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Baumann: dirigentes têm pouco interesse no combate ao doping

(mw)27 de janeiro de 2002

Campeão olímpico de 1992, que acaba de cumprir suspensão por doping, afirma que atletas testados positivamente não têm como se defender nos tribunais esportivos e são usados como bodes expiatórios.

Baumann não conseguiu provar que foi vítima de sabotagemFoto: AP

Um dia após expirar sua suspensão por doping, o fundista Dieter Baumann atacou os dirigentes do atletismo alemão e mundial durante uma palestra na Universidade de Tübingen, no sul da Alemanha. "Não existe um combate verdadeiro ao doping no esporte. Há muito mais omissão jurídica, diante de um problema que, em vez de ser tratado seriamente, tem sido negligenciado há anos", desferiu o medalha de ouro nos 5 mil metros na Olimpíada de Barcelona (1992).

Segundo o alemão, os dirigentes consideram a campanha antidoping na verdade um mal menor, diante dos prejuízos que o doping pode causar à imagem do esporte e de seus patrocinadores. Diante de mais de 400 ouvintes, Baumann exigiu mais direitos e chances de defesa para os atletas testados positivamente. Segundo ele, os tribunais esportivos ignoram parâmetros legais, não permitem que os atletas tenham acesso aos processos, nem apresentem testemunhas.

Caso Baumann

– O corredor foi suspenso por dois anos, após terem sido encontrados vestígios de nandrolona em sua urina. Garoto-propaganda da campanha alemã de antidoping, o atleta sempre alegou inocência, justificando o resultado do teste com a sabotagem de sua pasta de dentes. Alguém teria adulterado o produto com a substância proibida. A Federação Internacional de Atletismo (IAAF) nunca levou a desculpa a sério, e a investigação policial, iniciada após a denúncia de Baumann, não foi longe.

Após a palestra do fundista, o ex-presidente da Federação Alemã de Atletismo (DLV) e atual vice-presidente da IAAF, Helmut Digel, defendeu-se das acusações, baseando-se nas regras do Comitê Olímpico Internacional (COI). "Conforme esta definição, Baumann estava dopado. Entretanto, com isto não se decidiu sobre sua culpa", esclareceu Digel, idealizador do ciclo de palestras "Doping no Esporte" na Universidade de Tübingen. De fato, continua sem resposta oficial a dúvida se Baumann dopou-se ou foi dopado por terceiros.

Dúvidas cruéis

– O atleta, de 36 anos, afirmou ao público que sua posição antidoping permanece inalterada. "Estou ainda mais convencido e agora tenho muito mais conhecimento sobre as implicações do que há alguns anos", declarou.

O alemão não poupou palavras duras em direção à responsabilidade de dirigentes, médicos e treinadores. Até onde o atleta pode ser responsável por seu doping? "Como um atleta pode ter certeza de que um médico não está lhe dando uma injeção com substância proibida? Devemos enviar para exame todo comprimido de vitamina ou complemento nutritivo que tomamos?", perguntou Baumann à platéia.

Falta de interesse

– O especialista dos 5 mil metros, que voltou a competir neste domingo (27) numa prova em Dortmund, não vê alternativa ao combate ao doping, mas insiste que os dirigentes não mostram interesse de fato em acabar com ele. "Eles não gostam de falar do assunto", disse Baumann.

"Parece ter se tornado normal no esporte moderno, apoiar o desempenho esportivo com todos os meios medicinais imagináveis", acrescentou. Em vez de atacar as causas do doping, "os dirigentes trabalham com o princípio do mito do herói e do bode expiatório".

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