Vencedor de dois Oscar, ele tinha 95 anos. Veterano do cinema foi encontrado morto em sua casa no estado do Novo México junto com sua esposa, Betsy Arakawa. Polícia afirma que não há suspeita de crime.
O ator Gene Hackman e a esposa, a pianista clássica Betsy Arakawa, foram encontrados mortos em sua residência nos EUAFoto: AP/picture alliance
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O ator americano Gene Hackman, vencedor de dois Oscar, foi encontrado morto na tarde desta quarta-feira (26/02), juntamente com sua esposa, a pianista clássica Betsy Arakawa, 63 anos, em sua casa na cidade de Santa Fé, no estado do Novo México, sul dos Estados Unidos, segundo informações divulgadas pela polícia. Hackman tinha 95 anos.
O gabinete do xerife do condado de Santa Fé, Anda Mendoza, não confirmou a causa das mortes nem o horário exato em que ocorreram, mas disse que não há suspeita de que algum crime tenha sido cometido. O cachorro do casal também foi encontrado morto.
"Não acreditamos que algo criminoso tenha ocorrido. Mas a causa exata das mortes, até o momento, ainda não podemos determinar", informou Mendoza.
Nascido no estado da Califórnia em 1930, Hackman serviu o exército no fim dos anos 40 e decidiu estudar para ser ator na década seguinte.
Apareceu em mais de 80 filmes até se aposentar, em 2004. Sua carreira se estendeu por mais de seis décadas, na qual participou de diferentes fases do cinema americano, como a revolução cultural da Nova Hollywood nos anos 1960 e 1970 e filmes catástrofes e blockbusters a partir dessa última década, faroestes nos anos 1990 e thrillers nos anos 2000, tendo atuado em sucessos como Super-Homem, em que interpretou o vilão Lex Luthor, e Os Excêntricos Tenenbaums.
Venceu duas vezes o Oscar. A primeira na categoria melhor ator em 1972 por seu papel como o detetive Jimmy "Popeye" Doyle no filme Operação França. A segunda em 1992 como melhor ator coadjuvante em Os Imperdoáveis.
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Colegas lamentam a morte
O diretor Francis Ford Coppola, que dirigiu Hackman em A Conversação, de 1974, lamentou seu falecimento em uma postagem no Instagram.
"A perda de um grande artista é sempre motivo de luto e celebração: Gene Hackman, um grande ator, inspirador e magnífico em seu trabalho e complexidade. Lamento sua perda e celebro sua existência e contribuição", escreveu Coppola.
O diretor e roteirista britânico Edgar Wright conceituou Hackman como "o maior" na rede social X, enquanto que o ator George Takei o chamou de "um dos verdadeiros gigantes das telas".
"Gene Hackman podia interpretar qualquer pessoa, e era possível sentir uma vida inteira por trás disso. Ele podia ser todo mundo e ninguém, uma presença imponente ou um cidadão qualquer. Esse é o poder que ele tinha como ator. Ele fará falta, mas seu trabalho viverá para sempre", escreveu Takei.
gb (ots)
A história do Brasil no Oscar
O Brasil levou a primeira estatueta por Melhor Filme Internacional. O país já teve diversas obras indicadas ao prêmio. Veja a trajetória de brasileiros na premiação.
Foto: Capital Pictures/IMAGO
"Orfeu negro"
Em 1960, "Orfeu negro", uma coprodução entre Brasil, França e Itália, ganhou a estatueta de melhor filme estrangeiro. Por representar a França, os louros ficaram com os europeus. Mas durante 65 anos foi o único filme de língua portuguesa a ganhar um Oscar.
Candidatos a melhor filme estrangeiro
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, "O pagador de promessas", de Anselmo Duarte, garantiu a primeira indicação para o Brasil, em 1962. Em 1995, a história de dois casais de imigrantes italianos vivendo sob o mesmo teto rendeu uma indicação a "O quatrilho", de Fabio Barreto. Dois anos depois, seu irmão, Bruno Barreto (foto), foi indicado na mesma categoria, por "O que é isso companheiro?".
Foto: picture-alliance/dpa
Melhor filme
Esnobado na categoria de filme estrangeiro, "O beijo da mulher aranha" (1985), coprodução com os EUA, foi o primeiro longa latino-americano indicado como melhor filme. A amizade entre um preso político (Raul Julia) e um homem homossexual (Will Hurt) em um presídio brasileiro também rendeu indicações de melhor roteiro adaptado e diretor (Hector Babenco). Hurt venceu como melhor ator.
Foto: 2015 ICRA LLC
"Central do Brasil"
Depois de levar o Urso de Ouro na Berlinale, "Central do Brasil", de Walter Salles, partiu para uma triunfante carreira internacional. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1999, o drama sobre a amizade de um menino abandonado e uma mulher desiludida de meia-idade levou também a indicação inédita de melhor atriz para Fernanda Montenegro. Mas nenhum dos dois prêmios foi para o Brasil.
Foto: picture-alliance/dpa/Buena_vista
Melhor curta-metragem
Brasileiros ainda emplacaram duas indicações em melhor curta-metragem. Diretor de sucessos como "A era do gelo 2", o carioca Carlos Saldanha (foto) foi indicado, em 2002, pela animação americana "Gone nutty". "Uma história de futebol" também levou Paulo Machline aos finalistas do prêmio, em 2001. O curta recria passagens da infância de Pelé e de Zuza, seu companheiro de pelada na cidade de Bauru.
Foto: Charley Gallay/Getty Images
Melhor direção
Apesar do sucesso comercial no exterior, "Cidade de Deus" foi esnobado ao prêmio de filme estrangeiro em 2004. Mas o frenético retrato do crescimento do crime organizado na favela carioca teve indicações a melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor fotografia. Fernando Meirelles também foi indicado como melhor diretor, mas quem levou a estatueta foi Peter Jackson, por "O Senhor dos Anéis".
Foto: imago/United Archives
Melhor canção original
O primeiro brasileiro indicado ao Oscar foi o compositor Ary Barroso (foto), autor de "Aquarela do Brasil". Ele foi um dos finalistas ao prêmio pela canção "Rio de Janeiro", do filme "Brasil", em 1945 — uma produção americana. Mais de meio século depois, em 2012, Carlinhos Brown e Sergio Mendes voltaram a representar o país na categoria com "Real in Rio", parte da trilha sonora da animação "Rio".
Foto: Brasilianisches Nationalarchiv - Arquivo Nacional
Os pré-selecionados
Por anos, a seleção de inscritos na disputa pelo Oscar coube a uma comissão do Ministério da Cultura. Desde 1954, com "O cangaceiro", de Lima Barreto, foram mais de 45 títulos, mas só quatro ficaram entre os finalistas. Em 2014, "Hoje eu quero voltar sozinho" (foto), de Daniel Ribeiro, não conseguiu uma indicação. Desde 2021, a seleção passou a ser feita pela Academia Brasileira de Cinema.
Foto: D. Ribeiro
Melhor documentário
"O Sal da Terra", de Wim Wenders e Juliano Salgado, disputou o Oscar de melhor documentário em 2015. O filme retrata a história do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, pai de Juliano. O Brasil havia concorrido antes na categoria, em 2011, por "Lixo Extraordinário", que conta a história de um projeto social no aterro do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Os filmes não foram premiados.
Foto: Wim Wenders/NFP*
Candidato em 2020
"Democracia em vertigem", da diretora Petra Costa, concorreu à estatueta de melhor documentário em 2020, mas perdeu o prêmio para "Indústria americana". O filme brasileiro, incluído na lista dos melhores do ano do "New York Times", aborda a ascensão e queda do PT e a polarização entre esquerda e direita no país. Foi a última produção brasileira a ser finalista do Oscar antes de 2025.
Foto: Netlix/Divulgação
"Ainda Estou Aqui" conquista Oscar de melhor filme internacional
"Ainda Estou Aqui" já tinha feito história ao ser indicado para três categorias do Oscar. Em 2025, conquistou a estatueta de melhor filme internacional. O filme de Walter Salles, sobre a ditadura, foi é a primeira produção totalmente brasileira a disputar o prêmio de melhor filme. Anora, de Sean Baker, venceu nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz, pelas quais o Brasil também concorria.