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Mundo mais pobre

17 de setembro de 2009

Estudos apontam que, com exceção da América Latina, riqueza mundial decresceu em 2008 e que, até o final de 2009, crise custará mais de 10 trilhões de dólares à economia mundial.

Ricos estão mais pobres, revela estudoFoto: dpa - Bildfunk

A crise financeira terá custado mais de 10 trilhões de dólares (cerca de 7 trilhões de euros) à economia mundial até o final de 2009, segundo um estudo do Commerzbank divulgado pelo jornal alemão Die Welt.

Jörg Krämer, economista-chefe do Commerzbank, afirmou que "na crise financeira, nos acostumamos a altas somas, mas essa quantia é simplesmente incrível". Divididos entre os habitantes do planeta, os custos da crise financeira em 2009 serão de 1.500 dólares por pessoa, acrescentou.

Custos da crise financeira

Perdas com ações diminuíram número de milionáriosFoto: AP

Os peritos do Commerzbank se basearam em números divulgados pela agência de notícias Bloomberg. Segundo o banco alemão, por volta de 1,6 trilhão de dólares foram perdidos através de falências ou dívidas bancárias.

Segundo dados dos bancos centrais e estimativas do Commerzbank, a desvalorização de imóveis nos EUA e no Reino Unido – países especialmente afetados pela crise imobiliária – causou prejuízos de 4,65 trilhões de dólares. Além disso, o colapso provocado pela crise custou 4,2 trilhões de dólares à economia mundial nos últimos dois anos, informou o banco.

O Commerzbank também divulgou números referentes à Alemanha. Devido à crise, a economia do país perdeu 237 bilhões de dólares. Somente no setor bancário, os prejuízos são de 104 bilhões de dólares, disse o Commerzbank.

Acredita-se que, no futuro, os custos da crise financeira deverão ser ainda maiores. Afinal, os números divulgados pelo Commerzbank ainda não incluem os custos da desaceleração da economia mundial prevista para os próximos anos, nem futuras perdas por partes de instituições financeiras.

Menos milionários

Além dos prejuízos à economia global, a crise levou também a diminuição do patrimônio financeiro mundial. Segundo uma pesquisa da empresa de consultoria norte-americana Boston Consulting Group (BCG) divulgada nesta semana, o volume de capital aplicado diminuiu 11,7% no ano passado para 92,4 trilhões de dólares.

Paraísos fiscais estão entre os grandes perdedores da criseFoto: AP

O BCG informou ainda que, devido à crise financeira, pela primeira vez a Europa ultrapassou os Estados Unidos como a região de mais riqueza no mundo. Enquanto no ano passado a riqueza total na América do Norte, e especialmente dos Estados Unidos, caiu 22%, as perdas na Europa foram de 5,8%.

O estudo constatou que os investimentos de risco levaram também à redução de 18% no número mundial de milionários, atingindo principalmente os Estados Unidos e a Europa, com uma redução de quase 25%. Mesmo assim, os Estados Unidos continuam com o maior número de milionários no mundo: 3,9 milhões.

No ano passado, a maior parte das nove milhões de famílias com patrimônio superior a um milhão de dólares concentraram-se nos EUA, seguidos do Japão, China, Alemanha e Reino Unido.

Mais América Latina

Segundo o BCG, as razões para a redução do patrimônio financeiro mundial foram o colapso dos mercados de ações. Em 2009, os autores do estudo esperam um aumento das riquezas administradas. Somente em 2013, no entanto, elas deverão atingir o nível que tinham antes da crise.

Nesse cenário, a América Latina é exceção. Apesar da recessão global, confiou-se mais dinheiro aos administradores de bens da região. A soma das riquezas na América Latina aumentou de 2,4 trilhões para 2,5 trilhões de dólares em 2008.

CA/afp/ap/dpa/rtr

Revisão: Roselaine Wandscheer

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