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Ban Ki-moon elogia Suu Kyi por flexibilidade política

1 de maio de 2012

Secretário-geral da ONU elogiou a líder oposicionista por aliviar tensões políticas, permitindo entrada de seu partido no governo. Suu Kyi promete lutar por mudanças constitucionais após assumir cargo.

Foto: Reuters

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, reuniu-se nesta terça-feira (01/05) com a principal figura da oposição em Mianmar, Aung San Suu Kyi, para louvar sua decisão de resolver o impasse político instalado no país.

Na véspera, Suu Kyi e seu partido, a Liga Nacional Democrática (NLD), recuaram numa disputa sobre o juramento que parlamentares são obrigados a fazer antes de assumir seus cargos. Ela e outros 42 membros da NLD que conquistaram assentos nas últimas eleições parciais haviam se recusado a prestar o juramento, por ele exigir que os parlamentares "salvaguardem" a Constituição, de autoria dos militares.

O partido de Suu Kyi queria que o texto fosse alterado para "respeitar" a Constituição. Nesta segunda-feira, entretanto, foi acordado que alterações só serão discutidas depois que o partido fizer parte do parlamento.

"Sei que essa deve ter sido uma decisão muito difícil", declarou o secretário-geral à imprensa. "Mas um verdadeiro líder demonstra flexibilidade em nome de uma causa maior pelo povo. Foi isso o que ela fez [...] e eu realmente admiro e respeito sua decisão."

Respeito aos eleitores

Segundo fontes do NLD, Suu Kyi e os outros membros do partido, eleitos no dia 1º de abril, deverão prestar o juramento nesta quarta-feira.

Ao lado de Ban durante a conferência de imprensa na cidade de Yangon, Suu Kyi disse que a decisão de recuar na discussão foi em parte um sinal de respeito aos eleitores que votaram no partido.

"Sempre acreditamos em flexibilidade, no processo político [...]. Essa é a única forma de atingirmos nossos objetivos sem violência", disse a laureada com o Prêmio Nobel da Paz, acrescentando que uma de suas prioridades após assumir o assento no parlamento será realizar alterações na Constituição de 2008, considerada antidemocrática pelo NLD.

Ban (esq.) em visita ao presidente Thein Sein na capital NaypyidawFoto: Reuters

Reconciliação política

O encontro ocorreu um dia após Ban Ki-moon ter se tornado o primeiro estrangeiro se pronunciar diante do parlamento de Mianmar (antiga Birmânia). Ele aproveitou o discurso para elogiar a "visão, liderança e coragem" do presidente Thein Sein, que introduziu uma série de reformas desde que assumiu o cargo, há pouco mais de um ano. Referindo-se a Thein Sein e Suu Kyi, Ban disse que ambos "demonstraram a confiança e o espírito estadista necessários para enxergar, além da política, os interesses maiores da nação".

Thein Sein, que era primeiro-ministro do governo anterior, chegou à presidência após eleições gerais que mantiveram os militares no poder, mas assinalaram o desejo de uma reconciliação política. Seu governo está empenhado em fazer com que as nações do Ocidente retirem as sanções econômicas impostas à junta militar por sua política repressiva.

Relaxamento das sanções

Ban é a mais recente autoridade estrangeira a visitar Mianmar para manifestar sua aprovação em relação ao processo de reforma política implantado pelo governo. Na segunda-feira, durante seu discurso no parlamento, o secretário-geral da ONU conclamou os países ocidentais a aliviarem as sanções contra o país, com forma de encorajar futuras reformas. Ele também pediu um aumento significativo da ajuda ao desenvolvimento.

Nos últimos três dias, também estiveram no país o ministro do Exterior da Alemanha, Guido Westerwelle, e a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton. A visita dos líderes europeus seguiu-se à decisão da UE de suspender, pelo período de um ano, uma série de sanções econômicas contra Mianmar. O embargo de armas, entretanto, continua em vigor.

FF/rtr/afp/ap
Revisão: Augusto Valente

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