Toda vez é como um pequeno milagre: na Turquia e na Síria ainda estão sendo resgatados sobreviventes sob os escombros do terremoto. Cães farejadores ajudam nas buscas. No futuro também deverão ser usados robôs.
Quando encontram possíveis sobreviventes, cães farejadores latem e sinalizam com as patasFoto: Ministere de l'Intérieur/Securité Civile/AP/dpa/picture alliance
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As equipes de resgate trabalham incansavelmente 24 horas por dia na busca por sobreviventes soterrados sob os escombros deixados pelos terremotos na Turquia e na Síria na segunda semana de fevereiro. As chances de encontrar sobreviventes diminuem a cada dia que passa.
Há várias maneiras de descobrir onde possa haver pessoas vivas sob as montanhas de ruínas. Às vezes até é possível a comunicação direta. Voluntários e equipes de ajuda humanitária interrompem seu trabalho quando creem ter ouvido um sinal de vida. Por vezes, os soterrados podem chamar a atenção com gritos ou batidas, ou até mesmo enviar uma mensagem para a família ou amigos.
Entretanto, essas são exceções. Normalmente, os socorristas dependem de outros métodos para procurar sobreviventes. O projeto da União Europeia Cursor (abreviatura para o nome em inglês de Uso Coordenado de Equipamentos Robóticos Miniaturizados e Sensores Avançados para Operações de Busca e Resgate) apresentou na terça-feira (07/02) robôs e drones para ajudarem a resgatar vítimas dos escombros de terremotos.
Cães farejadores da Grécia a caminho da TurquiaFoto: Thanassis Stavrakis/AP/picture alliance
Os pequenos robôs sobre rodas são equipados com câmeras infravermelhas e térmicas, e sugam o ar do local através de um tubo, a fim de verificar a presença de CO2 e proteínas específicas de seres humanos, localizando-os sob os escombros. Com a ajuda de alto-falantes e microfones, pode-se fazer contato com os soterrados. E drones fornecem imagens 3D do local.
Quando persistem os tremores secundários, a busca por sobreviventes é "altamente perigosa [para equipes de resgate], porque tudo pode desmoronar", diz Karsten Berns, cientista da computação e chefe do departamento de sistemas de robôs da Universidade Técnica da Renânia-Palatinado. "É isso que se quer melhorar com sistemas autônomos como este."
O que fazem os robôs de resgate?
Berns é especialista em resgate com robôs em áreas de terremotos − sua equipe fez parte de um projeto similar ao Cursor em 2016. Os robôs com que Berns trabalhou no projeto também tinham o objetivo de facilitar a atuação das equipes de socorro.
Havia tanto pequenos veículos sobre esteiras com sensores infravermelhos, como grandes robôs semelhantes a escavadeiras. Graças a sua capacidade de mover escombros pesados ou partes de prédios, e de ser operados a um quilômetro de distância, nenhum operador de escavadeira fica exposto a perigos. Enquanto isso, uma câmera transmite para a central de controle o que o robô "vê".
Alguns robôs que exploram casas desmoronadas podem ser equipados com sensores de gás: não apenas o risco de desmoronamento, mas também o de uma explosão é alto, devido a tubulações danificadas após um terremoto.
Ainda não operacionais
Tanto os robôs da equipe de Berns quanto os novos exemplares do projeto Cursor são apenas protótipos desenvolvidos em pesquisas e testados no contexto de apresentações individuais.
No entanto, nenhuma dessas máquinas pode ajudar a encontrar soterrados na área do terremoto turco-sírio. A produção em série para uso em desastres reais ainda está longe de ser realidade.
Para tal, é preciso por exemplo esclarecer a questão dos custos: quem deve financiar a produção de máquinas tão caras, quem pagaria o transporte para as áreas do terremoto? Na área de pesquisa não há capacidade de arcar com esses custos, diz Berns em entrevista à DW: é aqui que a indústria tem de se mexer.
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O que é melhor: robô ou cão farejador?
Uma vantagem muito clara dos cães de resgate é que eles não são protótipos. Os animais já são usados para isso há muito tempo, e também na Turquia e na Síria estão à procura de sobreviventes sob os escombros. Equipes com cães de resgate também viajaram da Alemanha e do Brasil para a área do terremoto.
Os cães podem identificar o cheiro de suor, hormônios, sangue, excrementos ou até mesmo hálito humano. Quando farejam alguém soterrado, latem e sinalizam com as patas.
Equipes de resgate trabalham sem cessar na busca por sobreviventes entre os escombrosFoto: Stoyan Nenov/REUTERS
Outro aspecto positivo dos animais é que eles não dependem de eletricidade ou da internet, de que os robôs de resgate precisam, para transmissão de dados. Sua única necessidade é água e ração.
Segundo Berns, a tecnologia dos robôs ainda não está aperfeiçoada o suficiente para superar o nariz de um bom cão farejador: "Eu diria que, hoje, o cão pastor ainda é melhor." Também existem algumas vantagens dos robôs: a transmissão por câmera não é possível com cães, por exemplo, e eles não podem ser controlados com tanta precisão quanto um veículo pequeno.
Humanos tomam a decisão final
Enquanto trabalhavam no projeto Icarus (Sistema de controle para robôs de busca e resgate), Berns e sua equipe divagavam sobre a possibilidade de automatizar a decisão sobre os prédios a priorizar numa operação de resgate. Mas logo foram dissuadidos da ideia por ajudantes ativos.
"Eles disseram: 'Pelo amor de Deus, tal decisão já é extremamente difícil para um especialista humano'. Há gente sob escombros que está feliz por alguém estar vindo, e os especialistas sabem muito bem que não podem salvá-las."
Quando o perigo de desabamento é muito grande, por vezes a equipe é forçada a deixar as vítimas soterradas para trás, a fim de não colocar em perigo a vida de quem está ajudando. Tal decisão não pode ser entregue a um robô.
Os terremotos mais fortes dos últimos 100 anos
Sismo de 6 graus de magnitude no Afeganistão causou morte de mais de 800 pessoas em agosto de 2025. No último século foram registrados tremores ainda mais fortes.
Foto: Toru Hanai/REUTERS
Chile teve o terremoto mais forte
O terremoto mais forte já registrado, de magnitude 9,5 graus na escala Richter, atingiu Valdívia, na costa sul do Chile, por 10 minutos, em maio de 1960. Foram destruídas cidades inteiras e a geografia da região foi alterada. Quase 6 mil pessoas morreram. E o tsunami gerado pelo sismo causou a morte de 130 pessoas no Japão e de 61 no Havaí. Na foto, ruínas do porto de Corral.
Foto: Getty Images/AFP
Grande Terremoto do Alasca
O terremoto que abalou o Alasca em 27 de março de 1964 também é conhecido como "o grande terremoto do Alasca". Ele segue sendo o mais forte já registrado nos Estados Unidos, com magnitude de 9,2. O movimento sísmico e o posterior tsunami mataram 139 pessoas. Na foto, a destruição causada no pequeno povoado de pescadores na ilha de Kodiak.
Foto: Getty Images/Central Press
Megaterremoto submarino no Oceano Índico
O megaterremoto submarino de 26 de dezembro de 2004 no Oceano Índico teve magnitude de 9,1. Ele desencadeou uma série de tsunamis devastadores, que causaram a morte de 280 mil pessoas em 14 países e inundaram cidades costeiras com ondas de até 30 metros de altura. Foi um dos desastres naturais mais mortíferos de que se tem registro. Na foto, a destruição em Sumatra, na Indonésia.
Foto: Getty Images/P.M. Bonafede/U.S. Navy
Terremoto seguido de tsunami no Japão
Um membro da equipe canina de resgate busca vítimas após o terremoto que causou destruição no noroeste do Japão em 11 de março de 2011, que atingiu 9,1 na escala Richter e foi seguido de um terrível tsunami. Eles causaram a morte de cerca de 18,5 mil pessoas e afetaram a planta nuclear de Fukushima.
Foto: Getty Images/AFP/Y. Chiba
O terremoto de Kamchatka
Em 4 de novembro de 1952, foi registrado um tremor de magnitude 9 na costa da península de Kamchatka, no leste da Rússia. O tsunami que se seguiu causou destruição e mortes nas ilhas Kurilas. Mais de 2,3 mil pessoas morreram.
Mais uma vez no Chile
O tremor de magnitude 8,8 que afetou a costa do Chile em 27 de fevereiro de 2010 também está entre os mais fortes do século. Ele não causou tantas mortes como o tsunami posterior, que varreu várias localidades costeiras, elevando a cifra de mortos para 530. O sismo danificou o porto de Talcahuano e provocou perdas milionárias aos pescadores e à indústria local.
Foto: Getty Images/AFP/M. Bernetti
Sismo de 1906 atingiu Equador e Colômbia
Em 31 de janeiro de 1906, um terremoto também de magnitude 8,8 na escala Richter causou destruição e cerca de mil mortes no Equador e na Colômbia. O terremoto se deu devido ao choque das placas de Nazca e a Sul-Americana, causando um tsunami de vários metros de altura. O epicentro localizou-se no Oceano Pacífico diante da fronteira entre os dois países.
De novo o Alasca
O sismo de 4 de fevereiro de 1965 atingiu 8,7 de magnitude e teve seu epicentro nas Ilhas Rat, muito propícias a sismos porque se localizam entre as placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte. Elas são um grupo vulcânico de ilhas integradas nas ilhas Aleutas, no sudoeste do Alasca. Na foto, a destruição causada pelo terremoto em Anchorage, maior cidade do Alasca.
Foto: U.S. Army
Em 1950, entre Índia e China
O terremoto de Assam-Tibete, entre Índia e China em 15 de agosto de 1950, atingiu a magnitude de 8,6 graus na escala Richter. O sismo causou destruição tanto na região de Assam, na Índia, quanto no Tibete, e foi fatal para cerca de 4,8 mil pessoas.
Alasca é área propícia a terremotos
O sul do Alasca fica na fronteira entre a Placa Tectônica Norte-Americana e a Placa do Pacífico. Em 9 de março de 1957, aconteceu nas ilhas Aleutas um terremoto de magnitude 8,6 na escala Richter.
Turquia e Síria: luto e indignação
Milhares de pessoas morreram no terremoto que atingiu a Turquia e a Síria em 6 de fevereiro de 2023, com uma magnitude de 7,8 na escala Richter. As cifras assustam: pelo menos 50 mil mortos, 214 mil prédios desabados ou em estado precário, milhões perderam suas moradias. Ao luto dos sobreviventes, juntou-se a indignação de constatar que, em muitos casos, não foram cumpridas normas de construção.
Foto: Diego Cupolo/NurPhoto/picture alliance
Terremoto deixa quase 3 mil mortos no Marrocos
O sismo de magnitude 6,8 teve epicentro próximo à cidade turística de Marrakech e foi o mais forte em 120 anos da história do país. O abalo também foi sentido na vizinha Argélia e até em Portugal. Mais de 2.900 pessoas ficaram feridas. Pessoas que foram deslocadas para abrigos nos arredores de Marrakech se diziam indignadas com a falta de planos de curto e longo prazo para realocá-las.
Foto: Mosa'ab Elshamy/AP
Mais de 800 morrem após tremor no Afeganistão
Mais de 800 pessoas morreram e pelo menos 2.800 mil ficaram feridas depois que um forte terremoto de 6 graus de magnitude e várias réplicas atingiram o leste do Afeganistão no final de agosto de 2025, segundo autoridades locais. O país governado pelo Talibã é propenso a terremotos mortais, especialmente na cordilheira Hindu Kush, onde as placas tectônicas da Índia e da Eurásia se encontram.