Acusações de espionagem expõem tensão entre EUA e Israel
10 de junho de 2026
Informações internas dos Estados Unidos teriam sido vazadas por uma fonte anônima da Agência de Inteligência de Defesa (Dia, na sigla em inglês). Os relatos, que circularam em vários veículos da imprensa americana, são de que o Pentágono elevou Israel à categoria máxima de ameaça de espionagem após detectar uma forte expansão das atividades de inteligência contra os Estados Unidos. Washington nega, e Jerusalém chamou as notícias de "completamente falsas".
Ainda assim, a história repercutiu nos EUA, já que Israel é considerado um de seus aliados mais próximos. Ao mesmo tempo, evidencia um problema antigo: a desconfiança mútua que os dois lados nutrem em relação às suas atividades de inteligência.
Espionagem entre aliados: sempre foi assim?
Na Alemanha, o episódio faz lembrar de uma declaração da então chanceler federal Angela Merkel em 2013, depois que veio à tona que o serviço de inteligência externo dos EUA, a NSA, havia monitorado seu telefone celular: "Espionar entre amigos, isso não se faz." Pouco depois, entretanto, também se soube que o serviço de inteligência externo alemão BND havia espionado, por décadas, países aliados, governos e instituições.
O especialista alemão em serviços secretos Erich Schmidt-Eenboom está convencido de que até mesmo países aliados se espionam de forma praticamente rotineira — incluindo, especialmente, os EUA e Israel: "Houve repetidamente operações do Mossad nos Estados Unidos no âmbito do combate ao terrorismo internacional que não foram coordenadas com o FBI. Por outro lado, Israel sempre foi um alvo interessante para a inteligência eletrônica da Agência de Segurança Nacional (NSA), sobretudo em todos os conflitos."
Casos de espionagem israelense contra os EUA
O caso mais notório até hoje de espionagem israelense nos EUA é o de Jonathan Pollard, em 1987. O americano, que trabalhava na inteligência da Marinha dos EUA, repassou informações a um serviço secreto israelense e, segundo o jornal The Times of Israel, recebeu dezenas de milhares de dólares por isso.
Após confessar, ele foi condenado à prisão perpétua nos EUA. Políticos israelenses de alto escalão defenderam repetidamente sua libertação. Em 2015, ele acabou sendo solto mediante determinadas condições. Quando Pollard foi autorizado a se mudar para Israel em 2020, foi recebido pessoalmente pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no aeroporto. "Isso foi claramente uma afronta para os americanos", avalia Schmidt-Eenboom.
Em 2004, veio a público que Lawrence Franklin, analista político do Departamento de Defesa dos EUA, teria repassado informações confidenciais sobre a política americana em relação ao Irã a Israel por meio do influente grupo de lobby pró-Israel Aipac (Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel). Tanto o Aipac quanto Israel negam as acusações. Franklin, contudo, foi condenado por espionagem.
No contexto das revelações de Edward Snowden em 2013, a espionagem israelense nos EUA não foi um tema central. No entanto, o jornal britânico The Guardian chegou a mencionar que, segundo um dos documentos vazados pelo ex-funcionário da NSA, uma "avaliação nacional de inteligência" já havia concluído, em 2008, que o serviço secreto israelense era o "terceiro mais agressivo em relação aos EUA".
Quais aliados já teriam sido espionados pelos EUA?
Snowden se tornou conhecido por suas revelações sobre a vigilância em massa de milhões de pessoas pela NSA e outros serviços secretos dos EUA. Os documentos também mostraram o grau de cooperação entre a NSA e serviços secretos de países aliados. Ao mesmo tempo, ficou claro que os EUA também espionaram aliados. Entre os alvos estavam a então chanceler federal alemã, Angela Merkel, e os presidentes franceses Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e François Hollande.
Em 2023, documentos vazados do Pentágono indicaram que serviços de inteligência dos EUA teriam monitorado discussões internas do governo sul-coreano. Ambos os lados negaram e afirmaram conjuntamente que os documentos eram, em grande parte, falsificados — sem especificar detalhes.
O que torna o caso atual tão delicado?
Há um amplo consenso de que o episódio deve ser analisado no contexto da guerra conjunta dos EUA e de Israel contra o Irã e da relação tensa entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu: enquanto o presidente dos EUA aparentemente busca encerrar o conflito o mais rápido possível, Netanyahu, na visão de Trump, faz pouco para estabilizar o frágil cessar-fogo.
Segundo diferentes avaliações, Israel pode ter cruzado uma linha vermelha ao monitorar altos funcionários do governo envolvidos nas negociações dos EUA com o Irã — entre eles o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e vários funcionários do Departamento de Defesa.
Nesse caso, a elevação do nível de ameaça refletiria uma crise de confiança entre Washington e Jerusalém. Permaneceria, porém, a questão de por que a informação veio a público — aparentemente contra a vontade do governo dos EUA.
Independentemente de a informação ser verdadeira ou não, isso é secundário para Erich Schmidt-Eenboom. Ele acredita que a divulgação foi feita com o conhecimento do governo americano. Trump estaria buscando formas de exercer pressão diplomática sobre Israel.
"Diante das eleições de meio de mandato em novembro, ele não pode se dar ao luxo de se voltar contra o lobby israelense nos EUA, por exemplo cortando ajuda militar", avalia. Mas isso seria bem mais fácil sob a impressão de que Israel estaria violando gravemente interesses americanos por meio de espionagem: "Agora o presidente americano tem a possibilidade de pressionar Israel a interromper os bombardeios e retirar tropas do sul do Líbano", afirma o especialista.
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