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A candidata estilo Zohran Mamdani que poderá governar Berlim

17 de setembro de 2026

Filha de refugiados da Turquia, Elif Eralp concorre pelo A Esquerda com campanha focada em conter disparada dos aluguéis. Controvérsia sobre antissemitismo no partido pode atrapalhar campanha.

Elif Eralp, à direita, tira selfie com apoiadora
Elif Eralp, do A Esquerda, tem liderado pesquisas de intenção de voto ao lado da União Democrata Cristã (CDU) em BerlimFoto: Axel Schmidt/REUTERS

A poucos dias da eleição estadual em Berlim, o partido A Esquerda aparece ligeiramente à frente nas pesquisas de intenção de voto, abrindo uma disputa acirrada com a conservadora União Democrata Cristã (CDU). Caso a sigla saia vitoriosa da votação no próximo domingo (20/09), a candidata Elif Eralp poderá ser a primeira prefeita da cidade-estado pela sua legenda, que vem perdendo força no resto do Leste da Alemanha.

Inspirando comparações com Zohran Mamdani, o popular prefeito democrata de Nova York, Eralp concentrou a sua campanha na disparada dos preços do aluguel na cidade. Ela quer fixar tetos para os aluguéis de prédios geridos por empresas públicas e deseja desapropriar imóveis de grandes empresas imobiliárias, além de prometer ruas mais limpas. 

Filha de refugiados políticos turcos, ela também defende a facilitação da naturalização e maiores direitos políticos para residentes de longa data sem cidadania alemã. Segundo ela, Berlim precisa de um governo que reflita melhor uma cidade marcada pela imigração ao longo de gerações.

"Durante décadas, vimos como a chamada geração dos 'trabalhadores convidados', que ajudou a construir Berlim, nunca foi realmente reconhecida ou valorizada", diz a candidata. "Quase 43% das pessoas aqui têm histórico migratório. Essas perspectivas também precisam finalmente estar representadas."

Mas o seu caminho para o poder está longe de ser simples. Mesmo que A Esquerda termine em primeiro lugar, Eralp precisaria de parceiros de coalizão, provavelmente os Verdes e o Partido Social-Democrata (SPD), que já discordam de alguns de seus projetos mais ambiciosos para a habitação.  

O SPD, por exemplo, é contra a expropriação de grandes empresas imobiliárias, questionando de onde viriam os recursos necessários para pagar as compensações a elas. A medida, que objetiva conter a especulação imobiliária, foi apoiada pela maioria dos berlinenses (57,6%) num referendo não vinculativo de cinco anos atrás. 

Origem migratória

De 45 anos, Eralp é advogada, deputada e vice-presidente do diretório do A Esquerda em Berlim. Na sua campanha, ela repetidamente mobilizou a sua biografia como mulher e filha de imigrantes para dialogar com diferentes grupos de eleitores.

"Pessoas como você e eu normalmente não se tornam prefeitas", diz a primeira frase de um vídeo eleitoral publicado no Instagram. Nunca a Prefeitura de Berlim foi ocupada por uma pessoa com origem migratória.

Elif Eralp poderá ser primeira pessoa com origem migratória a assumir a Prefeitura de BerlimFoto: Jens Kalaene/dpa/picture alliance

Socialistas e sindicalistas, os seus pais deixaram a Turquia após o golpe militar de 1980. A sua mãe estava grávida de oito meses, e Eralp nasceu em Munique. Mais tarde, a família se mudou primeiro para Dortmund e depois para Hamburgo, onde seu pai trabalhou como médico.

A candidata afirma que já aos 12 anos queria se tornar advogada de direitos humanos. Após concluir o ensino médio, estudou Direito em Hamburgo. A partir de 2010, trabalhou para o grupo parlamentar de A Esquerda no Bundestag, o Parlamento alemão, e mais tarde se mudou definitivamente para Berlim.

"Se um candidato de esquerda pode vencer em Nova York, então também pode vencer em Berlim", disse Eralp, citando a vitória de Mamdani na eleição nova-iorquina no ano passado.

Hoje, ela vive no bairro de Kreuzberg, na antiga Berlim Oriental, com o marido e os dois filhos, num imóvel alugado, como costuma destacar.

Partido acusado de antissemitismo

Em contrapartida, o A Esquerda viu sua campanha em Berlim ameaçada pela discussão sobre antissemitismo. Um evento do partido na capital alemã teve a presença do rapper Dahabflex, cujas letras foram amplamente chamadas de antissemitas e acusadas de defender a violência contra soldados israelenses.

Eralp se afastou do episódio, condenando a apresentação e pedindo consequências. "Defendo de forma inequívoca a proteção da vida judaica, assim como a proteção da vida palestina e muçulmana," afirmou a candidata. Ela nega que parte da sua legenda seja leniente com discursos antissemitas ou anti-Israel.

Em 2024, vários políticos de destaque do diretório berlinense deixaram o partido após uma disputa acirrada sobre como a legenda lida com o antissemitismo. O caso envolvendo o rapper gerou fortes críticas vindas dos Verdes e do SPD. Também parte da CDU aponta o tema como possível desafio à cooperação entre os dois partidos. 

Já a Alternativa para a Alemanha (AfD), que vem obtendo ganhos eleitorais no Leste alemão, deverá ficar fora de um futuro governo. A legenda está em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto (cerca de 18%), mas longe de ter o suficiente para governar sozinha ou, então, pressionar outras forças políticas a quebrar o compromisso de não cooperação com a ultradireita.

ht/cn (DW, AFP)

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