Após susto, economia alemã dá sinais de recuperação
15 de fevereiro de 2013A economia alemã superou o susto do fim do ano passado. Para economistas e empresários, a mais profunda retração econômica desde o início da crise já é passado. "Há uma série de indícios de uma impressionante reversão da conjuntura", afirma, confiante, o economista Andreas Rees, do banco Unicredit. No mesmo tom se manifesta o especialista Simon Junker, do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW): "A indústria superou a depressão e começou bem o ano".
No último trimestre de 2012, a economia alemã registrou contração de 0,6% em relação aos três meses anteriores, mesmo percentual registrado na zona do euro, que, desde o início de 2012, encontra-se em recessão. Mas as nuvens mais escuras derivadas da crise da dívida e de uma conjuntura econômica mais fraca foram, por enquanto, dissipadas.
E, como nenhum outro país, a Alemanha, segundo maior exportador do mundo, lucra com o crescimento de outras regiões do planeta. A favor de um rápido crescimento alemão conta o fato de, após um 2012 fraco, as perspectivas terem clareado em importantes mercados emergentes.
"A previsão é de que a economia chinesa cresça 8,3% neste ano e até 9% em 2014. Para a Índia, o prognóstico é de uma expansão de entre 6% e 7,5%", apontou um estudo da consultoria Ernst & Young. Também na América do Sul os números indicam crescimento.
Investimentos retomados
Na opinião de Ulrich Kater, chefe de economia política do Dekabank, a reversão foi iniciada pelo Banco Central Europeu (BCE): "Em setembro, o BCE se posicionou fortemente em apoio à moeda única, e essa mensagem chegou até o fim do ano aos mercados e à economia. A confiança está presente novamente".
Isso é extremamente importante – não só para o mercado financeiro, como também para os empresários, que, diante da incerteza sobre as consequências da crise financeira, adiaram seus investimentos e, com isso, frearam a economia.
"Como o medo do pior cenário para a zona do euro claramente diminuiu, é bem provável que as empresas voltem a descobrir o prazer de investir", opina Rees.
Comparada a seus parceiros europeus, a Alemanha tem outra carta na manga. Enquanto o desemprego na Espanha, em Portugal e na Grécia toma proporções alarmantes, o mercado de trabalho alemão é extremamente estável. O ministro das Finanças alemão, Philipp Rösler, espera que o consumo interno possa ser chave para a economia em 2013. "A favor disso falam não só o mercado de trabalho robusto e a evolução dos salários e da renda. O emprego também aumentou, apesar de um quarto trimestre fraco", afirmou.
Ressalvas
Recentemente, consumidores e a indústria voltaram a olhar com mais otimismo para o futuro na Alemanha. Para 2013, a Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK) espera um crescimento de 0,7%. "O ano de 2013 tem força para ser bom para a economia", disse Martin Wansleben, gerente-geral da DIHK.
As empresas esperam que as exportações voltem a ganhar força. E, com isso, os investimentos congelados em 2012 seriam retomados.
Nem todos os observadores, no entanto, compartilham desse otimismo. Mesmo que o BCE tenha acalmado os mercados e as maiores preocupações com as consequências da crise da dívida tenham desaparecido, a autoridade monetária europeia apenas ganhou tempo para que os países em crise possam fazer o dever de casa.
Analistas do banco Bankhaus Metzler alertam: "Uma dívida pública extrema e a impotência política prejudicam o desenvolvimento econômico nas nações industrializadas – tendências à recessão não estão descartadas".
Segundo os especialistas, as medidas de austeridade ainda pesam sobre a evolução da economia: "Diante do crescente índice de desemprego nos países em crise, não é preciso ser profeta para prever que crescerá a pressão das ruas contra as reformas em curso e por um programa de austeridade mais brando".
Autor: Harald Schmidt (rpr)
Revisão: Alexandre Schossler