Alemanha quer obrigar carros a terem "sensor de bicicleta"
4 de dezembro de 2025
Após comoção provocada por morte de atriz atingida por porta aberta bruscamente enquanto pedalava, governo alemão propõe obrigatoriedade de sensores e sistemas de alerta em automóveis para proteger ciclistas.
Abrir a porta sem olhar quem vem de trás pode ser fatal para ciclistasFoto: Marijan Murat/dpa/picture alliance
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O governo alemão quer proteger melhor os ciclistas e usuários de patinetes elétricos contra acidentes causados por portas de carros abertas repentinamente.
"Para evitar esses acidentes, o governo federal planeja a implementação obrigatória de sistemas de assistência, como alertas de abertura de portas", disse uma porta-voz do ministro alemão dos Transportes, Patrick Schnieder, segundo a edição desta quinta-feira (04/12) do jornal Rheinische Post. Ela afirmou que ciclistas correm risco particularmente alto "ao pedalar perto de veículos estacionados".
Acidentes causados por portas de carros abertas de maneira brusca também são chamados de "dooring". "O termo, derivado da palavra inglesa 'door' (porta), descreve uma situação em que a porta de um carro se abre repentinamente na frente de ciclistas que se aproximam", explica a Associação Alemã de Ciclistas (ADFC, na sigla em alemão). "Os ciclistas ficam então sem outra opção a não ser desviar bruscamente ou frear com força."
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Acidentes graves
Acidentes de dooring frequentemente resultam em ferimentos graves, por exemplo, se a manobra evasiva levar a uma colisão com outro veículo. No entanto, segundo a ADFC, não existe uma categoria específica para registro policial. Portanto, não existem estatísticas confiáveis sobre a frequência desses incidentes.
Um caso que recentemente chamou atenção na Alemanha envolveu a atriz Wanda Perdelwitz, conhecida por papeis em diversas séries de TV na Alemanha. Ela morreu em outubro, aos 41 anos após sofrer um acidente de dooring no final de setembro, quando andava de bicicleta em Hamburgo. O motorista do carro também havia parado em lugar proibido, quando um dos ocupantes do veículo abriu bruscamente a porta, atingindo a atriz, que chegou a ser socorrida, mas posteriormente morreu no hospital.
Em entrevista ao jornal Rheinische Post, a ADFC saudou o plano do Ministério dos Transportes da Alemanha. O clube vem exigindo há anos "que os veículos motorizados sejam equipados com um sistema de alerta de porta aberta e um sistema de trava automática", afirmou ao jornal a diretora do setor de política da ADFC, Caroline Lodemann.
Na Holanda, para evitar esse tipo de acidente, instrutores de autoescolas ensinam seus alunos a abrirem o carro com a mão que está mais distante da porta – a direita, no caso do motorista. A manobra, conhecida internacionalmente como "Dutch Reach", obriga o ocupante do automóvel a girar o torso e olhar se há algum veículo se aproximando, antes de abrir a porta.
Com funcionam os sistemas "antidooring"
Sistemas de alerta para abertura de portas já são vendidos na Alemanha e alguns modelos de carro já vêm com o item de fábrica.
Alguns equipamentos, mais simples, consistem em sensores de movimento instalados em cima do retrovisor lateral ou parachoque traseiro. Ao dectetarem movimento externo e uma abertura iminente da porta, os sistema emitem alertas sonoros ou visuais para o motorista.
Outros sistemas, mais complexos, incorporam os sensores, mas também têm a capacidade de travar a porta eletronicamente para evitar uma colisão.
md (AFP, DPA)
Andar de bicicleta é ecologicamente correto, bom para a saúde e financeiramente mais acessível. Muitas cidades europeias investem milhões para receber melhor os ciclistas. Confira exemplos bem-sucedidos.
Foto: picture-alliance/dpa/F. Gentsch
Copenhague, Dinamarca
Na capital da Dinamarca há uma rede de ciclovias de 350 quilômetros, um sistema de semáforos que prioriza os ciclistas e até apoios de pé nas avenidas para quando você precisa parar para esperar o sinal abrir. Não é de se admirar, então, que 62% da população pedale até o trabalho. Em inglês, a palavra "copenhagenize" é usada para descrever a transformação de uma cidade em amiga das bicicletas.
Amsterdã é uma das cidades europeias mais amigáveis a bicicletas. Por dia, ciclistas percorrem cerca de 2 milhões de quilômetros na capital holandesa. O país é popular entre quem gosta de andar de bicicleta por ser muito plano. A cidade de Utrecht abriga o maior estacionamento de bikes do mundo, com 12,5 mil vagas. A expectativa é de que o número cresça para 33 mil até 2020.
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Antuérpia, Bélgica
Antuérpia impressiona pelos inúmeros estacionamentos de bicicletas e pela boa infraestrutura para ciclistas. O sistema de aluguel de bikes deve ser ampliado em breve, ciclovias serão dispostas ao longo do porto, e três pontes para bicicletas e pedestres serão construídas. O que a cidade ainda pode melhorar, no entanto, é o grande volume de tráfego nas vias.
Foto: picture-alliance/Arco Images/P. Schickert
Paris, França
As autoridades municipais de Paris vêm expandindo há anos a rede de ciclovias. Aos domingos, ruas inteiras são fechadas para o tráfego de veículos. Como turista, é possível se misturar facilmente aos ciclistas, pois há estações de aluguel de bicicletas em todos os lugares. Esse é também o caso de Estrasburgo, cidade que divide com Paris o posto de melhor cidade para se pedalar na França.
Foto: picture-alliance/robertharding/S. Dee
Malmo, Suécia
A cidade sueca está investindo muito dinheiro para melhorar sua infraestrutura. Já são quase 500 quilômetros de ciclovias, que incluem estações com bombas de ar para encher pneus. Um ferry para bicicletas entre Malmo e Copenhague visa impulsionar o turismo de ciclismo. Provavelmente a ideia mais criativa é um hotel com oficina, aluguel de bicicletas e estacionamento em frente aos quartos.
Foto: Ohboy
Trondheim, Noruega
Trondheim é uma cidade montanhosa, mas nem por isso deixa de ter ciclistas. O "Trampe", primeiro elevador de bicicletas do mundo, é a solução. O teleférico de 130 metros de comprimento leva até 300 ciclistas por hora subindo a montanha até a fortaleza de Kristiansten. Um suporte no qual você pode se apoiar com o pé direito é puxado ao longo de um trilho juntamente com a bicicleta.
Foto: public domain
Münster, Alemanha
Em Münster, na Alemanha, há mais bicicletas do que moradores. Portanto, não é surpreendente que ela seja a cidade com o maior número de roubos de bicicletas do país. Mas isso não desestimula ninguém a deixar o carro e pegar uma bike, pois tudo é muito prático: ciclovias largas, estacionamento suficiente e ausência de colinas para subir.
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Barcelona, Espanha
Em 2002 já era possível alugar bicicletas em Barcelona, na Espanha. Estão disponíveis 158 quilômetros de ciclovias na capital catalã. Zonas de velocidade máxima de 30 km/h garantem mais segurança no trânsito. Para os turistas, um toque especial: várias ciclovias temáticas percorrem a cidade, seja para a praia, seja para pontos turísticos do famoso arquiteto catalão Antoni Gaudí.
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Basileia, Suíça
Em Basileia o terreno é plano e as distâncias, curtas. As ruas ficam particularmente cheias na época do Slow Up. Durante esse evento, que ocorre no verão em diferentes cidades do país, os organizadores bloqueiam cerca de 30 quilômetros em belos cenários para os ciclistas e proporcionam uma ampla gama de atividades ao longo do percurso.
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