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Ciência

Aarni Kuoppamäki (jl)21 de junho de 2007

Em entrevista à DW-WORLD, Rupert Gerzer fala sobre uma nova missão, que simula um possível vôo a Marte no futuro.

Antes de chegar a Marte, é preciso ser capaz de sobreviver à expediçãoFoto: ESA

As agências espaciais européia e russa estão procurando candidatos para a simulação de uma missão espacial à Marte, com duração de um ano e meio. Rupert Gerzer, especialista em medicina espacial, fala à DW-WORLD sobre os pré-requisitos e os objetivos desta missão.

DW-WORLD: A Agência Espacial Européia (ESA) está à procura de dois voluntários que, junto com mais quatro russos, participarão de uma missão simulada a Marte. Ao todo, contando com ida e volta, o experimento vai durar 520 dias. Os escolhidos passarão todo esse tempo confinados em contêineres de metal em Moscou. O que se espera dessas pessoas?

Rupert Gerzer: Em primeiro lugar, o candidato deve ser saudável. Em segundo lugar, precisa ser psicologicamente estável, a ponto de não ser passível de uma depressão, se confinado por 520 dias. Também é preciso ser compatível com o resto do grupo, para que um membro não queira dominar os outros. Além disso, o candidato precisa ser capaz de trabalhar como um cientista numa missão a Marte.

Cada membro da equipe receberá um espaço privativo de três metros quadrados. Há uma sala de estar comum, uma cozinha e um banheiro. A ESA deu a isso o nome de estúdio de confinamento e isolamento. Isso não soa muito convidativo. Quem é que vai se candidatar voluntariamente?

É impressionante o número de pessoas que se interessam por isso. Eu mesmo conheço um engenheiro, que trabalha no meu instituto, que já participou do nosso último experimento e agora está louco para ir a Moscou. Muita gente é fascinada pela idéia de participar de uma missão espacial. Essas pessoas dizem: Se eu não posso ser um astronauta de verdade, meu confinamento pode pelo menos ajudar a conduzir essas missões no futuro.

As cabines de isolamento preparadas para a simulaçãoFoto: ESA

Não haverá chuveiro, só uma sauna. Portanto, ninguém vai tomar um banho de verdade durante os 520 dias. Como especialista em medicina espacial, o senhor poderia nos explicar: por que a sauna?

(Risos) Isso é uma especialidade dos russos.

Esse experimento lembra um pouco o programa de televisão Big Brother. Não seria bom para o experimento transmitir esses 520 dias pela televisão, ao vivo?

Não queremos examinar celebridades, mas descobrir como um grupo realmente isolado reage a caminho de Marte. As pessoas confinadas também se comportam de acordo com a visibilidade pública que elas têm. O que queremos é simular a vida real ou o que seja mais próximo disso. Podem ocorrer problemas e estamos certos de que eles ocorrerão. Queremos saber quais são esses problemas e descobrir como resolvê-los.

Após terminado o experimento, serão investigados, durante um ano, possíveis efeitos de longo prazo. Existe alguma possibilidade de um dos voluntários se tornar astronauta, depois de passar pelos 520 dias?

Rupert Gerzer, especialista em medicina espacialFoto: privat

Entre os russos, há alguns membros participantes do experimento que são aspirantes a astronautas. Qualquer um que suporte os 520 dias e faça isso bem, poderá ser aceito pelo programa espacial da Rússia. A ESA vai selecionar novos astronautas em 2008 e quem não for aceito nessa época – porque está participando do experimento em Moscou, por exemplo, – não terá a menor chance de vir a ser um astronauta da ESA.

Rupert Gerzer dirige o Instituto de Medicina Aérea e Espacial, em Colônia. A organização está ligada à missão simulada do vôo a Marte.

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