Alemanha registra dezenas de marchas pacifistas na Páscoa
Timothy Jones
19 de abril de 2025
Tradição no país desde a década de 60, atos deste ano pediram que o futuro governo alemão repense gastos militares e favoreça a solução negociada de conflitos.
"Guerra nunca mais", lê-se neste desenho de 1924 da artista alemã Käthe Kollwitz, erguido em uma marcha de Páscoa em PotsdamFoto: Jens Kalaene/dpa/picture alliance
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Milhares de pessoas em toda a Alemanha participaram neste sábado (19/04) de cerca de 70 marchas de Páscoa em todo o país para pedir paz, uma tradição que remonta à década de 60.
Cerca de cem eventos do tipo estão planejados até a segunda-feira de Páscoa, de acordo com o grupo ativista Netwerk Friedenskooperative (Rede Cooperativa da Paz), sediado em Bonn, que coordena as marchas neste ano.
Entre as cidades que recebem as marchas pacifistas de Páscoa estão Colônia, Munique, Berlim, Leipzig, Bremen e Stuttgart.
Apelo ao novo governo alemão
Um porta-voz do grupo, Kristian Golla, disse que um dos focos das manifestações deste ano foi apelar ao futuro governo de coalizão alemão para que o país "se torne capaz de paz em vez de guerra".
"Em vez de contrair novas dívidas e gastar vários bilhões de euros em armas, são necessários acordos de desarmamento e diplomacia inteligente" para acabar com a guerra na Ucrânia e estabelecer uma arquitetura de segurança europeia conjunta que garanta a paz, disse.
Manifestantes pediram paz para os inúmeros conflitos em todo o mundoFoto: Thomas Banneyer/dpa/picture alliance
Manifestantes pediram paz para os inúmeros conflitos em todo o mundo
As marchas começaram na quinta-feira e continuarão até segunda-feira, o último dia do feriado de Páscoa na Alemanha. Golla disse que o comparecimento neste ano foi um pouco maior do que nos anos anteriores.
As manifestações também incluem uma marcha de três dias de duração que começou no sábado na cidade de Duisburg e continuará até segunda-feira pela região do Vale do Ruhr, passando por Essen, Gelsenkirchen, Herne e Bochum até Dortmund.
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Contra guerra em Gaza e mísseis dos EUA
Além de protestar contra a invasão da Ucrânia pela Rússia e os gastos armamentistas na Europa em resposta à guerra, os manifestantes também expressam sua oposição à guerra na Faixa de Gaza e ao planejamento de instalação de mísseis de médio alcance dos EUA na Alemanha.
Uma das marchas terá duração de três dias no Vale do Ruhr, de Duisburg até DortmundFoto: Thomas Banneyer/dpa/picture alliance
Em Bonn, o lema da manifestação foi "Sim à paz – não à prontidão de combate", em Kassel "Paz – desarmamento – proteção climática – venha para a marcha de Páscoa" e em Leipzig "Contra o rearmamento e os cortes nos serviços sociais".
Inspiradas por protestos contra uma instalação de pesquisa de armas nucleares no Reino Unido, as marchas antiguerra de Páscoa iniciaram-se na Alemanha em 1958, com uma manifestação em Hamburgo.
Os eventos alcançaram um pico de participação entre 1968 e 1983, quando levaram centenas de milhares às ruas da Alemanha Ocidental, a cada ano, para protestar especialmente contra a presença de armas nucleares na Europa.
bl (dpa, epd, kna, afp)
Desde a Segunda Guerra, CDU e SPD se alternam no poder por meio de coalizões – entre si, ou incluindo partidos menores como FDP e Verdes.
Foto: Fabrizio Bensch/REUTERS
CDU/CSU - FDP - DP (1949-1961)
Konrad Adenauer, da conservadora União Democrata Cristã (CDU), liderou o primeiro governo democrático da Alemanha Ocidental no pós-Guerra. Junto com o braço bávaro da CDU, a CSU, o Partido Liberal Democrático (FDP) e o Partido Alemão (DP, sigla hoje extinta) formaram a 1° coalizão. Em 1953, o Bloco dos Refugiados e Expatriados assumiu o lugar do DP e, em 1957, a CDU conquistou maioria absoluta
Foto: - /dpa/picture alliance
CDU/CSU - FDP (1961-1966)
Após quatro anos governando a Alemanha Ocidental sozinha, a CDU perdeu a maioria no Bundestag e foi forçada a retomar a coalizão com a FDP. Adenauer renunciou em 1963, aos 87 anos, após acumular desfaste no escândalo provocado pela tentativa de censura à revista "Der Spiegel" no ano anterior. Seu Ministro da Economia, Ludwig Erhard (à esquerda), foi eleito pelo parlamento para assumir o cargo.
Foto: Imago/Zumapress//Keystone
CDU/CSU - SPD (1966-1969)
Em 1966, Ludwig Erhart foi reeleito e continuou a governar ao lado da FDP, mas a coalizão ruiu no ano seguinte em meio a disputas orçamentárias. Erhart também renunciou e Kurt Kiesinger (à dir.), da CDU, foi escolhido para assumir o cargo. Ele montou um novo governo, agora com o Partido Social Democrata (SPD), de Willy Brandt (à esq.), formando a primeira "grande coalizão".
Foto: picture-alliance/dpa
SPD - FDP (1969 - 1982)
Em 1969, Willy Brandt (à esq.) tornou-se o primeiro chanceler federal do SPD. A CDU/CSU saiu vencedora na eleição parlamentar, mas Brandt fez um acordo com a FDP para garantir uma estreita maioria. Sua política de reapoximação com a Alemanha Oriental o deixou no poder até 1974, quando foi substituído por Helmut Schmidt (à dir.), também do SPD. Schimidt venceu mais duas eleições ao lado da FDP.
Foto: Sammy Minkoff/picture alliance
CDU/CSU - FDP (1982-1998)
A aliança entre o SPD e o FDP terminou quando as diferenças entre os partidos se tornaram irreconciliáveis. Os liberais novamente mudaram de lado, buscando um acordo com os conservadores. Eles formaram uma nova coalizão CDU/CSU-FDP sob a liderança de Helmut Kohl (foto), da CDU, que permaneceu como chanceler por 16 anos, sempre ao lado da FDP.
Foto: dpa/picture alliance
CDU - DSU - Despertar Democrático - SPD e mais (1990)
Após a queda do Muro de Berlim, a Alemanha Oriental foi palco de eleições livres pela 1° vez. Uma aliança formada pelo braço oriental da CDU e 2 pequenos partidos, a DSU e o Despertar Democrático, obteve mais de 46% dos votos. Eles formaram coalizão com o SPD oriental e outros 3 partidos. Em outubro de 1990, sob Lothar de Maizière, o governo assinou a reunificação com a Alemanha Ocidental.
Foto: Wolfgang Kumm/dpa/picture alliance
SPD - Verdes (1998-2005)
Em 1998, a CDU/CSU perdeu a eleição geral e o candidato do SPD, Gerhard Schröder (à esq.), se tornou chanceler de um governo de centro-esquerda composto com o Partido Verde. Joschka Fischer, dos Verdes, assumiu o Ministério das Relações Exteriores. O mesmo grupo permaneceu no poder até a eleição antecipada de 2005.
Foto: picture alliance / dpa
CDU/CSU - SPD (2005-2009)
As "grandes coalizões", que envolvem as duas maiores siglas, não são fáceis de serem negociadas. Quando as primeiras pesquisas de boca de urna foram divulgadas em 2005, tanto Schröder, do SPD, quanto Angela Merkel, da CDU, se declararam vencedores. Os conservadores acabaram vitoriosos por apenas 1%. Assim, as duas siglas concordaram em formar um governo conjunto sob o comando de Merkel.
Foto: Stefan Sauer/dpa/picture alliance
CDU/CSU - FDP (2009-2013)
O experimento da "grande coalizão" terminou em 2009, depois que o SPD obteve decepcionantes 23% nas eleições federais. Os liberais do FDP, por outro lado, obtiveram mais de 14% dos votos, suficiente para dar maioria ao novo governo. Merkel (CDU) e Guido Westerwelle (à esq.), do FDP, formaram uma coalizão com relativa facilidade, instituindo o 11º governo CDU/CSU-FDP da Alemanha.
Foto: AP
CDU/CSU - SPD (2013-2021)
Depois de obter mais de 40% dos votos, a CDU não esperava precisar do SPD para formar um governo. Mas seus antigos aliados, o FDP, não conseguiram atingir o limite mínimo para entrar no Bundestag. Merkel pediu à centro-esquerda que se juntasse a ela e "assumisse a responsabilidade de construir um governo estável". Ela fez o mesmo discurso quatro anos depois, em um novo governo com o SPD.
Foto: Maurizio Gambarini/dpa/picture alliance
SPD - Verdes - FDP (2021-2024)
Em 2021, Merkel deixou a vida política e os centro-democratas venceram por uma margem apertada. Olaf Scholz conseguiu formar uma coalizão com os Verdes e o FDP, um bloco conhecido como "semáforo". A autodeclarada "coalizão do progresso", porém, foi interrompida antecipadamente devido a brigas internas com os liberais, se tornando o governo menos popular da história da Alemanha.
Foto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance
CDU - SPD (2025-?)
Em 2025, a conservadora União Democrata Cristã e a União Social Cristã (CDU/CSU) assumiram o poder, liderados por Friedrich Merz e reeditando um governo ao lado do SPD. A ascenção da ultradireita e o baixo desempenho eleitoral dos sociais-democratas, porém, faz com que esta não seja uma "grande coalizão". O bloco promete "salvar a economia alemã do declínio".