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Cúpula em Brasília

15 de julho de 2010

Moçambique é o primeiro alvo da cooperação assinada durante reunião de cúpula em Brasília. Lula destacou potencial do continente africano para a produção de energias renováveis.

Lula e Durão Barroso durante entrevista à imprensaFoto: AP

A quarta cúpula de cooperação entre o Brasil e a União Europeia, que foi realizada nesta quarta-feira (14/07) em Brasília, resultou na assinatura de acordos em áreas como bioenergia, aviação civil e justiça eleitoral.

No encontro foi divulgada a Iniciativa de Cooperação Trilateral Brasil-União Europeia-África sobre biocombustíveis, que num primeiro momento será focada na cooperação com Moçambique.

O comunicado conjunto do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, prevê a elaboração de estudos técnicos para avaliar o potencial moçambicano para o desenvolvimento de bioenergia de forma sustentável, e o impacto que a produção teria na redução da pobreza no país.

Esta parceria também está aberta a outros países africanos que estejam interessados. Lula disse que, em recente visita à África, pôde comprovar o potencial que o continente tem para a produção de energias renováveis.

"Vamos reduzir a emissão de gases do efeito estufa, ajudar no crescimento do mundo em desenvolvimento mediante apoio financeiro para projetos de transferência de tecnologia limpa. E tudo isso sem comprometer a produção de alimentos", afirmou Lula em discurso.

Ao falar do clima, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, reafirmou a semelhança das intenções brasileiras e europeias na definição de metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Ele disse que, assim como o bloco, que já disponibilizou 7,2 bilhões de euros em financiamentos rápidos para países em desenvolvimento, o Brasil também pode servir de exemplo.

Já no campo da aviação civil, o novo acordo assinado na cúpula prevê maior oferta de vôos entre o Brasil e os países do bloco, além de um aumento nas importações e exportações de material aeronáutico.

O encontro também resultou no anúncio de expansão da cooperação na área de processo eleitoral, em que o Tribunal Superior Eleitoral do Brasil irá fornecer apoio técnico aos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Convencer Sarkozy

Esta foi a última cúpula Brasil-União Europeia da qual Lula participou como presidente. Ao se referir à saída do cargo, após as próximas eleições presidenciais brasileiras, Lula falou com emoção e fez uma retrospectiva da relação entre o Brasil e a União Europeia.

Ele destacou as afinidades entre os dois lados, principalmente quanto às estratégias para conclusão da Rodada Doha e às negociações da conferência da ONU sobre o clima em Copenhagen, em 2009.

Disse ainda que teria um último objetivo a alcançar na Europa: o de finalmente concretizar uma parceria entre o Mercosul e a União Europeia. É que, neste mês, Lula assume a presidência temporária do Mercosul e disse que vai tomar para si a responsabilidade de convencer o presidente francês Nicolas Sarkozy.

Nas palavras de Lula, Sarkozy é o líder europeu que "tem dado mais trabalho" para ceder a esse acordo antes do final do ano. O entrave está na resistência dos agricultores franceses em competir com produtos mais baratos vindos do Brasil.

"Sei o peso que os agricultores franceses têm na política francesa, o que tem de ser respeitado. Mas o que precisamos é tentar convencê-los de que o que o Brasil pode oferecer para eles são produtos baratos, de muito boa qualidade, sem subsídios", afirmou Lula.

Durão Barroso disse que esta não será uma tarefa fácil. "A verdade é que o Mercosul está pedindo muito, e é evidente que a União Europeia tem de recolher apoio em muitas frentes. Por isso esperamos que o Mercosul avance com uma oferta que também corresponda às nossas ambições."

Durante o encontro, Van Rompuy lamentou que esta tenha sido a última cúpula com a presença de Lula, mas parabenizou o presidente por ter criado o que ele chamou de uma economia forte, associada com justiça social e menos pobreza, o que teria aproximado o Brasil do continente europeu e de seu modelo social.

Autora: Ericka de Sá

Revisão: Roselaine Wandscheer

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