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A vida estudantil na Alemanha

Marc Zeugner

Liberdade versus salas de aulas lotadíssimas, "savoir vivre" versus vida sem grana e um futuro promissor versus falta de perspectivas.

Reitoria da Universidade de BonnFoto: www.verwaltung.uni-bonn.de

Estamos em Colônia, a cidade alemã que tem a maior universidade pública do país. Isso significa que uns 70 mil estudantes entram nas sete faculdades e dúzias de institutos a cada manhã. As opções de estudos são incontáveis. Vão de administração de empresa via economia e medicina até política e as ciências naturais.

O tipo de gradução depende dos estudos. Existem três: o mestrado, o diploma e o exame sob supervisão do Estado. Isso exige um procedimento variável. Há estudos que têm uma estrutura mais ou menos fixa em termos da duração (por exemplo Medicina) e aqueles que dependem muito da autodisciplina do estudante, como as Ciências da América Latina. Como o último exemplifica, a comunidade estudantil pode ser caracterizada de multicultural. Neste caso, existe um intercâmbio bilateral entre o mundo latino-americano e o alemão, organizado por diversos programas e organizações que oferecem bolsas para estudar fora. Normalmente se trata de um semestre que, além da participação nas aulas, serve muito para melhorar o conhecimento da cultura e da vida social e cotidiana da comunidade no estrangeiro.

A multidão

Se por um lado se tem uma grande escolha entre as amplas opções de estudos, por outro podem acontecer problemas de espaço: entra-se numa sala construída para 300 estudantes que está lotada com uns 500. Evidentemente, a qualidade do ensino e a própria concentração sofrem nessas condições. Aqui, de novo, varia de uma matéria para outra.

De vez em quando os cursos estão demasiadamente cheios e não dá mais para entrar. Fica-se de fora e realmente tem que se esperar um semestre até poder freqüentar essa determinada cadeira. Além de custar em tempo, isso também pode significar prejuízo financeiro no final das contas. Por quê? É que foi aprovada uma nova lei de taxas universitárias. Todos os cursos preveêm uma "duração fixa". Transgredi-la mais que quatro semestres significa, hoje em dia, uma conta gigantesca para os estudantes: entre 600 e 700 euros (aproximadamente 2.100 a 2.500 reais) por semestre que ultrapasse a duração prevista. Segundo a secretária da Cultura do Estado da Renânia do Norte-Vestfália, Gabriele Behler, cerca de 80 mil estudantes já abandonaram as faculdades por causa dos custos.

Foto: Christoph & Friends

Abstraindo do problema de cursos, o estudante tem que considerar outros aspectos que podem prolongar o tempo na faculdade – trabalho, estágios práticos, mudança de cursos, enfermidades, etc. Assuntos desse tipo ficam freqüentemente fora da consideração oficial.

Emprego

Que vida se pode levar como estudante? – Tranqüila, divertida e, logicamente, em grande parte noturna. Mas, como diz um ditado em alemão: de graça é só a morte e ela custa a vida. Ou seja, existe a óbvia necessidade de trabalhar de algum jeito para financiar a vida. E as ofertas de diversão de qualquer forma são bem abrangentes.

Como em todas as outras grandes cidades da Alemanha, especialmente Berlim, Hamburgo e Munique, Colônia tem quase tudo que se quer. Parques, lagos, bares, boates, cinemas, várias possibilidades de fazer esporte, teatros e concertos de todos os estilos. Dando um exemplo: todo grupo mundial de música pop e contemporânea oferece shows nestas quatro cidades, com toda certeza.

Evidenciando-se que trabalhar é uma solução inevitável, precisa-se decidir em que campo se quer atuar: num bar ou numa boate durante a noite; numa empresa, num escritório ou dando aulas particulares aos alunos de colégios, durante o dia. Depende das próprias preferências e do horário da faculdade. Os salários variam também, mas na média se pode ganhar entre sete euros num bar, mais gorjeta, e dez euros ou pouco mais por hora num escritório. Como estudante, o tempo máximo de trabalho permitido por lei são 20 horas por semana durante o semestre letivo. Nas férias, não há limite. Na Alemanha, o status de "estudante" é considerado ocupação principal.

Desejos para o futuro?
Não é necessariamente você quem escolhe

Quem estuda Medicina, normalmente se torna médico, lógico. Mas existe um grande número de estudos que não determinam o caminho posterior, ou seja, pode-se fazer tudo ou nada. Fora eo problema da escolha, enfrenta-se dificuldades em achar qualquer emprego atualmente. A imaginação de que se possa trabalhar no campo de seus sonhos, com uma formação adequada, não tem mais lugar na realidade de hoje. É preciso aceitar o que é oferecido, as preferências próprias não importam.

Foto: Stadt Essen

Está rolando um movimento meio estranho por causa do medo de desemprego. Apesar de ter terminado os estudos, coroados com estágios e experiências semestrais fora do país, muitos estudantes ficam sem perspectiva. Por isso, muitos começam com o seu doutorado, como alternativa ao trabalho de garçom ou de vendedor em supermercado.

A idéia tornou-se popular: em 2003, havia 253.332 acadêmicos desempregados, 13,3% mais que no ano anterior. Cada vez mais filósofos, geógrafos e biólogos se decidem a fazer o doutorado para fugir ao desemprego. As vagas para bolsas de doutorado são muito disputadas. "Os números aumentaram drasticamente durante os últimos anos", diz Gerhard Teufel, secretário-geral da fundação Studienstiftung des deutschen Volkes. Nos anos 90, ele recebia uma média de 650 solicitações de bolsas. Hoje, são mais de mil. E apenas 460 puderam ser concedidas no ano passado pela maior instituição alemã do gênero.

Mas fazer o doutorado compensa financeiramente – às vezes. Segundo uma pesquisa da consultoria Kienbaum, um engenheiro com pós-graduação ganha por ano uns 5000 euros mais que um colega diplomado, como iniciante. Mas não se deve esquecer que o doutorado não inclui nenhuma experiência prática. E a prática também é um aspecto muito demandado em todos os campos de trabalho.

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