Anthropic lança nova IA sob preocupações de segurança
10 de junho de 2026
Após afirmar que novo modelo era poderoso demais para o público geral, empresa lança Claude Fable 5 com restrições para evitar ameaças a infraestruturas críticas, como plataformas bancárias e redes elétricas.
Enquanto alguns temiam os riscos, outros questionavam se o burburinho em torno do novo modelo seria apenas marketingFoto: Jonathan Raa/NurPhoto/picture alliance
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A Anthropic, criadora dos modelos de inteligência artificial (IA) Claude, colocou à disposição do público em geral, nesta terça-feira (09/06), a versão mais poderosa de sua nova tecnologia, mas com restrições em áreas sensíveis.
Batizado de Fable 5, o modelo é o primeiro amplamente disponível do sistema Mythos – a linha mais avançada de tecnologia de IAda empresa, lançada em abril com uso restrito devido a preocupações com segurança cibernética.
As restrições ao Mythos estão relacionadas à capacidade do modelo de identificar rapidamente vulnerabilidades em infraestruturas críticas, incluindo plataformas bancárias e redes elétricas.
O Fable 5 causou sérias preocupações entre líderes de tecnologia, finanças e governos quando foi lançado em abril, em caráter privado, para testes e pré-visualização. Enquanto alguns temiam os possíveis riscos, outros questionavam se esse burburinho em torno do novo modelo seria apenas uma estratégia de marketing.
A Anthropic afirma que o Fable 5 "supera as capacidades de qualquer modelo que já disponibilizamos". O novo modelo, segundo a empresa, é excepcionalmente bom em escrever e depurar código de software, responder a perguntas complexas de pesquisa e analisar imagens.
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04:04
Paralelamente, a Anthropic está oferecendo uma versão irrestrita, o Claude Mythos 5, para empresas e organizações que já têm acesso a essa família de modelos, incluindo parceiros de segurança cibernética inscritos no Projeto Glasswing – uma iniciativa lançada pela Anthropic em abril de 2026 cujo objetivo principal é proteger softwares e infraestruturas críticas usando inteligência artificial avançada.
Esse grupo restrito foi expandido no início de junho para cerca de 200 organizações em mais de 15 países e deve crescer ainda mais.
Testado por empresas e pelo governo dos EUA
Quando o Projeto Glasswing foi lançado, alguns críticos acusaram a Anthropic de exagerar a ameaça para atrair atenção.
No entanto, empresas que testaram o Mythos endossaram suas capacidades. O governo dos EUA, que travava uma disputa legal com a Anthropic, também testou o modelo devido a preocupações com a segurança.
Desde então, a Casa Branca estabeleceu um acordo para testar os modelos mais poderosos das principais empresas de IA antes de seu lançamento. O Mythos 5 está sendo implementado em colaboração com o governo dos EUA.
A Anthropic afirma que a maioria das consultas sobre segurança cibernética ou biologia e química será redirecionada para o modelo de nível inferior, Opus 4.8, lançado no final de maio.
A empresa também disse ter identificado tentativas em larga escala de extrair sua tecnologia para treinar modelos de IA concorrentes em países autoritários, e esses tipos de consultas também serão redirecionados para o modelo menos poderoso.
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Procura por bugs e falhas de segurança
A Anthropic contratou especialistas externos que dedicaram mais de mil horas tentando encontrar maneiras de contornar as restrições do Mythos, um processo conhecido como red teaming.
A empresa também manteve um programa de recompensas por bugs, contratando pessoas para encontrar falhas de segurança. Segundo a Anthropic, ninguém conseguiu desbloquear completamente o modelo.
Projeto Glasswing foi criado para proteger softwares e infraestruturas críticas usando inteligência artificial avançadaFoto: Samuel Boivin/NurPhoto/picture alliance
A questão da segurança, que a Anthropic transformou em um de seus principais argumentos comerciais, levou a startup de São Francisco a um impasse sem precedentes com o governo do presidente Donald Trump devido à sua recusa em suspender as restrições à vigilância em massa e armas letais autônomas.
Na sequência dessa disputa, o Pentágono rescindiu seus contratos com a empresa, cujas ferramentas de IA eram as únicas com autorização de segurança de defesa.
Longe da lucratividade
O lançamento do Fable 5 tem um preço elevado: 10 dólares (R$ 51,7) por milhão de tokens de entrada e 50 dólares por milhão de tokens de saída, o dobro do custo do Opus 4.8.
Tokens são a unidade usada para precificar o uso do modelo de IA. Uma sessão intensiva de programação por um programador pode consumir um milhão de tokens em questão de horas ou menos.
Apesar do crescimento exponencial de receita, a Anthropic ainda está longe de ser lucrativa, uma aposta da empresa por poder computacional. Recentemente, ela começou a alugar um data center da xAI – parte da empresa espacial SpaceX do bilionário Elon Musk – por 1,25 bilhão de dólares por mês.
Esses lançamentos ocorrem em meio a uma intensa euforia em torno da IA no mercado financeiro. Tanto a Anthropic quanto sua rival OpenAI anunciaram na semana passada planos de IPO (oferta pública inicial de ações), enquanto a SpaceX deve quebrar recordes com sua estreia no mercado nesta sexta-feira.
rc (AFP, ots)
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Foto: REUTERS
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