Ataques ucranianos provocam crise de combustíveis na Rússia
Oleg Loginov
16 de junho de 2026
Produção de combustíveis na Rússia está em queda em meio a uma série de ataques de drones ucranianos a refinarias. Picos sazonais na demanda por gasolina e diesel podem desencadear uma grave crise, alertam especialistas.
Ataques de drones ucranianos a refinarias de petróleo interromperam o abastecimento em diversas regiões da RússiaFoto: Andrey Arxipov, Kommersant Publishing House/AP/picture alliance
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A escassez de combustíveis vem se agravando na Rússia. Os ataques de drones ucranianosa refinarias de petróleo interromperam o abastecimento em diversas regiões.
Este pode ser apenas o começo. A pressão sobre o mercado de combustíveis se intensificará ainda mais nos próximos meses. Se a intensidade dos ataques de drones não diminuir e as refinarias danificadas não puderem retomar suas operações a níveis normais, há o risco de que as interrupções locais se transformem em uma crise generalizada.
De acordo com fontes públicas analisadas pela DW, interrupções no fornecimento de combustíveis ocorreram em mais de dez regiões russas nas últimas semanas. Em alguns casos, postos de gasolina impuseram restrições ou pararam completamente as vendas.
"Bloqueio logístico"
A situação na Península da Crimeia – território ucraniano anexado pela Rússia em 2014 – é particularmente tensa. A escassez de combustíveis foi causada por ataques de drones que paralisaram o tráfego na chamada rodovia Novorossiya, que liga a península à região russa de Rostov e é uma rota vital para o abastecimento de combustível.
Este "bloqueio logístico", como o vice-primeiro-ministro ucraniano, Mykhailo Fedorov, se referiu aos ataques às rotas de transporte entre a Crimeia e a Rússia, forçou as autoridades russas a adotarem medidas rigorosas.
Península da Crimeia é a região sob controle russo mais afetada pela falta de combustíveisFoto: Alexey Pavlishak/REUTERS
A gasolina premium agora só está disponível com cupons de racionamento. Segundo a imprensa local, as principais redes de postos de gasolina pararam de vendê-la a pessoas físicas há várias semanas. A gasolina comum só está disponível em quantidades de até 20 litros.
Há alguns dias, 15 postos de gasolina na região de Krasnodar, na Rússia continental, pararam de vender combustível. À primeira vista, esse número parece pequeno em comparação com os aproximadamente mil postos que as autoridades locais afirmam existir na região.
Onde há escassez de combustível?
No entanto, aumentam as reclamações nas redes sociais de que a gasolina se esgota regularmente até mesmo nos postos que não anunciaram o fechamento. Muitos atribuem isso ao afluxo de motoristas da Crimeia que se dirigem à região de Krasnodar para abastecer. O governador da região, Veniamin Kondratyev, descreve a situação como "difícil" e fala de uma "afluência artificial".
A escassez de combustível, embora menos grave, já agora quase todo o país. Na Rússia Central, a falta de combustível ocorreu em postos de gasolina isolados nas regiões de Kursk, Belgorod, Ryazan e Oryol. Há relatos isolados até mesmo de Moscou e da região metropolitana.
Problemas também ocorrem no noroeste, como em São Petersburgo e nas regiões de Leningrado, Pskov, Novgorod, Murmansk e Carélia. Há relatos de falta de combustível também na Sibéria e no Extremo Oriente.
Na maioria dos casos, trata-se de pequenos postos de gasolina não afiliados a grandes companhias petrolíferas, o que significa que ainda não é uma crise generalizada. No entanto, as reclamações estão aumentando e os preços da gasolina têm subido constantemente há várias semanas – em até 0,5% por semana.
Que danos causamos drones?
A Rússia enfrenta quase todos os anos uma escassez de combustível mais ou menos aguda. Tradicionalmente, a demanda por gasolina e diesel aumenta no verão devido ao trabalho agrícola e à temporada de férias. Além disso, as refinarias de petróleo costumam realizar manutenções programadas.
Em 2024 e 2025, esses fatores foram agravados por ataques de drones ucranianos, o que levou a crises de proporções maiores do que o habitual. Este ano, a crise começou a surgir antes mesmo que os fatores sazonais surtissem efeito completo, com os ataques de drones começando mais cedo e, ao que tudo indica, se tornando mais eficazes.
Segundo cálculos do portal de notícias financeiro Bloomberg, somente em maio oito das dez maiores refinarias de petróleo da Rússia foram atacadas por drones, sendo que algumas, como as refinarias da Lukoil em Nizhny Novgorod e Perm, se tornaram alvos repetidas vezes.
Drones ucranianos atacaram refinaria na região de São PetersburgoFoto: AP Photo/picture alliance
Yaroslav Kabakov, diretor de estratégia da Finam, uma das maiores empresas de investimento da Rússia, com sede em Moscou, disse que os ataques afetam não apenas o processamento primário, como nos anos anteriores, mas também as instalações secundárias de produção de gasolina e diesel. "O reparo dessas instalações leva meses e é ainda mais complicado pelas sanções que restringem o fornecimento de equipamentos", explicou.
As estatísticas de produção de combustíveis da Rússia são em grande parte confidenciais. No entanto, alguns dados que foram divulgados indicam uma queda significativa em relação ao ano anterior.
Segundo a agência de estatísticas russa Rosstat, a produção de derivados de petróleo caiu 9% em abril de 2026 em comparação com abril de 2025. Em maio, a queda foi ainda mais acentuada, de 13% em relação ao ano anterior, de acordo com estimativas da Bloomberg.
Segundo o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (Crea), uma organização de pesquisa independente, a refinaria da Rosneft em Tuapse foi particularmente afetada pelos ataques. Entre janeiro e maio de 2026, reduziu suas exportações de derivados de petróleo em 73% em comparação com o ano anterior. O Crea estima as perdas de exportação resultantes em 1,7 bilhão de euros (R$ 9,9 bilhões).
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Preparativos para uma crise cada vez maior
Pessoas associadas ao mercado de combustíveis alertam para uma escassez sistemática de combustíveis caso as paralisações das refinarias continuem. "Uma escassez significativa é atualmente perceptível apenas na Crimeia. Embora ainda existam reservas no restante da Rússia, os suprimentos atuais são insuficientes. Se a situação não melhorar, a escassez afetará muito outras regiões até o final de julho ou início de agosto", disse uma fonte do mercado de combustíveis ao jornal russo Kommersant.
O Ministério da Energia da Rússia pretende evitar o agravamento da crise com a criação de uma "força-tarefa setorial" em 8 de junho. Esse grupo terá a missão de garantir o "funcionamento estável e eficiente de todo o complexo energético e de combustíveis do país".
Em muitas regiões, bombas de gasolina ficaram vazias após governo restringir fornecimentoFoto: Alexey Pavlishak/REUTERS
Anteriormente, as autoridades impuseram uma proibição às exportações de gasolina – medida que vem sendo repetidamente aplicada. A subsequente proibição às exportações de querosene, no entanto, foi inédita. O fornecimento de gasolina da Belarus aumentou significativamente na Bolsa Internacional de Mercadorias de São Petersburgo.
Dimensão da crise ainda é incerta
Os preços dos combustíveis devem subir, como já aconteceu no ano passado, mas não drasticamente, pois os preços da gasolina no varejo na Rússia são rigorosamente regulamentados pelo Estado. Alguns postos de gasolina independentes e pequenas redes poderão fechar temporariamente para evitar prejuízos.
"Os ataques de drones ucranianos causam custos significativos para o setor petrolífero russo. Eles interrompem as operações e reduzem a capacidade das refinarias, aumentam os gastos com reparos e medidas de segurança e causam gargalos logísticos", afirmou Isaac Levi, especialista do Crea.
Ao mesmo tempo, os danos ao Estado russo permanecem limitados, afirmou Levi. O petróleo que não pode ser processado internamente é exportado. Enquanto a guerra no Oriente Médio continuar a desestabilizar o mercado global, as condições para isso permanecerão favoráveis.
Os drones ucranianos também atacam a infraestrutura de exportação russa, mas esses ataques ainda não tiveram impacto significativo sobre o setor. De acordo com a Bloomberg, as exportações russas de petróleo por via marítima atingiram seu nível mais alto desde o início da guerra, no começo de junho.
Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: Caean Couto/IMAGN Images/REUTERS
Irã volta a fechar estreito de Ormuz
As Forças Armadas do Irã anunciaram um novo fechamento do Estreito de Ormuz ao trânsito marítimo em resposta aos ataques israelenses no sul do Líbano e acusaram os Estados Unidos de descumprirem o memorando de entendimento que pôs fim à guerra, segundo a mídia iraniana. (20/06)
Foto: AFP
Calor extremo na Europa às vésperas do verão
A Europa enfrenta sua primeira onda de calor de 2026, com temperaturas máximas em torno de 40°C em capitais como Madri e Paris, e próximas de 35 °C em Berlim, Roma, Lisboa e Londres. Na França e na Alemanha, a onda de calor já levou à suspensão de trens e aulas, (19/02)
Foto: Thibaud Moritz/AFP/Getty Images
Moscou em chamas após onda de ataques ucranianos
A Ucrânia atingiu uma grande refinaria de petróleo em Moscou pela segunda vez em uma semana, lançando enormes nuvens de fumaça negra sobre a capital e interrompendo voos em seus aeroportos, em um dos maiores ataques com drones desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, há mais de quatro anos, segundo autoridades. (18/06)
Foto: REUTERS
G7 expressa unidade no apoio à Ucrânia
No comunicado de encerramento da cúpula do G7 na França, os líderes do grupo afirmaram que permanecem unidos para apoiar a Ucrânia, incluindo em sua integridade territorial, e concordaram em aumentar as sanções contra a Rússia. A unidade expressada no texto conjunto foi considerada relevante em um momento tenso entre os EUA do presidente Trump e seus aliados ocidentais. (17/06)
Foto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance
"Estamos no mesmo time"
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, aproveitou a reunião do G7 para presentear o presidente dos EUA, Donald Trump, com uma camiseta personalizada da seleção alemã de futebol com o número 47 – o republicano, que completou 80 anos no último domingo, é o 47º presidente americano. "Afinal, estamos no mesmo time", comentou o alemão mais tarde, em uma postagem no X. (16/06)
Foto: Thibault Camus/AP Photo/picture alliance
Filho da princesa da Noruega é condenado a 4 anos de prisão por estupro
Filho mais velho da princesa herdeira da Noruega, Marius Borg Hoiby, de 29 anos, foi considerado culpado em duas das quatro acusações de estupro que pesavam contra ele. Preso desde fevereiro, ele também foi condenado por agressão e abuso em relacionamentos íntimos, e terá de pagar uma indenização às vítimas. (15/06)
Foto: Håkon Mosvold Larsen/NTB/AFP
Protesto contra G7 tem confronto com a polícia em Genebra
Manifestantes entraram em confronto com a polícia, incendiaram um carro da Tesla e danificaram um banco e uma agência da ONU. O protesto se dirigia contra as sete maiores economias do mundo, o G7, que se encontrariam a partir do dia seguinte na vizinha França para a sua cúpula anual. Autoridades suíças e francesas mobilizaram milhares de policiais para garantir a segurança do encontro. (14/06)
Foto: Denis Balibouse/REUTERS
Operação de EUA e Venezuela mata líder de gangue
O chefe da organização criminosa Tren de Aragua, conhecido como Niño Guerrero, foi morto em uma operação militar dos Estados Unidos realizada em coordenação com as autoridades da Venezuela. A ex-vice-presidente Delcy Rodríguez governa o país sul-americano sob pressão da Casa Branca desde janeiro, quando os EUA capturaram Nicolás Maduro, sob acusação de narcotráfico. (13/06)
Foto: Donald Trump via Truth Social/REUTERS
Elon Musk se torna o primeiro trilionário da história
O bilionário Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história com a entrada da sua empresa SpaceX no mercado de ações. Segundo a Oxfam, ele seria mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial juntos, ou 3,8 bilhões de pessoas. Foi a maior oferta pública inicial (IPO) já registrada, superando o recorde da petrolífera saudita Aramco. (12/06)
Foto: STAR MAX/IPx/picture alliance
Começa a Copa do Mundo de 2026
A Copa do Mundo da Fifa começou com uma partida entre México e África do Sul na Cidade do México. A seleção mexicana marcou o primeiro gol do campeonato, depois da cerimônia de abertura. Do lado de fora, houve confronto entre policiais e manifestantes, que pediam justiça para desaparecidos. O megaevento esportivo acontece, neste ano, em três países: México, Estados Unidos e Canadá. (11/06)
Foto: Eloisa Sanchez/REUTERS
UE alerta para "extremos climáticos como novo normal"
O mundo registrou o segundo maio mais quente da história, informou o serviço climático da União Europeia (UE), o Copernicus. A onda de calor precoce só não superou as temperaturas de 2024. Neste ano, recordes foram registrados em vários países da Europa Ocidental. Isso demonstra "como extremos climáticos estão rapidamente se tornando o novo normal, em vez da exceção", segundo o Copernicus. (10/06)
Foto: Jerome Gilles/NurPhoto/picture alliance
Deputados da Hungria cortam próprio salário em 40%
Parlamentares na Hungria votaram por unanimidade a favor de um corte nos próprios salários e benefícios, numa iniciativa do novo primeiro-ministro, Péter Magyar, para reduzir custos administrativos. O recém-empossado chefe do governo húngaro acusava o seu antecessor, Viktor Orbán, de conceder salários inflados para apaziguar deputados da oposição. (09/06)
Foto: Denes Erdos/AP Photo/picture alliance
Peru tem disputa acirrada em eleição presidencial
O candidato de esquerda nas eleições presidenciais no Peru, Roberto Sánchez, assumiu a liderança na contagem de votos do segundo turno das eleições peruanas, superando por uma pequena margem a candidata de direita Keiko Fujimori em uma disputa cujo resultado permanece incerto. Com cerca de 450 mil cédulas contestadas que ainda precisam ser revisadas, anúncio do vencedor deve levar dias. (08/06)
Foto: Stifs Paucca/REUTERS
Israel, Hezbollah e Irã trocam ataques, e conflito ameaça sair do controle de novo
O Irã disparou mísseis contra Israel em retaliação ao bombardeio, horas antes, de posições do Hezbollah no Líbano. Regime em Teerã tem condicionado um acordo definitivo de paz na região à inclusão de Beirute. Escalada irritou o presidente americano Donald Trump, que está sob pressão por causa dos impactos econômicos da guerra no Oriente Médio. (07/06)
Foto: Ohad Zwigenberg/AP Photo/picture alliance
UE vai barrar carne brasileira a partir de 3 de setembro
A União Europeia confirmou a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne de boi e frango, peixe, frutos do mar e mel para o bloco. Argumento é que o país não forneceu garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Argentina, Paraguai e Uruguai, membros do Mercosul, seguem com exportações liberadas. (06/06)
Foto: Silvio Avila/AFP
EUA alertam para pior cenário do surto de ebola
O Centro para Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos EUA exigiu a adoção de medidas rigorosas de saúde pública contra o atual surto de ebola. O órgão alerta que a epidemia caminha para atingir a magnitude da ocorrida na África Ocidental em 2014, que resultou em mais de 28 mil casos e mais de 11 mil mortes. Mais pacientes devem ser diagnosticados, isolados e tratados, afirma a agência. (05/06)
Foto: Xinhua/picture alliance
Fiéis lotam Marcha para Jesus em São Paulo
Uma multidão encheu a Marcha para Jesus, realizada em São Paulo no feriado de Corpus Christi. A programação incluiu shows e orações nos arredores da Estação da Luz. Participaram diversos políticos conservadores, bem como o advogado-geral da União, Jorge Messias. Em tom de campanha, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil vive uma "guerra espiritual". (04/06)
Foto: Miguel Schincariol/AFP
Greve geral contra reforma trabalhista paralisa Portugal
Pela segunda vez em seis meses, uma greve geral paralisou Portugal, em protesto à reforma trabalhista proposta pelo governo. Estimados 65% dos voos foram cancelados, inclusive ao Brasil. Foram ainda afetados outros transportes, hospitais, escolas e coleta de lixo. Para sindicatos, a reforma desregulamenta jornadas, amplia contratos precários, facilita demissões e ataca direitos. (03/06)
Foto: Armando Franca/AP Photo/picture alliance
Urso ataca quatro pessoas em Fukushima, no Japão
Quatro pessoas ficaram feridas após sofrerem ataques de um urso na cidade de Fukushima, no nordeste do Japão. Todos os feridos foram levados ao hospital e estavam conscientes. Entre as vítimas, apenas uma sofreu ferimentos mais graves. (02/06)
Sírio que esfaqueou 4 pessoas na Alemanha pega prisão perpétua
Um sírio de 36 anos foi condenado à prisão perpétua por quatro tentativas de homicídio na Alemanha com motivação terrorista. De acordo com decisão da Justiça alemã, o homem, identificado como Mahmoud M., foi considerado culpado de "tentativa de homicídio" em quatro casos, na qualidade de "membro de uma organização terrorista estrangeira" – no caso, o grupo Estado Islâmico (EI). (01/06)