1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Polêmica

6 de junho de 2007

Os 25 anos de morte de Fassbinder estão sendo celebrados com uma briga pública em torno da herança do cineasta.

Rainer Werber Fassbinder Archivfoto 1981
Rainer Werner Fassbinder: tumulto póstumoFoto: picture-alliance/ dpa

Quase tão tumultuada quanto a vida de Rainer Werner Fassbinder parece ser a discussão em torno da herança deixada pelo cineasta alemão. Duas décadas e meia após sua morte, a ex-mulher Ingrid Caven e outros ex-membros do grupo em torno do diretor resolveram "lavar a roupa suja" perante a opinião pública. Todos, diga-se, também em nome do recentemente falecido Peer Raben – produtor, autor de trilhas sonoras dos filmes de Fassbinder e um de seus amigos mais próximos.

Em carta aberta que circula pelo país e vem sendo citada por vários órgãos da mídia de língua alemã, 25 antigos colaboradores do cineasta pedem o afastamento de Juliane Lorenz da presidência da Fundação Fassbinder. A organização foi criada por Liselotte Eder, mãe do diretor, em 1986, e passou às mãos de Juliane Lorenz após sua morte.

Proximidade ou não?

Juliane Lorenz, presidente da Fundação Fassbinder: alvo de acusaçõesFoto: picture-alliance/ dpa

O significado de Lorenz na vida do diretor é o ponto de partida de toda a polêmica. A própria outorga para si o título de "ex-mulher" (os dois casaram-se supostamente nos EUA, mas a união nunca foi reconhecida em território alemão) e companheira fiel, que morava com o diretor quando este foi encontrado morto, em junho de 1982.

Enquanto isso, os ex-colaboradores de Fassbinder e hoje opositores na questão do legado do diretor afirmam que Lorenz, montadora dos últimos 11 filmes de Fassbinder, era apenas uma assistente do diretor, que cuidava de tudo e "quebrava todos os galhos".

Meias-verdades

O ponto de partida para toda a discussão pública foi uma entrevista concedida por Ingrid Caven, com quem Fassbinder passou dois anos casado oficialmente, ao semanário Die Zeit. Caven acusa Juliane Lorenz de mobbing, arbitrariedade e vulgariade no gerenciamento do legado do cineasta e afirma que a atual presidente da Fundação Fassbinder forja dados biográficos e dissemina meias-verdades a respeito do passado do diretor.

Um dos principais pontos da discórdia é a suposta intenção de Lorenz de "apagar a pessoa de Peer Raben" dos eventos que giram em torno de Fassbinder, ignorando que o músico tenha sido uma espécie de eminência parda, presente em todas as obras do diretor.

"Na frente da mãe de Fassbinder, ela [Juliane Lorenz] afirmava que Rainer [Werner Fassbinder] nunca foi mesmo gay, não tomava drogas e tinha se tornado, por fim, muito caseiro. A mãe certamente acreditou com prazer nisso tudo, deixou-se persuadir e entregou a ela a direção da Fundação, detentora de todos os direitos sobre a obra [de Fassbinder]", acusa Caven no Die Zeit.

Informações precisas

A atriz e cantora Ingrid CavenFoto: picture-alliance/ ZB

O motivo para abrir a boca somente agora, tantos anos após a morte do cineasta e mais de duas décadas depois da criação da Fundação dirigida por Lorenz é, segundo a própria Ingrid Caven, em declaração a semanário alemão, a intenção de não omitir verdades para as próximas gerações: "Os filmes de Fassbinder são vistos por pessoas com um certo preparo intelectual. Elas têm o direito de obter informações precisas e detalhadas a respeito da vida do diretor. Isso não pode se perder".

Com ou sem seus amigos e colaboradores mais próximos, não se tira da Fundação Fassbinder os méritos de ter digitalizado parte da obra do diretor (como na edição restaurada e lançada em fevereiro deste ano m DVD de Berlim, Alexanderplatz), ter organizado diversas retrospectivas dentro e fora da Alemanha, além da ampliação de um arquivo sobre o diretor e administração dos direitos autorais sobre a obra.

Fogueira de vaidades

Por ironia do destino, a briga pública pelo legado de Fassbinder lembra de certa forma exatamente aquilo que seus filmes mais acidamente criticavam: a mesquinharia, o ciúme e a frieza nas relações de poder.

No pequeno caos em torno de seu legado, vem à tona todo um arsenal de detalhes, desde as lágrimas amargas de duas "viúvas" na vida do notório homossexual Fassbinder, até sua morte em consequência de uma overdose de soníferos e cocaína. Uma "roleta chinesa" de acusações e ofensas, que certamente não chegará tão cedo a um final feliz. (sv)

Pular a seção Mais sobre este assunto
Pular a seção Manchete

Manchete

Pular a seção Outros temas em destaque