1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Enquete

(dpa/sm)16 de junho de 2008

Cada vez mais estrangeirismos, abreviaturas, palavrões: uma pesquisa indica que os alemães consideram sua língua ameaçada de decadência. E exigem que o alemão seja mais usado nas instituições da União Européia.

Crianças lêem livro em dialeto do norte alemãoFoto: dpa - Bildfunk

Dois terços dos alemães temem que seu idioma "decaia mais e mais". Numa enquete encomendada pela Sociedade da Língua Alemã, os entrevistados constatam – como possíveis causas – que as pessoas passaram a ler cada vez menos e a assistir mais televisão.

Além disso, a influência de outras línguas sobre a alemã teria aumentado bastante e os falantes nativos dariam cada vez menos valor a uma forma de expressão correta. Isso se aplicaria a todo tipo de comunicação: em casa, na escola, na mídia e sobretudo por e-mail ou mensagem escrita via celular.

Língua muda com novas mídias

O aumento de abreviaturas incompreensíveis também é visto pelos alemães como um mal sinal. Na opinião de 42% dos entrevistados, hoje muitas pessoas se expressam pior do que há 20 ou 30 anos.

Os mais jovens, no entanto, também vêem tendências positivas na língua alemã de hoje. Um a cada três entrevistados lembra que o vocabulário se torna cada vez mais amplo. O computador, longe de apenas prejudicar a leitura, também leva as pessoas a ler e a escrever mais do que antes. Dezoito por cento têm a impressão de que a língua alemã se torna cada vez mais diversificada e viva.

"Reclamações sobre a decadência lingüística existem desde os egípcios e os gregos antigos", relativizou Rudolf Hoberg, presidente da Sociedade da Língua Alemã, lembrando que os resultados da pesquisa realizada em abril passado são os mais abrangentes dos últimos dez anos.

"Toda língua muda ao longo do tempo." Hoberg rejeita "leis lingüísticas" para "salvação do idioma alemão", mas a associação dirigida por ele sempre pode fazer recomendações.

Um outro fato revelado pela pesquisa é a ampla rejeição da reforma ortográfica alemã, que conta com a simpatia de apenas 9% da população. Para Hoberg, esses dados encobrem o fato de que "a maioria das pessoas já não sabia lidar muito bem com a ortografia antes da reforma".

Corpos estranhos no idioma

Muitos dos 1.820 entrevistados reclamam do fato de a boa expressão ser cada vez menos valorizada. Quase dois terços admitem usar a palavra Scheisse ("merda") – entre os homens entrevistados 72% e entre as mulheres 56%.

Os alemães já se acostumaram ao crescente uso de termos ingleses – como, por exemplo, kids, event ou meeting –, mas 39% deles, sobretudo nas faixas etárias superiores, se sentem incomodados. A maioria também exige um uso mais intenso do alemão na União Européia, considerando que a população de língua alemã na Europa é maior do que as de falantes nativos de inglês e de francês.

Quanto à língua estrangeira a ser aprendida pelas crianças alemãs nas escolas, os alemães priorizam o inglês, o francês, o espanhol e, surpreendentemente, em quarto lugar, o chinês.

Um a cada dois alemães ainda fala um dialeto, uma tendência que tende a diminuir. O bairisch, dialeto bávaro, e o platt, falado no norte da Alemanha, continuam sendo os mais propagados, seguidos pelo falar berlinense. A comum aversão à sonoridade do dialeto saxônio é ainda mais forte do que revelavam pesquisas anteriores.

Pular a seção Mais sobre este assunto