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Acidificação dos mares está fragilizando dentes dos tubarões

28 de agosto de 2025

Fenômeno causado pela absorção de CO2 pela água do mar tem impacto em uma das armas mais afiadas da natureza; cientistas alertam que integridade dos tubarões depende de menos emissões.

Merguladores ao lado de tubarão
Mergulhadores na Flórida, EUA, alimentam tubarão; feras do mar podem estar com dentes ameaçados Foto: Ken Kiefer/CATERS/SIPA/picture alliance

Tubarões em todo o mundo podem estar sofrendo nos dentes as consequências das mudanças climáticas. Segundo um estudo publicado na revista científica Frontiers in Marine Science, a crescente acidificação dos oceanos fragiliza a estrutura dos dentes, tornando-os mais propensos a quebrar.

Segundo os cientistas envolvidos na pesquisa, a capacidade dos tubarões de desenvolver nova dentição à medida que a antiga se desgasta não é suficiente para protegê-los dos impactos de um mundo em aquecimento, no qual os oceanos estão se tornando mais ácidos. 

Ameaça invisível

Os dentes dos tubarões "são armas muito desenvolvidas, projetadas para cortar carne, não para resistir à acidez do oceano", afirma o pesquisador Maximiliam Baum, um dos integrantes da equipe responsável pelo estudo, da Universidade Heinrich Heine de Düsseldorf, na Alemanha.

Os resultados mostram "o quão vulneráveis podem ser até mesmo as armas mais afiadas da natureza", acrescenta Baum.

A acidificação oceânica, impulsionada principalmente pela liberação de CO2 gerado pelo ser humano, é um processo pelo qual o valor do pH do oceano diminui, resultando em água mais ácida.

O pH médio dos oceanos é atualmente de 8,1 e, para 2300, espera-se que caia para 7,3, tornando-os quase 10 vezes mais ácidos do que atualmente.

Como as mudanças climáticas influenciam na acidificação dos oceanos

04:15

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Experimento com dentes coletados

Os pesquisadores utilizaram esses dois valores para examinar os efeitos da água nos dentes do tubarão-de-pontas-negras-do-recife, que nada com a boca permanentemente aberta para poder respirar.

Para o trabalho, foram coletados dentes descartados de um aquário. Dentre eles, 16 que estavam completamente intactos e sem danos foram usados para o experimento de pH e outros 36 para medir a circunferência antes e depois.

Os dentes foram incubados durante oito semanas em tanques separados de 20 litros. Em comparação com os introduzidos em um pH de 8,1, os expostos a água mais ácida apresentaram danos significativamente maiores.

"Observamos danos visíveis na superfície, como rachaduras e buracos, um aumento da corrosão das raízes e uma degradação estrutural". Além disso, a circunferência dos dentes era maior em níveis de pH mais altos, destaca Sebastian Fraune, outro autor da pesquisa.

O estudo analisou apenas dentes descartados de tecido mineralizado não vivo, o que significa que não foi possível levar em consideração os processos de reparação que podem ocorrer em organismos vivos.

Em tubarões vivos, a situação "pode ser mais complexa", pois eles poderiam remineralizar ou substituir os dentes danificados mais rapidamente. Mas "o custo energético desse processo provavelmente seria maior em águas acidificadas", pondera o estudo.

Estudo analisou dentes descartados de tubarão-de-pontas-negras-de-recife que apresentaram degradação estrutural após exposição a baixos níveis de pHFoto: Dave Fleetham/Design Pics/picture alliance

Impacto das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos

Além disso, mesmo quedas moderadas no pH poderiam afetar espécies mais sensíveis com ciclos lentos de replicação dentária ou ter efeitos cumulativos ao longo do tempo. Por isso, manter o pH do oceano próximo da média atual "pode ser fundamental para a integridade física das ferramentas dos predadores", insiste Braum.

Estudos futuros devem examinar as mudanças nos dentes, sua estrutura química e sua resistência mecânica em tubarões vivos, sugere a equipe.

A pesquisa atual já mostra que danos microscópicos podem ser suficientes para representar um problema grave para os animais que dependem dos dentes para sobreviver.

"É um lembrete de que os efeitos das mudanças climáticas se propagam por toda a cadeia alimentar e pelos ecossistemas", concluiu Baum.

(EFE, Frontiers in Marine Science)

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