Homossexualidade em primatas é influenciada pelo ambiente
15 de janeiro de 2026
Estudo identifica comportamentos homossexuais em 59 espécies, o que indica haver uma "raiz evolutiva profunda", segundo cientistas.
Comportamento homossexual é mais comum em espécies que vivem em ambientes hostis com escassez de alimentos, como os macacos-de-gibraltarFoto: Berit Kessler/Zoonar/picture alliance
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O comportamento homossexual em primatas tem raízes evolutivas profundas e é mais provável de ocorrer em espécies que vivem em ambientes hostis, são ameaçadas por predadores ou vivem em estruturas e hierarquias sociais mais complexas, revelou um estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.
"A diversidade de comportamentos sexuais é muito comum na natureza, entre espécies e em sociedades animais. É tão importante quanto cuidar da prole, lutar contra um predador ou buscar alimentos", explicou o cientista Vincent Savolainen, autor principal do estudo liderado por pesquisadores do Imperial College London, à agência de notícias AFP.
Comportamentos sexuais entre indivíduos do mesmo sexo já foram registrados em mais de 1.500 espécies animais. Estudos recentes mostraram que essa característica possui um componente hereditário e pode proporcionar uma vantagem evolutiva.
Nos macacos rhesus de Porto Rico, que Savolainen estuda há oito anos, os machos que mantêm relações sexuais entre si podem formar grupos, o que pode lhes permitir acesso a mais fêmeas e, consequentemente, ter mais descendentes.
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Mais comum em ambientes hostis
Savolainen e seus colegas vasculharam a literatura científica para reunir dados existentes sobre 491 espécies de primatas não humanos. Eles identificaram comportamentos homossexuais em 59 delas, incluindo lêmures, grandes símios e macacos da América, da África e da Ásia.
Dessas 59, 23 apresentaram casos muito repetitivos que chamaram a atenção dos cientistas. Uma disseminação tão ampla indica que esse comportamento tem uma "raiz evolutiva profunda", afirmam. Os pesquisadores investigaram então como o meio ambiente, a organização social e a "história de vida" influenciam o envolvimento de primatas em atos homossexuais.
Eles descobriram que o comportamento é mais comum em espécies que vivem em ambientes hostis com escassez de alimentos, como os macacos-de-gibraltar, e em espécies com maior probabilidade de serem caçadas por predadores – os macacos-vervet, por exemplo, precisam evitar todos os tipos de grandes felinos e cobras na África.
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O comportamento homossexual também é mais comum em espécies com diferenças de tamanho ou aparência entre machos e fêmeas (como o gorila-das-montanhas), ou naquelas com longa expectativa de vida (como os chimpanzés), e naquelas com sistemas sociais e hierarquias complexas (como os babuínos-da-guiné).
No caso do gorila-das-montanhas, os machos são mais altos e geralmente pesam o dobro das fêmeas; no caso dos chimpanzés, alguns vivem até 60 anos; e os babuínos-da-guiné, por exemplo, acasalam-se com fêmeas quando os machos estão reprodutivamente ativos, mas, quando jovens ou velhos, acasalam-se mais com outros machos.
as/bl (efe, ots)
Casais gays são frequentes no reino animal. Segundo estudos, ocorrem relações homossexuais entre indivíduos de cerca de 1.500 espécies – de girafas a cisnes e macacos.
Foto: picture-alliance/Mary Evans Picture Library
Mestres do flerte
Entre as girafas, há mais relações entre o mesmo sexo do que entre sexos opostos. Estudos apontam que relações sexuais homoafetivas correspondem a mais de 90% de toda a atividade sexual da espécie. E as girafas não vão direto ao ponto. Machos da espécie sabem flertar, esfregando o pescoço no corpo do outro. Essas preliminares podem durar até uma hora.
Foto: imago/Nature Picture Library
Bissexualidade em baixo d'água
Fêmeas e machos da espécie golfinho-nariz-de-garrafa exibem comportamentos homossexuais, incluindo interações orais em que um golfinho estimula o outro com o nariz. Interações homossexuais entre os golfinhos da espécie ocorrem com mais ou menos a mesma frequência que as heterossexuais. Os machos são geralmente bissexuais, mas passam por períodos exclusivamente homossexuais.
Foto: picture-alliance/Mary Evans Picture Library
Lealdade entre machos
A homossexualidade também é comum entre os leões. De dois a quatro machos costumam formar o que é conhecido como coalizão, trabalhando juntos para cortejar leoas. Para garantir lealdade, machos fortalecem seus laços fazendo sexo entre si. Muitos pesquisadores se referem a esse comportamento como um clássico "bromance".
Foto: ARTIS/R. van Weeren
Fêmeas difíceis
Entre bisões, interações homossexuais são mais comuns do que a copulação heterossexual. Isso ocorre, porque as fêmeas só acasalam com os machos uma vez por ano. Durante a temporada de acasalamento, os machos que sentem desejo interagem sexualmente com o mesmo sexo várias vezes ao dia. Mais da metade das relações sexuais entre bisões jovens acontece entre o mesmo sexo.
Foto: imago/Nature Picture Library
Só por uma noite
Entre macacos, tanto fêmeas quanto machos interagem sexualmente com o mesmo sexo. Enquanto machos costumam se envolver entre si só por uma noite, fêmeas estabelecem laços intensos entre si e geralmente são monogâmicas. Em algumas populações, o comportamento homossexual entre as fêmeas não é somente comum, mas é a regra. Quando não estão acasalando, elas ficam juntas para se defender de inimigos.
Foto: picture alliance/robertharding
Duas mães
O albatroz-de-laysan, comum no Havaí, é conhecido por seu grande número de parcerias homoafetivas. Cerca de 30% dos casais da espécie na ilha de Oahu são compostos por duas fêmeas. As aves são monogâmicas e geralmente ficam juntas por toda a vida, já que são necessários dois genitores para criar um filhote. Os filhotes normalmente são filhos de machos que já estão em outro relacionamento sério.
Foto: imago/Mint Images
Loucos por sexo
Também chamados de chimpanzés-pigmeus, os bonobos são considerados os parentes vivos mais próximos do homem e são conhecidos por buscar prazer sexual, inclusive com o mesmo sexo. Eles mantêm relações homossexuais por prazer ou para estabelecer laços afetivos e evitar conflitos. Cerca de dois terços dos relacionamentos homoafetivos ocorrem entre fêmeas, mas também são comuns entre machos.
Foto: picture-alliance/F. Lanting
Adoção por casais gays
Como muitos pássaros, cisnes também são monogâmicos e ficam somente com um parceiro por anos. Muitos escolhem parceiros do mesmo sexo. Cerca de 20% dos casais de cisnes são homossexuais e normalmente formam uma família juntos. Em alguns casos, eles adotam ovos abandonados. Em outros, um macho do casal gay acasala com uma fêmea e a repele após ela botar uma ninhada de ovos.
Morsas machos só atingem a maturidade sexual aos quatro anos de idade. Até lá, eles são quase exclusivamente homossexuais. Após atingir a maturidade, a maioria dos machos é bissexual e acasala com fêmeas apenas durante a temporada de reprodução. Mas não se trata apenas de prazer sexual entre os machos: eles também se abraçam e dormem juntinhos.
Foto: imago/Nature in Stock
Questão hormonal
Entre as ovelhas, estudos sugerem que até 8% dos machos preferem outros machos, mesmo quando fêmeas férteis estão por perto. No entanto, isso acontece apenas entre ovelhas domésticas. Foi descoberto nos estudos que as estruturas cerebrais das ovelhas homossexuais são diferentes daquelas das ovelhas heterossexuais e liberam menos hormônios sexuais.