Alemão "Nada de novo no front" é indicado a 9 Oscars
24 de janeiro de 2023
Drama antiguerra concorre a melhor filme e só perde em número de indicações para "Tudo em todo lugar ao mesmo tempo", candidato a 11 estatuetas.
"Nada de novo no front" concorre a melhor filme, fotografia e roteiro, entre outrosFoto: Netflix/Zumapress/picture alliance
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A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou nesta terça-feira (24/01) a lista dos indicados ao Oscar 2023. A premiação está agendada para o dia 12 de março, com apresentação do humorista Jimmy Kimmel.
Com 11 indicações, o filme Tudo em todo lugar ao mesmo tempo, de Dan Kwan e Daniel Scheinert, lidera a disputa. Na categoria máxima de melhor filme, concorre com Nada de novo no front, Avatar: o caminho da água, Os Banshees de Inisherin, Elvis, Os Fabelmans, Tár, Top Gun: Maverick, Triângulo da tristeza e Entre mulheres.
Produção irlandesa "Os Banshees de Inisherin" tem nove indicações ao OscarFoto: 20th Century Studios
O drama antiguerra alemão Nada de novo no front foi indicado a nove Oscars. A produção da Netflix do diretor Edward Berger concorre ao Oscar de melhor filme e ao de melhor filme internacional, entre outros. Outras indicações incluíram melhor fotografia e melhor roteiro adaptado. Também tem nove indicações a tragicomédia irlandesa Os Banshees de Inisherin. O filme Elvis, do diretor Baz Luhrman, foi indicado oito vezes, e Os Fabelmans, de Steven Spielberg, sete vezes.
Spielberg concorre a melhor direção
Na disputa pelo prêmio de melhor direção estão Todd Field (Tár), Dan Kwan e Daniel Scheinert (Tudo em todos os lugares ao mesmo tempo), Martin McDonagh (Os Banshees de Inisherin), Ruben Ostlund (Triângulo da tristeza) e Steven Spielberg (Os Fabelmans).
Indicados para a estatueta de Melhor Canção estão Naatu Naatu, do filme RRR, bem como Applause (Tell It like a Woman), Hold My Hand (Top Gun: Maverick), Lift Me Up (Pantera Negra: Wakanda para sempre) e This is Life (Tudo em todos os lugares ao mesmo tempo). Na categoria de melhor roteiro original, foram indicados os filmes Os Banshees de Inisherin, Tudo em todos os lugares ao mesmo tempo, Os Fabelmans, Tár e Triângulo da Tristeza.
Cate Blanchett, Michelle Williams, Austin Butler e Colin Farrell estão entre os nomeados para o Oscar de melhor atriz e melhor ator.
O Brasil ficou de fora da lista de indicados à 95ª edição do Oscar. Sideral, dirigido por Carlos Segundo, chegou à pré-lista na categoria de melhor curta, mas não foi indicado.
md (AFP, DPA, AP)
A história do Brasil no Oscar
Após levar a primeira estatueta de melhor filme internacional por "Ainda Estou Aqui", país volta à premiação com "O Agente Secreto" na disputa por quatro categorias. Veja a trajetória de brasileiros na premiação.
Foto: Capital Pictures/IMAGO
"Orfeu negro"
Em 1960, "Orfeu negro", uma coprodução entre Brasil, França e Itália, ganhou a estatueta de melhor filme estrangeiro. Por representar a França, os louros ficaram com os europeus. Mas durante 65 anos foi o único filme de língua portuguesa a ganhar um Oscar.
Candidatos a melhor filme estrangeiro
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, "O pagador de promessas", de Anselmo Duarte, garantiu a primeira indicação para o Brasil, em 1962. Em 1995, a história de dois casais de imigrantes italianos vivendo sob o mesmo teto rendeu uma indicação a "O quatrilho", de Fabio Barreto. Dois anos depois, seu irmão, Bruno Barreto (foto), foi indicado na mesma categoria, por "O que é isso companheiro?".
Foto: picture-alliance/dpa
Melhor filme
Esnobado na categoria de filme estrangeiro, "O beijo da mulher aranha" (1985), coprodução com os EUA, foi o primeiro longa latino-americano indicado como melhor filme. A amizade entre um preso político (Raul Julia) e um homem homossexual (Will Hurt) em um presídio brasileiro também rendeu indicações de melhor roteiro adaptado e diretor (Hector Babenco). Hurt venceu como melhor ator.
Foto: 2015 ICRA LLC
"Central do Brasil"
Depois de levar o Urso de Ouro na Berlinale, "Central do Brasil", de Walter Salles, partiu para uma triunfante carreira internacional. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1999, o drama sobre a amizade de um menino abandonado e uma mulher desiludida de meia-idade levou também a indicação inédita de melhor atriz para Fernanda Montenegro. Mas nenhum dos dois prêmios foi para o Brasil.
Foto: picture-alliance/dpa/Buena_vista
Melhor curta-metragem
Brasileiros ainda emplacaram duas indicações em melhor curta-metragem. Diretor de sucessos como "A era do gelo 2", o carioca Carlos Saldanha (foto) foi indicado, em 2002, pela animação americana "Gone nutty". "Uma história de futebol" também levou Paulo Machline aos finalistas do prêmio, em 2001. O curta recria passagens da infância de Pelé e de Zuza, seu companheiro de pelada na cidade de Bauru.
Foto: Charley Gallay/Getty Images
Melhor direção
Apesar do sucesso comercial no exterior, "Cidade de Deus" foi esnobado ao prêmio de filme estrangeiro em 2004. Mas o frenético retrato do crescimento do crime organizado na favela carioca teve indicações a melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor fotografia. Fernando Meirelles também foi indicado como melhor diretor, mas quem levou a estatueta foi Peter Jackson, por "O Senhor dos Anéis".
Foto: imago/United Archives
Melhor canção original
O primeiro brasileiro indicado ao Oscar foi o compositor Ary Barroso (foto), autor de "Aquarela do Brasil". Ele foi um dos finalistas ao prêmio pela canção "Rio de Janeiro", do filme "Brasil", em 1945 — uma produção americana. Mais de meio século depois, em 2012, Carlinhos Brown e Sergio Mendes voltaram a representar o país na categoria com "Real in Rio", parte da trilha sonora da animação "Rio".
Foto: Brasilianisches Nationalarchiv - Arquivo Nacional
Os pré-selecionados
Por anos, a seleção de inscritos na disputa pelo Oscar coube a uma comissão do Ministério da Cultura. Desde 1954, com "O cangaceiro", de Lima Barreto, foram mais de 45 títulos, mas só quatro ficaram entre os finalistas. Em 2014, "Hoje eu quero voltar sozinho" (foto), de Daniel Ribeiro, não conseguiu uma indicação. Desde 2021, a seleção passou a ser feita pela Academia Brasileira de Cinema.
Foto: D. Ribeiro
Melhor documentário
"O Sal da Terra", de Wim Wenders e Juliano Salgado, disputou o Oscar de melhor documentário em 2015. O filme retrata a história do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, pai de Juliano. O Brasil havia concorrido antes na categoria, em 2011, por "Lixo Extraordinário", que conta a história de um projeto social no aterro do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Os filmes não foram premiados.
Foto: Wim Wenders/NFP*
Candidato em 2020
"Democracia em vertigem", da diretora Petra Costa, concorreu à estatueta de melhor documentário em 2020, mas perdeu o prêmio para "Indústria americana". O filme brasileiro, incluído na lista dos melhores do ano do "New York Times", aborda a ascensão e queda do PT e a polarização entre esquerda e direita no país. Foi a última produção brasileira a ser finalista do Oscar antes de 2025.
Foto: Netlix/Divulgação
"Ainda Estou Aqui" conquista Oscar de melhor filme internacional
"Ainda Estou Aqui" já tinha feito história ao ser indicado para três categorias do Oscar. Em 2025, conquistou a estatueta de melhor filme internacional. O filme de Walter Salles, sobre a ditadura, foi é a primeira produção totalmente brasileira a disputar o prêmio de melhor filme. Anora, de Sean Baker, venceu nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz, pelas quais o Brasil também concorria.
Foto: Capital Pictures/IMAGO
"O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, disputa 4 categorias do Oscar 2026
Após abocanhar os prêmios de melhor filme internacional e melhor ator em Cannes e no Globo de Ouro, "O Agente Secreto" foi indicado a quatro categorias do Oscar, a principal premiação de Hollywood: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator e direção de elenco. A obra estrelada por Wagner Moura (ao centro) retrata um Brasil embrutecido pela ditadura militar.