Arqueólogos desvendam segredo de sarcófago milenar em Mainz
15 de novembro de 2019
Estudo em fragmentos de tecido confirmam que restos mortais são de arcebispo Erkanbald, que morreu em 1021. Descoberta revela ainda que Igreja de São João foi a primeira catedral da cidade.
Sarcófago foi descoberto em escavação de igrejaFoto: picture-alliance/dpa/A. Arnold
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Cinco meses após a abertura de um sarcófago de mil anos encontrado na Igreja de São João, em Mainz, no oeste da Alemanha, arqueólogos revelaram nesta quinta-feira (14/11) a identidade da pessoa que foi enterrada no local. Trata-se do antigo arcebispo da cidade Erkanbald.
Segundo o arqueólogo que coordenou as pesquisas, Guido Faccani, fragmentos têxteis foram as pistas decisivas para a identificação dos restos mortais. Os restos de lã encontrados no sarcófago seriam parte de um pálio, que eram dados por papas romanos a seus arcebispos.
No sarcófago, foram encontrados ainda sapatos nobres de couro fino de cabra, semelhantes aos utilizados por outros bispos da época.
O túmulo foi descoberto no ano passado durante uma escavação na Igreja de São João, que é a mais antiga de Mainz, e aberto em junho. Na época, os pesquisadores não foram capazes de identificar a pessoa enterrada no local. Como o corpo foi tratado com cal antes do enterro, pouco restou no sarcófago. Havia apenas alguns vestígios do esqueleto. O crânio estava completamente dissolvido.
Determinada por datação por carbono, a data de morte, que foi limitada entre 950 e 1050, foi uma indício que contribuiu para a identificação de Erkanbald, que morreu em 1021. Segundo fontes escritas, Erkanbald teria sido enterrado em sua igreja.
Fragmentos de tecidos foram fundamentais para descobertaFoto: picture-alliance/dpa/A. Arnold
Pouco se sabe sobre Erkanbald. Sua data de nascimento não é clara. Ele viria de uma família de condes da região de Braunschweig. Em 997, teria se tornado abade em Fulda, um centro de poder na época. Poucos anos depois, participou da coroação de Henrique 2º em Mainz. Em 1011, se tornou arcebispo da cidade.
Segundo a antropóloga Carola Berszin, as pesquisas mostram que Erkanbald tinha entre 40 e 60 anos quando morreu, sofria de doenças que atingiam os mais abastados, como gota, e tinha 1,83 metros de altura e pesava cerca de 70 quilos. A análise do DNA que fornecerá mais informações sobre a região de nascimento dele ainda não foi concluída.
As descobertas revelam ainda que a igreja de São João foi a primeira catedral da cidade, que foi fundada pelos romanos no século 1º, além de ser uma das igrejas mais antigas da Alemanha.
Em 1992, os restos mortais de duas crianças foram descobertos sob uma catedral de Frankfurt. Agora, arqueólogos dizem que elas podem ter tido ligações familiares até com Carlos Magno.
Foto: Archäologisches Museum Frankfurt
Novas descobertas
Localizada em Frankfurt, a catedral de São Bartolomeu ganhou mais uma marca para seus 1.300 anos de história. Uma equipe de arqueólogos revelou que uma tumba misteriosa, foco de mais de 20 anos de pesquisa, continha não apenas uma, mas duas crianças. Acredita-se que elas tenham raízes nobres. Os pesquisadores também revisaram o ano da morte de 850 para antes de 730.
Foto: Archäologisches Museum Frankfurt
Anéis de ouro
Em 1992, uma escavação feita embaixo da catedral levou à descoberta dos restos mortais de uma menina. Ela estava coberta com joias de ouro, com estes anéis nos dedos. A decoração do túmulo tem origens na Dinastia Merovíngia, um grupo de tribos da Francônia que conquistou partes do norte da França e preparou o caminho para o Cristianismo no que são hoje os estados alemães de Hessen e Turíngia.
Foto: Archäologisches Museum Frankfurt
Eixo central
Os arqueólogos acreditavam que a garota havia sido sepultada por volta do ano 850 porque o túmulo se encontrava paralelo ao eixo central da catedral (em vermelho). Porém, uma análise aprofundada levou à descoberta de que não só a data do sepultamento era anterior ao que se pensava, mas de que a menina não estava sozinha na tumba.
Foto: Archäologisches Museum Frankfurt
Raízes escandinavas?
A sepultura também continha cinzas. Primeiramente, os arqueólogos não perceberam que os restos mortais eram de outra criança, que teria cerca de quatro anos de idade. A presença de garras de urso, bem como de ossadas de outros animais, remete a uma tradição pagã trazida possivelmente no século 11 por colonizadores escandinavos.
Foto: Archäologisches Museum Frankfurt
Detalhes de vidro e ouro
Sinais da influência escandinava também aparecem no colar encontrado no túmulo da garota, cujo medalhão central tem origem no norte europeu. Os pesquisadores ainda não identificaram a ligação entra as duas crianças, mas, devido ao destaque que o túmulo possui na base da igreja, acreditam que ambas foram reverenciadas pelos locais por séculos após a morte.
Foto: Archäologisches Museum Frankfurt
Transição religiosa
Uma cruz decorada a ouro que adorna o manto das crianças indica que houve ali um funeral cristão. Com a presença de antigos rituais pagãs alemães, o túmulo ilustra uma época em que a região do Baixo Reno passava por uma transição religiosa.
Foto: Archäologisches Museum Frankfurt
Conexão com Carlos Magno?
Segundo os pesquisadores, se a menina pertencia à nobreza, ela teria ligações com a poderosa família Hedenen, de onde veio a quarta esposa de Carlos Magno (742-814), Fastrada. Na mesma catedral, em 794, foi realizado o Conselho de Frankfurt, o mais importante reunindo bispos do Ocidente, organizado por Carlos Magno. Nele, foram definidas as bases teóricas para o Sacro Império Romano-Germânico.