Príncipe herdeiro anuncia estratégia ambiciosa: meio trilhão de dólares para erguer do zero um polo econômico e de inovações tecnológicas à beira do Mar Vermelho.
O projeto Neom ocupará uma área de 26,5 mil quilômetros quadrados próximo ao Mar Vermelho e ao Golfo de AqabaFoto: NEOM
Anúncio
O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman revelou nesta terça-feira (24/10) os planos para a construção de uma megacidade futurística inteiramente movida a energias renováveis na Arábia Saudita.
O projeto Neom, de 500 bilhões de dólares, visa a criação de uma zona econômica independente que deverá se tornar um centro de inovações tecnológicas. A iniciativa será financiada pelo Fundo de Investimentos Públicos do país (PIF, na sigla em inglês), supervisionado pelo próprio príncipe, pelo governo e investidores privados.
"Não será um lugar para pessoas convencionais ou empresas convencionais", disse Salman em reunião com investidores em Riad, que contou com a presença de megaempresários como o americano Stephen Schwartzman, da empresa de capitais privados Blackstone, e o japonês Masayoshi Son, da firma de tecnologia SoftBank. "Será um lugar para sonhadores de todo o mundo."
Neom, segundo Salman, será centrado em nove setores de pesquisa cujo objetivo será o "futuro da civilização humana", incluindo o futuro da energia e da água, do transporte, as biotecnologias, a alimentação, as ciências técnicas e digitais, a industrialização avançada, a informação e produção mediática, "o entretenimento e a vida".
Um exemplo dessa visão seria um local onde drones, carros autônomos e a tecnologia robótica possam trabalhar em conjunto para garantir que não haja problemas de trânsito.
O príncipe disse que o projeto pretende "estimular o crescimento e a diversificação econômica, habilitar os processos de produção e promover a indústria local em nível global".
O príncipe Salman afirma que o Neom será centrado em nove setores de pesquisa cujo objetivo é o futuro da civilizaçãoFoto: /Getty Images/AFP/F. Nureldine
Neom ocupará uma área de 26,5 mil quilômetros quadrados próximo ao Mar Vermelho e ao Golfo de Aqaba. A partir dali será construída a ponte Rei Salomão, que deverá ligar a Arábia Saudita à Península do Sinai, no Egito.
O projeto integra a estratégia Vision 2030, para criar novas fontes de renda para o país, diminuindo a dependência das exportações de petróleo. A Arábia Saudita vem promovendo uma série de reformas, como a decisão no mês passado de remover a proibição às mulheres de dirigir automóveis. "Não éramos assim no passado", disse o príncipe, que ainda defendeu "um retorno" do país a um regime islâmico moderado.
Com a estratégia Vision 2030, o governo almeja reduzir para 20% a força de trabalho no setor público – hoje em dia, a maioria dos sauditas trabalha para o governo – ao mesmo tempo assegurando que haja empregos suficientes no setor privado para suprir a demanda.
O reino planeja fazer com que o PIF se torne o maior fundo de investimentos públicos do mundo, ao colocar menos de 5% da petrolífera estatal Aramco no mercado saudita de ações. O domínio da Aramco será transferido para o PIF, que deverá acumular cerca de 2 trilhões de dólares, dobrando o valor acumulado pelo fundo de riqueza da Noruega, atualmente o maior do mundo.
Na próxima década, 5 milhões de jovens sauditas deverão entrar no mercado de trabalho, criando a necessidade urgente de gerar empregos no país. Projetos como o Neom deverão contribuir para a assimilação dessa força de trabalho.
RC/lusa/ap/dpa
----------------
A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos noFacebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App
Em 2018, país passou a permitir que mulheres obtenham carteira de motorista e dirijam sem serem acompanhadas por um tutor do sexo masculino. Conheça outras conquistas femininas na nação islâmica nas últimas décadas.
Foto: Getty Images/F.Nureldine
Escola em 1955; universidade só em 1970
As meninas nem sempre puderam frequentar escolas na Arábia Saudita. Só a partir de 1955 foi permitida a matrícula de garotas na primeira escola para meninas, Dar Al Hanan. Já a Riyadh College of Education, primeira instituição de ensino superior para mulheres, foi aberta em 1970.
Foto: Getty Images/AFP/F. Nureldine
2001: Carteira de identidade
Em 2001 foi permitido às mulheres sauditas terem carteira de identidade, para poderem provar quem são, por exemplo, em questões de herança ou de propriedade. Mas a identificação só podia ser feita com a permissão do guardião dela e era entregue a ele, em vez de diretamente à mulher. Só em 2006 as sauditas passaram a receber carteiras de identidade sem precisar da permissão do responsável por elas.
Foto: Getty Images/J. Pix
2005: Fim do casamento forçado – só no papel
Embora a Arábia Saudita tenha acabado com os casamentos forçados em 2005, eles continuam sendo negociados pelo noivo com o pai da noiva, e não com ela.
Foto: Getty Images/A.Hilabi
2009: Mulher em ministério
Em 2009, o rei Abdullah nomeou Noura al Fayez vice-ministra da Educação. A primeira mulher em um ministério saudita é encarregada de assuntos para mulheres.
Foto: Foreign and Commonwealth Office
2012: primeiras atletas olímpicas
A Arábia Saudita permitiu em 2012 que atletas do sexo feminino competissem pela equipe nacional nos Jogos Olímpicos. Uma delas foi Sarah Attar, que correu a prova de 800 metros em Londres usando uma touca. Antes dos Jogos, houve especulações de que a equipe saudita poderia ser banida por discriminação de gênero se não permitisse que as mulheres participassem.
Foto: picture alliance/dpa/J.-G.Mabanglo
2013: Mulher pode andar de sobre duas rodas
Em 2013 foi permitido às mulheres na Arábia Saudita andar de bicicleta e moto – mas apenas em áreas de lazer e desde que completamente cobertas por roupas islâmicas e acompanhadas por um parente do sexo masculino.
Foto: Getty Images/AFP
2013: Mulheres no Conselho Consultivo
Em fevereiro de 2013, o rei Abdullah indicou 30 mulheres para o Conselho Consultivo, ou Shura. A nomeação de mulheres para o conselho, que costuma ser composto apenas por homens, marcou um momento histórico. O órgão aconselha o rei em questões de política e legislação. Pouco tempo depois, mulheres receberam a permissão de se candidatar ao cargo.
Foto: REUTERS/Saudi TV/Handout
2015: Mulheres em eleições municipais
Nas eleições municipais de 2015 na Arábia Saudita, as mulheres puderam se candidatar e votar pela primeira vez. Apenas para comparar: a Nova Zelândia foi o primeiro país a permitir o voto feminino já em 1893. A Alemanha fez isso em 1919. Na votação saudita de 2015, 20 mulheres foram eleitas para cargos em nível municipal.
Foto: picture-alliance/AP Photo/A. Batrawy
2017: Mulher na Bolsa de Valores
Em fevereiro de 2017, a Bolsa de Valores saudita nomeou a primeira presidente mulher em sua história: Sarah Al Suhaimi.
Foto: pictur- alliance/abaca/Balkis Press
2018: Mulheres na direção (de carros)
Em 26 de setembro de 2017, a Arábia Saudita anunciou que a partir de junho de 2018 as mulheres não precisariam mais da permissão de seu tutor do sexo masculino para obter uma carteira de motorista e não seria mais necessário que seu guardião as acompanhasse no veículo.