Netanyahu diz que campanha contra o Irã e seus aliados regionais não acabou, e que manterá soldados no sul do Líbano. Mesmo recado veio do ministro da Defesa, que também prometeu atacar o Irã, se necessário.
"Israel não é subordinado aos EUA. Somos um país independente e soberano", disse o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, ao rejeitar acordo imposto por TrumpFoto: Debbie Hill/UPI Photo/IMAGO
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O acordo anunciado no fim de semana pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pôr fim à guerra no Irã foi recebido com ampla irritação em Israel – tanto por membros do governo de Benjamin Netanyahu quanto por oposicionistas que pretendem desafiá-lo nas eleições de outubro, informou a imprensa israelense.
Embora os termos do acordo ainda não tenham sido revelados, mediadores afirmam que ele prevê o "fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes", incluindo o Líbano.
Um dos membros mais radicais do governo Netanyahu, o ministro da Defesa, Israel Katz, assegurou que manterá soldados no sul do Líbano e que responderá "com força total" a eventuais ataques do Irã.
"O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e eu estamos liderando uma política clara que determina que as Forças de Defesa de Israel permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, Síria e Gaza, sem qualquer limite de tempo, para proteger a fronteira e comunidade israelenses ali de elementos jihadistas", declarou Katz em comunicado reproduzido pelo jornal The Times of Israel. "Não vamos comprometer os interesses de segurança de Israel e a proteção de nossos cidadãos."
Israel está em guerra contra o Hezbollah no Líbano desde o início de março. A milícia xiita aliada do Irã passou a atacar Israel depois que Washington e Tel Aviv deflagraram uma guerra contra o Irã, no final de fevereiro. Em resposta, o Irã fechou a navegação no Estreito de Ormuz, medida que teve repercussões globais na economia.
Negociações sobre um cessar-fogo até agora têm sido difíceis porque o Irã insiste que elas devem abranger também o Líbano. Israel discorda. Ataques recentes trocados entre Irã, Hezbollah e Israel, porém, irritaram Trump, que acusou Netanyahu de ser um "cara difícil".
O próprio Netanyahu foi à imprensa nesta segunda-feira (15/06) para dizer que a campanha contra o Irã e seus aliados regionais não acabou, e que as FDI seguirão estacionadas no sul do Líbano, na Síria e em Gaza "pelo tempo que for necessário".
Outro aliado de ultradireita do premiê israelense, o titular da Segurança Nacional, ministro Itamar Ben Gvir, frisou que o acordo "não garante a nossa segurança" e que Israel "não é subordinada aos Estados Unidos". "Somos um país independente e soberano", disse, citado pelo Times of Israel. "Não somos parceiros deste acordo [...]. Não devemos nos retirar de qualquer território [no Líbano] que nossos combatentes capturaram."
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Oposição também critica acordo
O líder da oposição, Yair Lapid, acusou Netanyahu de falhar, queixando-se de "um presidente americano aberta e publicamente dizer ao primeiro-ministro de Israel: 'Sou seu chefe, e você fara o que eu digo.'"
Na avaliação de Lapid e outros opositores, Netanyahu não cumpriu sua promessa de eliminar o programa nuclear do Irã, acabar com seu estoque de mísseis balísticos e seu apoio a aliados terroristas, bem como criar as condições para o fim do regime iraniano.
Já o ex-premiê Naftali Bennett disse que Netanyahu arrastou Israel para guerras de "estagnação e atrito", e é "incapaz de chegar a uma vitória decisiva".
Outros oposicionistas mencionaram, ironicamente, que a maior conquista de Trump será a reabertura do Estreito de Ormuz, que estava aberto antes de a guerra começar.
Jornalistas próximos do governo Netanyahu também estão irritados com Trump. Alguns deles, citados pelo jornal Haaretz, acusaram o presidente americano de ser um "traidor" e "fraco".
ra (dpa, ots)
Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: Caean Couto/IMAGN Images/REUTERS
Calor extremo na Europa às vésperas do verão
A Europa enfrenta sua primeira onda de calor de 2026, com temperaturas máximas em torno de 40°C em capitais como Madri e Paris, e próximas de 35 °C em Berlim, Roma, Lisboa e Londres. Na França e na Alemanha, a onda de calor já levou à suspensão de trens e aulas, (19/02)
Foto: Thibaud Moritz/AFP/Getty Images
Moscou em chamas após onda de ataques ucranianos
A Ucrânia atingiu uma grande refinaria de petróleo em Moscou pela segunda vez em uma semana, lançando enormes nuvens de fumaça negra sobre a capital e interrompendo voos em seus aeroportos, em um dos maiores ataques com drones desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, há mais de quatro anos, segundo autoridades. (18/06)
Foto: REUTERS
G7 expressa unidade no apoio à Ucrânia
No comunicado de encerramento da cúpula do G7 na França, os líderes do grupo afirmaram que permanecem unidos para apoiar a Ucrânia, incluindo em sua integridade territorial, e concordaram em aumentar as sanções contra a Rússia. A unidade expressada no texto conjunto foi considerada relevante em um momento tenso entre os EUA do presidente Trump e seus aliados ocidentais. (17/06)
Foto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance
"Estamos no mesmo time"
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, aproveitou a reunião do G7 para presentear o presidente dos EUA, Donald Trump, com uma camiseta personalizada da seleção alemã de futebol com o número 47 – o republicano, que completou 80 anos no último domingo, é o 47º presidente americano. "Afinal, estamos no mesmo time", comentou o alemão mais tarde, em uma postagem no X. (16/06)
Foto: Thibault Camus/AP Photo/picture alliance
Filho da princesa da Noruega é condenado a 4 anos de prisão por estupro
Filho mais velho da princesa herdeira da Noruega, Marius Borg Hoiby, de 29 anos, foi considerado culpado em duas das quatro acusações de estupro que pesavam contra ele. Preso desde fevereiro, ele também foi condenado por agressão e abuso em relacionamentos íntimos, e terá de pagar uma indenização às vítimas. (15/06)
Foto: Håkon Mosvold Larsen/NTB/AFP
Protesto contra G7 tem confronto com a polícia em Genebra
Manifestantes entraram em confronto com a polícia, incendiaram um carro da Tesla e danificaram um banco e uma agência da ONU. O protesto se dirigia contra as sete maiores economias do mundo, o G7, que se encontrariam a partir do dia seguinte na vizinha França para a sua cúpula anual. Autoridades suíças e francesas mobilizaram milhares de policiais para garantir a segurança do encontro. (14/06)
Foto: Denis Balibouse/REUTERS
Operação de EUA e Venezuela mata líder de gangue
O chefe da organização criminosa Tren de Aragua, conhecido como Niño Guerrero, foi morto em uma operação militar dos Estados Unidos realizada em coordenação com as autoridades da Venezuela. A ex-vice-presidente Delcy Rodríguez governa o país sul-americano sob pressão da Casa Branca desde janeiro, quando os EUA capturaram Nicolás Maduro, sob acusação de narcotráfico. (13/06)
Foto: Donald Trump via Truth Social/REUTERS
Elon Musk se torna o primeiro trilionário da história
O bilionário Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história com a entrada da sua empresa SpaceX no mercado de ações. Segundo a Oxfam, ele seria mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial juntos, ou 3,8 bilhões de pessoas. Foi a maior oferta pública inicial (IPO) já registrada, superando o recorde da petrolífera saudita Aramco. (12/06)
Foto: STAR MAX/IPx/picture alliance
Começa a Copa do Mundo de 2026
A Copa do Mundo da Fifa começou com uma partida entre México e África do Sul na Cidade do México. A seleção mexicana marcou o primeiro gol do campeonato, depois da cerimônia de abertura. Do lado de fora, houve confronto entre policiais e manifestantes, que pediam justiça para desaparecidos. O megaevento esportivo acontece, neste ano, em três países: México, Estados Unidos e Canadá. (11/06)
Foto: Eloisa Sanchez/REUTERS
UE alerta para "extremos climáticos como novo normal"
O mundo registrou o segundo maio mais quente da história, informou o serviço climático da União Europeia (UE), o Copernicus. A onda de calor precoce só não superou as temperaturas de 2024. Neste ano, recordes foram registrados em vários países da Europa Ocidental. Isso demonstra "como extremos climáticos estão rapidamente se tornando o novo normal, em vez da exceção", segundo o Copernicus. (10/06)
Foto: Jerome Gilles/NurPhoto/picture alliance
Deputados da Hungria cortam próprio salário em 40%
Parlamentares na Hungria votaram por unanimidade a favor de um corte nos próprios salários e benefícios, numa iniciativa do novo primeiro-ministro, Péter Magyar, para reduzir custos administrativos. O recém-empossado chefe do governo húngaro acusava o seu antecessor, Viktor Orbán, de conceder salários inflados para apaziguar deputados da oposição. (09/06)
Foto: Denes Erdos/AP Photo/picture alliance
Peru tem disputa acirrada em eleição presidencial
O candidato de esquerda nas eleições presidenciais no Peru, Roberto Sánchez, assumiu a liderança na contagem de votos do segundo turno das eleições peruanas, superando por uma pequena margem a candidata de direita Keiko Fujimori em uma disputa cujo resultado permanece incerto. Com cerca de 450 mil cédulas contestadas que ainda precisam ser revisadas, anúncio do vencedor deve levar dias. (08/06)
Foto: Stifs Paucca/REUTERS
Israel, Hezbollah e Irã trocam ataques, e conflito ameaça sair do controle de novo
O Irã disparou mísseis contra Israel em retaliação ao bombardeio, horas antes, de posições do Hezbollah no Líbano. Regime em Teerã tem condicionado um acordo definitivo de paz na região à inclusão de Beirute. Escalada irritou o presidente americano Donald Trump, que está sob pressão por causa dos impactos econômicos da guerra no Oriente Médio. (07/06)
Foto: Ohad Zwigenberg/AP Photo/picture alliance
UE vai barrar carne brasileira a partir de 3 de setembro
A União Europeia confirmou a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne de boi e frango, peixe, frutos do mar e mel para o bloco. Argumento é que o país não forneceu garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Argentina, Paraguai e Uruguai, membros do Mercosul, seguem com exportações liberadas. (06/06)
Foto: Silvio Avila/AFP
EUA alertam para pior cenário do surto de ebola
O Centro para Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos EUA exigiu a adoção de medidas rigorosas de saúde pública contra o atual surto de ebola. O órgão alerta que a epidemia caminha para atingir a magnitude da ocorrida na África Ocidental em 2014, que resultou em mais de 28 mil casos e mais de 11 mil mortes. Mais pacientes devem ser diagnosticados, isolados e tratados, afirma a agência. (05/06)
Foto: Xinhua/picture alliance
Fiéis lotam Marcha para Jesus em São Paulo
Uma multidão encheu a Marcha para Jesus, realizada em São Paulo no feriado de Corpus Christi. A programação incluiu shows e orações nos arredores da Estação da Luz. Participaram diversos políticos conservadores, bem como o advogado-geral da União, Jorge Messias. Em tom de campanha, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil vive uma "guerra espiritual". (04/06)
Foto: Miguel Schincariol/AFP
Greve geral contra reforma trabalhista paralisa Portugal
Pela segunda vez em seis meses, uma greve geral paralisou Portugal, em protesto à reforma trabalhista proposta pelo governo. Estimados 65% dos voos foram cancelados, inclusive ao Brasil. Foram ainda afetados outros transportes, hospitais, escolas e coleta de lixo. Para sindicatos, a reforma desregulamenta jornadas, amplia contratos precários, facilita demissões e ataca direitos. (03/06)
Foto: Armando Franca/AP Photo/picture alliance
Urso ataca quatro pessoas em Fukushima, no Japão
Quatro pessoas ficaram feridas após sofrerem ataques de um urso na cidade de Fukushima, no nordeste do Japão. Todos os feridos foram levados ao hospital e estavam conscientes. Entre as vítimas, apenas uma sofreu ferimentos mais graves. (02/06)
Sírio que esfaqueou 4 pessoas na Alemanha pega prisão perpétua
Um sírio de 36 anos foi condenado à prisão perpétua por quatro tentativas de homicídio na Alemanha com motivação terrorista. De acordo com decisão da Justiça alemã, o homem, identificado como Mahmoud M., foi considerado culpado de "tentativa de homicídio" em quatro casos, na qualidade de "membro de uma organização terrorista estrangeira" – no caso, o grupo Estado Islâmico (EI). (01/06)