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Apoiadores de Bolsonaro questionam prisão e criticam Moraes

Publicado 22 de novembro de 2025Última atualização 22 de novembro de 2025

Bolsonaristas rejeitam a decisão de prender o ex-presidente para "garantia da ordem pública" e apontam que sua saúde é frágil. Petistas dizem que país vive "momento histórico".

Apoiadores com bandeiras do Brasil se reúnem em frente à Superintendência da PF, em Brasília
Apoiadores se reúnem em frente à Superintendência da PF, em Brasília, onde Bolsonaro está detidoFoto: Evaristo Sa/AFP/Getty Images

Apoiadores de Jair Bolsonaro foram às redes sociais para criticar a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de prender o ex-presidente preventivamente neste sábado (22/11) e conduzi-lo à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Bolsonaristas acreditam que o estado de saúde do ex-presidente é frágil, e que os motivos apresentados pela Corte não justificam a detenção em regime fechado. Petistas, por outro lado, chamaram a prisão de "momento histórico".

O magistrado entendeu que havia risco de fuga e ameaça à ordem pública após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter convocado uma vigília de orações em frente ao condomínio onde mora o ex-presidente, o que poderia dificultar uma eventual prisão nos próximos dias.

"Preso por uma oração"

"Jair Bolsonaro preso por causa de uma oração. Uma das maiores aberrações já vistas no Brasil, um ataque direto à liberdade", disse o senador Marcos do Val (Podemos-ES) no X.

Líder do PL, partido de Bolsonaro, na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) afirmou que a prisão de Bolsonaro é "a maior perseguição política da história do Brasil".

A mulher do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, que estava no Ceará no momento em que a prisão foi executada por agentes da PF, divulgou um texto em que disse confiar na justiça de Deus. "Sei que o Senhor dará o Escape, assim como fez em 2018, quando meu marido foi vítima de uma facada, planejada para matá-lo, por um ex-militante político. A sua saúde traz sequelas até hoje por causa desse episódio", escreveu.

Para o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, que é filho do ex-presidente, a decisão não se trata de mera "medida cautelar ou prisão preventiva". Ele acusa Moraes de "tentativa de assassinato" ao enviar seu pai ao regime fechado devido à "saúde debilitada" de Bolsonaro. "Nada disso irá nos fazer recuar ou desistir."

Em uma live transmitida nas redes sociais, Flávio Bolsonaro também alegou que se Bolsonaro sofrer problemas de saúde na cadeia, a culpa será de Moraes. "A decisão é tão frágil, mais uma vez baseada em hipóteses, baseada em achismos", disse. Nas redes sociais, pediu a apoiadores não se concentrarem em frente à Superintendência da Polícia Federal, mas irem à vigília originalmente convocada por ele próxima ao condomínio do ex-presidente. 

O presidente dos EUA, Donald Trump, também foi questionado por jornalistas sobre a prisão. Ele disse que não tinha conhecimento do ocorrido e que era "uma pena" saber que Bolsonaro foi preso. 

Prisão humanitária descartada

O senador Sergio Moro (União-PR) também citou as sequelas decorrentes da facada sofrida por Bolsonaro. "O histórico de cirurgias e crises é conhecido por todos. Não há motivos para tirá-lo da prisão domiciliar. A outros, como o ex-presidente [Fernando] Collor, com problemas de saúde bem menores, foi garantido esse tratamento", defendeu. 

Este era o argumento da defesa de Bolsonaro, que pediu ao STF para conceder ao ex-presidente a prisão domiciliar por motivos "humanitários", ou seja, por questões de saúde, nos mesmos moldes aplicados a Collor. Contudo, Moraes considerou o pedido prejudicado devido à condução preventiva à sede da PF.

Governadores de direita repetiram o argumento de que o cumprimento da pena fora de casa será prejudicial à saúde do ex-presidente.

"Tirar um homem de 70 anos da sua casa, desconsiderando seu grave estado de saúde e ignorando todos os apelos provenientes das mais diversas fontes, todos os laudos médicos e evidências, além de irresponsável, atenta contra o princípio da dignidade humana. Bolsonaro é inocente e o tempo mostrará", publicou Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), acusou a decisão de ser "arbitrária e vergonhosa". "Silenciar opositor não é Justiça, é abuso de poder", disse.

"País vive momento histórico"

Já parlamentares governistas comemoraram a decisão. O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (CE), enfatizou que a decisão foi tomada com base na garantia da ordem pública. "O país vive um momento histórico. Quem atacou a democracia vai pagar por isso!", escreveu no X.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara, afirmou que a vigília convocada por Flávio Bolsonaro "transformou o processo criminal em ato político". "A mobilização buscava criar clima de intimidação ao STF e à PF, reforçando o risco de desestabilização institucional e de interferência no andamento do processo, com a realização de aglomerações para impedir a prisão definitiva, inclusive com armas de fogo, além de indicar possível intenção de fuga", escreveu.

Ministros do governo Lula assumiram tom mais sóbrio e evitaram comemorar ativamente a prisão do ex-presidente. No lugar, defenderam a atuação de Moraes.

"A decisão do ministro Alexandre de Moraes está fundamentada nos riscos reais de fuga do chefe da organização golpista, na iminência do trânsito em julgado de sua condenação para cumprimento de pena. Também leva em conta, acertadamente, os antecedentes de um processo marcado por violentas tentativas de coação da Justiça, como o tarifaço e as sanções da Magnitsky", afirmou a chefe da Secretaria de Relações Institucionais, 
Gleisi Hoffmann.

Guilherme Boulos, ministro da Secretaria Geral, defendeu que "ninguém está acima da democracia". "Que a prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado represente um grande marco para nossa história", publicou. 

gq (OTS)