País registrou em 2025 maior nº de delitos praticados por questões políticas em mais de 20 anos de monitoramento. Extremistas de direita são responsáveis por metade dos casos, mas crimes também têm crescido na esquerda.
Ministro alemão do Interior, Alexander Dobrindt, apresentou dados sobre crimes políticos cometidos em 2025Foto: Nadja Wohlleben/REUTERS
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Os crimes praticados por motivação política atingiram um novo recorde no ano passado na Alemanha, mostram os dados do Departamento Federal de Investigações alemão (BKA) divulgados nesta terça-feira (10/06). A polícia contabilizou, em todo o país, 85.837 casos deste tipo em 2025, um aumento de quase 2% em relação a 2024.
Esse foi o maior número registrado desde o início da série histórica, em 2001. Em média, são cometidos cerca de 235 crimes políticos por dia ou dez por hora. Em metade dos casos, os suspeitos são extremistas de direita.
Uma grande parcela destes delitos esteve relacionada a crimes de ódio, entre eles, agressões antissemitas, islamofóbicas ou anticiganistas. Há também ocorrências de dano ao patrimônio, propaganda proibida, insultos e incitação ao ódio.
Houve também um aumento dos crimes de motivação política violentos. Novamente, a maioria dos casos foi praticado por extremistas de direita. Dos 4.156 destes delitos violentos registrados em 2025, 1.598 tiveram motivação de direita, um aumento de 7,4% em relação ao ano anterior.
"Isso mostra claramente que a maior ameaça, naturalmente, vem do extremismo de direita", destacou o ministro alemão do Interior, Alexander Dobrindt, na divulgação dos dados.
Já os delitos violentos com motivação de esquerda cresceram quase 43%, chegando a 1.087. Os crimes violentos de motivação religiosa também registraram um aumento de 13%, com 98 casos.
O número de crimes violentos supostamente alimentados por ideologias estrangeiras caiu cerca de 28%, para 704 ocorrências. Também houve queda de quase 16% nos delitos políticos (669) que não puderam ser atribuídos a nenhum dos campos clássicos de classificação
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Aumento do antissemitismo
A polícia também analisou a evolução das ocorrências classificadas como crimes de ódio. Trata-se de delitos de motivação política em que há indícios de que preconceitos do autor – por exemplo, contra pessoas de determinadas nacionalidades ou religiões – tenham desempenhado um papel central. Em 2025, quase 19.500 casos foram classificados como "crimes de ódio movidos por xenofobia", número semelhante ao do ano anterior.
Nos crimes de ódio classificados como antissemitas, foi registrado um aumento de 5%, chegando a 6.548 ocorrências. Por isso, o ministro do Interior considera que a Alemanha e a política têm mais do que nunca o dever de reagir: "Quero deixar claro que não podemos afrouxar na proteção da vida judaica."
Um crescimento expressivo foi observado ainda nos crimes com motivação misógina: 819 casos foram comunicados pelas autoridades policiais ao BKA, quase 47% a mais do que no ano anterior.
Polarização social
As ocorrências de delitos praticados por motivação política na Alemanha praticamente dobraram em dez anos. O presidente do BKA, Holger Münch, explica o aumento dos números em quase todas as áreas pelo crescimento da polarização social. "Isso pode levar a uma radicalização que se manifesta por meio de atos violentos contra pessoas com outras opiniões ou contra o sistema político."
Münch também ressalta a influência da propaganda extremista, sobretudo nas redes sociais e em parte proveniente do exterior, como vetor para o atual crescimento.
"Conflitos internacionais também mobilizam emocionalmente a sociedade na Alemanha. Eles intensificam processos de radicalização e atos de violência em nome de objetivos ideológicos", destacou Münch. Quase metade dos crimes de ódio antissemitas registrados em 2025 esteve relacionada ao conflito na Faixa de Gaza.
O aumento dos crimes de motivação misógina estaria ligado, em parte, a uma mudança no modelo de masculinidade, afirma Münch. Esse fenômeno seria impulsionado por conteúdos disseminados em redes sociais. O BKA aponta ainda que a misoginia funcionaria como um "elemento de conexão e porta de entrada para o extremismo político".
Ataque à democracia
"Todos esses crimes são um ataque à compreensão que temos de nós mesmos enquanto democracia", destacou Münch. Um modelo de sociedade no qual todas as pessoas podem viver livres, seguras e com dignidade, acrescenta ele.
E, nessa escala, as temperaturas estão subindo em quase todos os pontos. Isso também se reflete no aumento de crimes misóginos e contra pessoas LGBTQIA+. "O clima social está se acirrando", resume Münch. "O fundamento da nossa democracia está sendo atacado."
Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: REUTERS
Elon Musk se torna o primeiro trilionário da história
O bilionário Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história com a entrada da sua empresa SpaceX no mercado de ações. Segundo a Oxfam, ele seria mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial juntos, ou 3,8 bilhões de pessoas. Foi a maior oferta pública inicial (IPO) já registrada, superando o recorde da petrolífera saudita Aramco. (12/06)
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Começa a Copa do Mundo de 2026
A Copa do Mundo da Fifa começou com uma partida entre México e África do Sul na Cidade do México. A seleção mexicana marcou o primeiro gol do campeonato, depois da cerimônia de abertura. Do lado de fora, houve confronto entre policiais e manifestantes, que pediam justiça para desaparecidos. O megaevento esportivo acontece, neste ano, em três países: México, Estados Unidos e Canadá. (11/06)
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UE alerta para "extremos climáticos como novo normal"
O mundo registrou o segundo maio mais quente da história, informou o serviço climático da União Europeia (UE), o Copernicus. A onda de calor precoce só não superou as temperaturas de 2024. Neste ano, recordes foram registrados em vários países da Europa Ocidental. Isso demonstra "como extremos climáticos estão rapidamente se tornando o novo normal, em vez da exceção", segundo o Copernicus. (10/06)
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Deputados da Hungria cortam próprio salário em 40%
Parlamentares na Hungria votaram por unanimidade a favor de um corte nos próprios salários e benefícios, numa iniciativa do novo primeiro-ministro, Péter Magyar, para reduzir custos administrativos. O recém-empossado chefe do governo húngaro acusava o seu antecessor, Viktor Orbán, de conceder salários inflados para apaziguar deputados da oposição. (09/06)
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Peru tem disputa acirrada em eleição presidencial
O candidato de esquerda nas eleições presidenciais no Peru, Roberto Sánchez, assumiu a liderança na contagem de votos do segundo turno das eleições peruanas, superando por uma pequena margem a candidata de direita Keiko Fujimori em uma disputa cujo resultado permanece incerto. Com cerca de 450 mil cédulas contestadas que ainda precisam ser revisadas, anúncio do vencedor deve levar dias. (08/06)
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Israel, Hezbollah e Irã trocam ataques, e conflito ameaça sair do controle de novo
O Irã disparou mísseis contra Israel em retaliação ao bombardeio, horas antes, de posições do Hezbollah no Líbano. Regime em Teerã tem condicionado um acordo definitivo de paz na região à inclusão de Beirute. Escalada irritou o presidente americano Donald Trump, que está sob pressão por causa dos impactos econômicos da guerra no Oriente Médio. (07/06)
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UE vai barrar carne brasileira a partir de 3 de setembro
A União Europeia confirmou a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne de boi e frango, peixe, frutos do mar e mel para o bloco. Argumento é que o país não forneceu garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Argentina, Paraguai e Uruguai, membros do Mercosul, seguem com exportações liberadas. (06/06)
Foto: Silvio Avila/AFP
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O Centro para Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos EUA exigiu a adoção de medidas rigorosas de saúde pública contra o atual surto de ebola. O órgão alerta que a epidemia caminha para atingir a magnitude da ocorrida na África Ocidental em 2014, que resultou em mais de 28 mil casos e mais de 11 mil mortes. Mais pacientes devem ser diagnosticados, isolados e tratados, afirma a agência. (05/06)
Foto: Xinhua/picture alliance
Fiéis lotam Marcha para Jesus em São Paulo
Uma multidão encheu a Marcha para Jesus, realizada em São Paulo no feriado de Corpus Christi. A programação incluiu shows e orações nos arredores da Estação da Luz. Participaram diversos políticos conservadores, bem como o advogado-geral da União, Jorge Messias. Em tom de campanha, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil vive uma "guerra espiritual". (04/06)
Foto: Miguel Schincariol/AFP
Greve geral contra reforma trabalhista paralisa Portugal
Pela segunda vez em seis meses, uma greve geral paralisou Portugal, em protesto à reforma trabalhista proposta pelo governo. Estimados 65% dos voos foram cancelados, inclusive ao Brasil. Foram ainda afetados outros transportes, hospitais, escolas e coleta de lixo. Para sindicatos, a reforma desregulamenta jornadas, amplia contratos precários, facilita demissões e ataca direitos. (03/06)
Foto: Armando Franca/AP Photo/picture alliance
Urso ataca quatro pessoas em Fukushima, no Japão
Quatro pessoas ficaram feridas após sofrerem ataques de um urso na cidade de Fukushima, no nordeste do Japão. Todos os feridos foram levados ao hospital e estavam conscientes. Entre as vítimas, apenas uma sofreu ferimentos mais graves. (02/06)
Sírio que esfaqueou 4 pessoas na Alemanha pega prisão perpétua
Um sírio de 36 anos foi condenado à prisão perpétua por quatro tentativas de homicídio na Alemanha com motivação terrorista. De acordo com decisão da Justiça alemã, o homem, identificado como Mahmoud M., foi considerado culpado de "tentativa de homicídio" em quatro casos, na qualidade de "membro de uma organização terrorista estrangeira" – no caso, o grupo Estado Islâmico (EI). (01/06)