Pesquisa revela que população a Alemanha deseja uma Europa mais coesa, com maior cooperação entre seus membros. Maioria acredita que bloco perde força com Brexit e que deve ter participação mais ativa no mundo.
Foto: Getty Images/C. Furlong
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Os alemães estão insatisfeitos com a União Europeia: 62% acreditam que ela não está no caminho certo, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (30/11), realizado pelo instituto TNS Infratest Politikforschung, por encomenda da Fundação Körber. O Brexit está sendo decisivo para o enfraquecimento da coesão do bloco, na opinião de 67% dos alemães. A maioria deseja dureza nas negociações para a saída do Reino Unido.
Uma visão mais crítica sobre a EU é mais pronunciada entre os entrevistados de 18 a 29 anos. Com relação às preferências partidárias, os eleitores do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) são particularmente críticos em relação à UE. Apenas 2% dos adeptos da legenda acreditam que a UE está no caminho certo. Entre os simpatizantes do partido socialista A Esquerda, eles são 19%, enquanto 50% dos eleitores dos conservadores União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU) têm essa opinião.
Qual UE os alemães querem?
Ao invés de um bloco dividido, os alemães desejam uma UE que atue de forma coesa, que seja transparente e próxima aos cidadãos. Quase unanimemente, os entrevistados disseram desejar uma maior cooperação a nível europeu. "As pessoas querem que a Europa funcione", comentou o ministro do Exterior alemão, Frank-Walter Steinmeier, a pesquisa, citando temas como migração e segurança.
No entanto progressos já podem ser reconhecidos, acrescentou. Ele ressalta que há uma grande disposição dos Estados-membros europeus de promover uma política comum de segurança e defesa. Entretanto, somente 54% dos alemães entrevistados apoiam uma força militar conjunta, enquanto 82% acreditam que a UE deve desempenhar um papel mais ativo no mundo.
Mais liderança alemã
Amplamente aceito, no entanto, é o função de liderança da Alemanha dentro da EU, com 59% dos entrevistados dizendo querer uma ampliação desse papel. Apenas 43% acreditam que o empenho do país é suficientemente reconhecido pelos outros membros do bloco. Uma clara maioria rejeita disponibilizar mais recursos financeiros e humanos a Bruxelas.
Quando se trata de reforma da UE, a maioria dos entrevistados deseja cooperação de todos os Estados-membros. Apenas 13% acham que a dupla Alemanha-França possa dar novo impulso à Europa. Mas a maioria quer uma cooperação bilateral mais forte com os principais parceiros europeus: com a França (80%), Itália, Holanda (ambos 71%) e Polônia (67%). Já o apoio à cooperação com o Reino Unido caiu sensivelmente. A maioria dos alemães rejeita uma ampliação da UE. Isto fica especialmente claro em relação à adesão da Turquia, rejeitada por 80% dos consultados.
Premiê britânica, Theresa May, e chanceler alemã, Angela Merkel: Brexit enfraquece UEFoto: Reuters/M. Sohn
Crise de refugiados
Em relação à superação da crise dos refugiados, 73% acreditam que uma solução só é possível no nível europeu. A mesma porcentagem de entrevistados acredita que os outros Estados-membros da UE não ajudaram a Alemanha a lidar com a crise migratória.
Uma esmagadora maioria (91%) pede um maior empenho da UE no combate ao êxodo em outros países, mesmo que associado a custos adicionais. A grande maioria rejeita um fechamento das fronteiras da Alemanha como solução para a crise de refugiados. E, embora o número de refugiados tenha diminuído significativamente, apenas um terço dos entrevistados considera eficiente o acordo de refugiados com a Turquia.
Viagem à Europa da perspectiva de refugiados
Exposição em Hamburgo mostra longa jornada do ponto de vista dos migrantes, resultado do projeto #RefugeeCameras. Risco, desamparo e raros momentos de alegria permeiam as imagens.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCameras
Partida sem volta?
Em dezembro de 2015, o alemão Kevin McElvaney entregou 15 câmeras descartáveis e envelopes pré-selados a migrantes em Izmir, Lesbos, Atenas e Idomeni. Sete retornaram ao jovem fotógrafo e fazem parte do projeto #RefugeeCameras. Zakaria recebeu sua câmera em Izmir. O sírio fugiu do "Estado Islâmico" e do regime Assad. Em seu diário de fuga, ele escreve que só Deus sabe se ele voltará à Síria.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCameras
Travessia de bote
Zakaria documentou sua viagem marítima da Turquia até a ilha grega de Chios. Ele ficou sentado na parte de trás do bote. Na exposição em Hamburgo, as imagens feitas por refugiados são complementadas por uma seleção de fotos tiradas por profissionais, que ajudaram a montar a representação das rotas de fuga. Todos eles doaram suas obras para apoiar o projeto.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCameras
Chegada perigosa
Hamza e Abdulmonem, ambos da Síria, fotografaram a perigosa chegada de seu barco a uma ilha grega. Não havia voluntários para recebê-los. Foi justamente isso que McElvaney tinha em mente quando lançou a #RefugeeCameras. Segundo o jovem fotógrafo, até agora a mídia proporcionou somente um "vazio visual" a esse respeito.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCameras
Sobrevivendo ao mar
Após o desembarque, vê-se um menino com roupas molhadas e colete salva-vidas numa praia. A imagem faz recordar Aylan Kurdi, o pequeno garoto sírio cujo corpo sem vida foi encontrado no litoral turco em setembro de 2015. A criança nesta foto conseguiu chegar viva à Europa. O seu destino é desconhecido.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCameras
Sete câmeras
Hamza e Abdulmonem também tiraram esta foto instantânea levemente desfocada de um grupo de refugiados fazendo uma pausa. Das 15 câmeras que McElvaney entregou, sete retornaram, uma foi perdida, duas foram confiscadas, e duas permaneceram em Izmir, onde seus donos ainda estão retidos. As três câmeras restantes estão desaparecidas – assim como seus proprietários.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCameras
Família em foco
Dyab, um professor de Matemática sírio, tentou registrar alguns dos melhores momentos de sua viagem até a Alemanha. Na foto, veem-se sua esposa e seu filho pequeno, Kerim, que nos mostra um pacote de biscoito que recebeu num campo de refugiados macedônio. A imagem revela a profunda afeição de Dyab por seu filho, diz McElvaney: "Ele quer cuidar dele, mesmo na árdua viagem que foi forçado a seguir."
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCameras
Do Irã à Alemanha
A história de Said, do Irã, é diferente. O jovem teve de deixar seu país, depois de ter se convertido ao cristianismo. Ele poderia ter sido preso ou morto. Para ser aceito como refugiado, ele fingiu ser afegão. Após a sua chegada à Alemanha, ele explicou sua situação, para a satisfação das autoridades. Ele vive agora – como iraniano – em Hanau, no estado de Hessen.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCameras
Não apenas selfies
Said tirou esta foto de um pai sírio e seu filho num ônibus de Atenas a Idomeni.
Foto: Kevin McElvaney/ProjectRefugeeCameras
Momento de alegria
Em outro registro feito por Said, um voluntário que trabalha num campo de refugiados em algum lugar entre a Croácia e a Eslovênia brinca com um grupo de crianças, que tentam imitar seus truques.