Veículo de um dos assassinos de massa mais notórios do mundo poderá render até 7 milhões de dólares. Casa de leilões defende venda da "Super Mercedes": "Este carro não escolheu seu dono original, nem seu uso."
Automóvel foi encomendados sob especificações do líder nazista, e utilizado em desfiles e outras ocasiões especiaisFoto: picture-alliance/Worldwide Auctioneers/Cover Images
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Uma Mercedes-Benz 770K Grosser Offener Tourenwagende de 1939, originalmente propriedade do ditador nazista Adolf Hitler e usada em desfiles, será colocada em leilão nos Estados Unidos, em 17 de janeiro de 2018.
Em documentos totalizando 54 páginas, a casa de leilões responsável pela transação, a Worldwide Auctioneers, alega comprovar que a "Super Mercedes" foi encomendada, construída para e utilizada pelo líder nacional-socialista. A companhia sediada no Arizona divulga o objeto como o automóvel de maior significado histórico jamais submetido a venda pública.
Os leiloeiros não estipularam o valor potencial do carro, mas a emissora americana Fox News afirma que ele poderá arrecadar entre 5 milhões e 7 milhões de dólares, com base na avaliação de um especialista em carros clássicos, que permanece anônimo.
De um canal na Antuérpia para os EUA
Segundo a Worldwide Auctioneers, o carro é "um produto dos exigentes requisitos do Führer e do oficial da SS Erich Kempka, que serviu como seu principal chofer a partir de 1934". Depois de ser usado por Hitler em ocasiões, especiais, entre 1939 e 1941, ele teve sete outros proprietários.
O dossiê que o acompanha contém cartas descrevendo como, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, foi confiscado e usado pela polícia militar americana em Le Havre, na França. Mais tarde, foi retirado de um canal na cidade belga de Antuérpia. Comprada de um ferro-velho, a Mercedes foi reparada e transportada para os Estados Unidos, onde teve cinco outros proprietários.
Um dos cinco Offener Tourenwagen ainda existentes, o veículo tem sido exibido em diversos desfiles e museus por todo o mundo, assim como em algumas das principais coleções automobilísticas particulares.
Veículo de 1939 a ser posto em leilão é uma das cinco Mercedes-Benz 770K Grosser Offener Tourenwagen existentesFoto: picture-alliance/Worldwide Auctioneers/Cover Images
"Ela não escolheu seu dono"
Defendendo a venda de um item que pertenceu a um dos criminosos de massa mais notórios do mundo, a casa de leilões declarou que doará 10% do preço de venda para o esclarecimento sobre como e por que o Holocausto aconteceu, e como se pode evitar atrocidades semelhantes.
"Este automóvel não escolheu seu dono original, nem seu uso", alegou em comunicado Rod Egan, leiloeiro e diretor da Worldwide Auctioneers. "Se a sua proveniência puder ser posta de lado, exemplos da Mercedes-Benz 770 ‘Grosser' ou ‘Super-Mercedes' muito provavelmente permanecem sendo o maior feito do mundo em termos de design, engenharia e construção automotivos."
Outras "relíquias" do ditador nazista leiloadas recentemente incluem fotos inéditas dele, seu telefone vermelho e alguns dos quadros que pintou.
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A corte de Hitler
Como motorista, secretária ou médico, eles estiveram bem próximos do ditador e lidaram, mais tarde, de formas bem distintas com seu papel na época. Muitas vezes, afirmavam nada ter a ver com os crimes do regime nazista.
Foto: picture alliance/AP Images
A secretária de Goebbels
Brunhilde Pomsel esteve muito perto do centro do poder. Ela própria, no entanto, disse considerar insignificante o seu papel como secretária de Joseph Goebbels, afirmando ter tomado conhecimento do extermínio de judeus somente depois da guerra. Assim como Brunhilde, muitos estiveram a serviço de Hitler. Mais tarde, eles lidaram de formas bem distintas com a sua responsabilidade no regime nazista.
Foto: Salzgeber & Co. Medien GmbH
A secretária de Hitler
A sua história foi filmada duas vezes: as memórias de Traudl Junge sobre os últimos dias no bunker de Adolf Hitler foram tema de um documentário, servindo mais tarde de base para o longa-metragem "A queda" (2004). Quando tinha 22 anos, ela foi empregada como secretária pessoal do ditador nazista. Posteriormente, observou de forma crítica a sua participação no regime de Hitler.
Foto: picture-alliance/dpa
O guarda-costas
Rochus Misch também vivenciou os últimos dias no bunker: ele fazia parte do chamado "Führerbegleitkommando", divisão de segurança da SS com a missão de proteger a vida do ditador. Misch foi guarda-costas pessoal de Hitler. Mais tarde, como telefonista, foi um dos poucos a ver o cadáver do ditador. Em entrevista, ele declarou, posteriormente, ter sido soldado e não se interessar por política.
Foto: picture-alliance/dpa
O motorista
Erich Kempka cedo se entusiasmou pelo nacional-socialismo: já em 1930, ele se filiou ao Partido Nazista e à SS, servindo, a partir de 1932, como motorista de Hitler por toda a Alemanha. Após 13 anos de serviço, ele ajudou, em 30 de abril de 1945, a queimar os corpos do ditador e Eva Braun. Ele nunca se distanciou do nazismo. Após a sua morte, suas memórias foram reeditadas por neonazistas.
Foto: picture alliance/AP Images
O médico pessoal
Diariamente, ele administrava em seu "Paciente A" uma infinidade de pílulas e injeções: o Dr. Theodor Morell foi o médico pessoal de Adolf Hitler. O ditador, constantemente doente, lhe depositava total confiança. Após a prisão de Morell, os americanos quiseram saber no interrogatório por que ele não matou Hitler com uma injeção. Sua resposta: "Mas ele era meu paciente."
Foto: picture-alliance/United Archiv
O fotógrafo
Heinrich Hoffmann foi um nazista de primeira hora: ele se filiou ao Partido Nazista já em 1920, passando a fotografar, como "fotojornalista do Reich", líderes do regime e Adolf Hitler. Hoffmann é considerado "o criador do culto a Hitler". Depois da Segunda Guerra, ele foi condenado a quatro anos de prisão, vindo a morrer aos 72 anos de idade em 1957 – sem nenhum remorso ou visão crítica.
Foto: gemeinfrei
O arquiteto
Albert Speer (2° da esq. p/dir.) projetou obras monumentais para o ditador, como a Chancelaria em Berlim. Joachim Fest, principal biógrafo de Hitler, via uma relação homoerótica na admiração do líder nazista por Speer: "Ninguém tinha acesso a Hitler como ele". Sentenciado a 20 anos de prisão após a guerra, hoje se sabe que Speer omitiu diversos fatos sobre seu papel no regime em suas memórias.