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AfD assume pela 1ª vez comando de uma Assembleia Legislativa

6 de outubro de 2026

Eleito em votação secreta com apoio de partidos do chamado "cordão sanitário", deputado Tobias Rausch é o primeiro na ultradireita a presidir um parlamento estadual na Alemanha pós-guerra.

Tobias Rausch fala da tribuna do parlamento estadual da Saxônia-Anhalt
Tobias Rausch (de branco) ocupará o mais alto cargo protocolar da Saxônia-AnhaltFoto: Jan Woitas/dpa/picture alliance

Um deputado do partidoAlternativa para a Alemanha (AfD) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do estado alemão de Saxônia-Anhalt nesta terça-feira (06/10). É a primeira vez na história da Alemanha pós-guerra que alguém de uma sigla de ultradireita é alçado a um cargo do tipo.

Tobias Rausch, um empresário de 35 anos do setor imobiliário, foi eleito por maioria confortável de votos no parlamento recém-constituído em Magdeburg, um mês após a esmagadora vitória da AfD na eleição estadual. Ele é a autoridade eleita de mais alto escalão nos 13 anos de história do partido. 

A votação secreta gerou polêmica porque Rausch foi alçado ao cargo também com o apoio de parlamentares de partidos que oficialmente descartam qualquer cooperação com a AfD.

O diretório estadual do partido na Saxônia-Anhalt é classificado como comprovadamente extremista de direita pelo Departamento Estadual de Proteção da Constituição.

Como presidente do parlamento estadual, Rausch vai dirigir as sessões legislativas e representar a assembleia perante o público e outras instituições. Também decidirá sobre contratação, demissão e aposentadoria de funcionários da Casa, bem como sobre a nomeação e exoneração de membros do Tribunal de Contas estadual.

O presidente da Assembleia Legislativa ocupa o cargo de mais alta precedência protocolar do estado. Cabe a ele promulgar as leis aprovadas e, ao fazê-lo, verificar, como instância independente, se a legislação foi adotada em conformidade com a Constituição.

Caminho aberto para a AfD assumir o governo da Saxônia-Anhalt?

A escolha de Rausch tende a impulsionar Ulrich Siegmund, que espera se tornar o primeiro governador da AfD — na Alemanha, que segue o regime parlamentarista, os chefes do Poder Executivo, tanto a nível federal quanto nos estados, são eleitos pelos deputados.

Ulrich Siegmund, que quer virar governador, cumprimentou RauschFoto: Jan Woitas/dpa/picture alliance

Na eleição estadual de setembro, a AfD foi a sigla mais votada, com quase 44% dos votos. O resultado lhe rendeu 39 dos 83 assentos na Assembleia Legislativa da Saxônia-Anhalt — abaixo, portanto, da maioria necessária para governar sozinha no parlamento estadual, sem depender de alianças com outros partidos.

Isso transformou uma sigla nanica pró-Rússia, que conquistou cinco mandatos no estado, em fiel da balança. 

A Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW) é a única dentre os demais partidos eleitos a não rejeitar formalmente qualquer cooperação com a AfD. 

A postura, que ficou conhecida como "cordão sanitário", é adotada pela conservadora União Democrata Cristã (CDU), do chanceler federal Friedrich Merz, pelo Partido Social-Democrata (SPD), pelos Verdes e pelo partido A Esquerda, que somam 39 cadeiras. 

Juntos, AfD e BSW controlam 44 cadeiras no parlamento estadual, sendo necessárias 42 para uma maioria.

Rausch, contudo, recebeu muito mais que isso: 48 votos. Ou seja: ele teve o apoio de pelo menos quatro parlamentares de outros partidos — caracterizando, na prática, uma ruptura do "cordão sanitário". Outros 29 foram contra, e cinco se abstiveram.

O BSW havia prometido apoiar a eleição de Rausch para a presidência do parlamento. Apesar disso, ainda não está claro se a bancada ajudará Siegmund a se eleger governador. O político prometeu apresentar sua candidatura em dezembro.

Manifestantes protestaram na Saxônia-AnhaltFoto: Hendrik Schmidt/dpa/picture alliance

Rausch defende fim do "cordão sanitário"

Apesar das tensões entre os partidos, Rausch afirmou que exercerá a função de maneira apartidária. "Não ocuparei este cargo como presidente de um grupo parlamentar, mas como presidente de todo o parlamento estadual da Saxônia-Anhalt", disse após ser eleito presidente da Casa. 

O político afirmou ter constatado, enquanto esteve na oposição, como as regras e os procedimentos parlamentares podem ser controversos. "Mas não desejo usar isso como uma oportunidade para acertar contas com o passado", assegurou, acrescentando que "os dias dos cordões sanitários políticos deveriam ficar para trás".

A copresidente nacional da AfD Alice Weidel classificou a eleição como um "grande sucesso" em uma publicação na rede X, parabenizando Rausch pelo resultado.

Manifestantes se reuniram em frente ao parlamento antes da votação histórica desta terça-feira. Muitos acompanharam a sessão por meio de transmissões ao vivo em seus celulares e vaiaram quando o resultado da eleição foi anunciado. A polícia informou que o número de manifestantes chegou a cerca de 350 no pico do protesto.

ra/le (dpa, AFP)

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