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Ameaças de vingança do Irã: risco real ou mera propaganda?

17 de julho de 2026

Conclamações à vingança pela morte de Ali Khamenei se multiplicam na imprensa e em discursos no Irã. Analistas dizem que risco não pode ser descartado, mas que retórica serve principalmente para efeitos de mobilização.

Dezenas de pessoas carregam um caixão com a bandeira do Irã, em homenagem ao ex-líder supremo do país, Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo dos Estados Unidos em fevereiro.
Especialistas acreditam que funeral de Ali Kahmenei serviu como instrumento de propaganda do governo iranianoFoto: Thaier Al-Sudani/REUTERS

Desde o funeral do aiatolá Ali Khamenei, entre 3 e 9 de julho, a retórica dos principais líderes do Irã se tornou significativamente mais agressiva. Políticos, a mídia estatal e o novo líder supremo exigem publicamente retaliação pelo assassinato de Khamenei, ocorrido após um ataque aéreo dos Estados Unidos em 28 de fevereiro, primeiro dia da guerra entre os dois países, em sua cidade natal, Mashhad, no nordeste do Irã.

Na última segunda-feira (13/07), na primeira sessão presencial do parlamento iraniano desde o início do conflito, deputados agitaram bandeiras vermelhas com apelos à retaliação, conforme observado em imagens da mídia iraniana. Mais de 180 de um total de 290 deputados se somaram aos apelos por vingança.

"Lista de procurados" com Merz

Não apenas no parlamento, mas também na mídia estatal, exigências de retaliação estão sendo veiculadas de forma agressiva. No último fim de semana, o jornal diário conservador Hamshahri, órgão de imprensa da prefeitura de Teerã, publicou uma chamada "lista de procurados" sob o título "A vingança é inevitável".

Nela constavam 13 políticos e militares ocidentais, entre os quais ministros das Relações Exteriores e da Defesa, o chefe do Comando Central dos EUA e o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. No topo da lista, estão o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos EUA, Donald Trump. Figuram também líderes europeus como o presidente da França, Emmanuel Macron, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e o ex-primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

"Essas ameaças não devem ser descartadas simplesmente como retórica política. Ao mesmo tempo, no entanto, é preciso distinguir entre a capacidade, a intenção e a possibilidade real de concretizar tais ameaças", alerta o jurista e pesquisador de direitos humanos Moein Khazaeli em entrevista à DW.

Homenagens ao líder supremo Ali Khamenei, morto em fevereiro, ocorreram durante seis dias no início de julhoFoto: Qassem Al-Kaabi/AFP

Segundo a avaliação de Khazaeli, a retórica do governo iraniano tem vários objetivos. Uma parte significativa das ameaças pode ser entendida como guerra psicológica e política de dissuasão ostensiva. O regime tenta seguir apresentando suas estruturas militares e de segurança – enfraquecidas nos últimos meses – como fortes e capazes de agir. Ao mesmo tempo, sinaliza que, caso a pressão continue, poderia recorrer a meios terroristas.

O jornal Hamshahri é politicamente próximo da ala conservadora e de setores da classe política dominante que criticam duramente as negociações com os EUA e mantêm laços estreitos com a Guarda Revolucionária. E, efetivamente, o poder na República Islâmica do Irã está justamente nas mãos da liderança estatal e da Guarda Revolucionária, a organização militar mais poderosa do país.

Distanciamento do fracasso militar

Segundo avaliação do ativista político iraniano Reza Alijani, as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei também serviram aos propósitos supracitados. Em entrevista à DW, Alijani afirma que as lideranças tentaram instrumentalizar politicamente o funeral.

O verdadeiro objetivo dos eventos de massa, portanto, teria sido demonstrar apoio aos líderes, desviar a atenção dos fracassos militares e legitimar a continuação do conflito sob a bandeira da vingança.

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, também promete retaliação: "Juramos vingar o teu sangue purificado e o de todos os mártires dessas duas guerras contra os assassinos criminosos e desonrosos", dizia uma declaração publicada um dia após o término das cerimônias fúnebres que duraram uma semana em homenagem a Ali Khamenei.

Lista com "procurados" pelo Irã conta com diversos líderes internacionais considerados inimigosFoto: Agenzia Fotogramma/IPA/ZUMA/picture alliance

"Um dos principais públicos-alvo dessas ameaças são os próprios partidários no país. Há muito tempo, faz parte do padrão da República Islâmica do Irã reagir com ameaças mais severas após derrotas militares ou reveses na política de segurança. O objetivo é transmitir a impressão de que o regime continua determinado e também capaz de exercer retaliação. Para uma parte dos partidários, essa narrativa é bastante plausível e é ainda mais reforçada pela propaganda estatal", afirma Khazaeli.

Ao mesmo tempo, as mensagens também se dirigem a um público internacional. Segundo Khazaeli, entre os destinatários dessas ameaças estão não apenas governos ocidentais, mas também oponentes do país no exterior, incluindo jornalistas iranianos, ativistas políticos, defensores dos direitos humanos e civis iranianos no exílio que criticam o regime.

Morte "celebrada"

A forma como essa retórica também molda o discurso público fica evidente na maneira como foi tratada a morte do senador republicano dos EUA, Lindsey Graham, no último dia 11 de julho. Na televisão estatal iraniana, bem como em vários canais do Telegram próximos ao governo, sua morte foi comentada com satisfação e, em alguns casos, até mesmo com felicitações.

Graham estava entre os políticos americanos que, nos últimos anos, apoiaram a política de "pressão máxima" contra a República Islâmica do Irã. Por anos, ele exigiu ataques militares contra o país.

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