não conhece a sensação? Certas pessoas simplesmente despertam um inexplicável impulso de agressão. Uma petulância, um excesso de autossuficiência... Ou talvez elas tenham mesmo "cara de levar tapa". Entre a intenção e o ato, porém, é bom lembrar que a questão é subjetiva, e o simpático rosto de uns pode ser a "Backpfeifengesicht" perfeita para outros.
Foto: picture-alliance/AP Photo/E. VucciCertos termos da língua alemã são considerados intraduzíveis também por revelar realidades que o resto do mundo prefere negar. "Schadenfreude" (literalmente "alegria pelo dano") indica o prazer malicioso com a desgraça alheia. "Quem, eu? Jamais!" Um sentimento quase inconfessável, até por se originar, tantas vezes, em inveja, mesquinharia e egoísmo.
Foto: Reuters/F. BenschNo extremo oposto das emoções complexas, o neologismo "Fremdschämen" ("vergonha alheia") denota uma forma especial de empatia. Incluído nos dicionários em 2009 e eleito palavra do ano na Áustria no ano seguinte, indica aquele constrangimento por tabela, ao se presenciar outra pessoa numa situação embaraçosa. Mas: já que vergonha é um artigo tão escasso, não seria melhor gastá-la consigo mesmo?
Foto: picture alliance/blickwinkel/H. Schmidt-RoegerApanhado/a com a mão na cumbuca: usando o sapato preferido da irmã; recebendo suborno da multinacional! "Mas não é nada do que vocês estão pensando..." Esse tipo de aperto tem um nome específico em alemão: "Erklärungsnot" – "necessidade de explicação" ou "apuros explicativos". Ou seja: agora a batata quente está na mão do infrator.
Foto: DWNada como uma boa anedota para animar uma festa e conquistar simpatias, e você acaba de ter a genial inspiração para uma... só que uns minutos tarde demais, sua oportunidade passou. É uma típica "Treppenwitz" ("piada de escadaria"), expressão originada diretamente do francês "esprit d'escalier", aquele comentário espirituoso que só ocorre ao convidado quando ele já vai descendo as escadas.
Foto: picture-alliance/dpa/J. Stratenschulte