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MigraçãoEstados Unidos

Casa Branca lança jogos sobre deportação de imigrantes

4 de setembro de 2026

Inspirados em clássicos, jogos foram disponibilizados no site oficial da Presidência dos EUA. Grupos de direitos humanos criticam iniciativa.

Site da Casa Branca mostra menu com jogos em estilo arcade
Site da Casa Branca disponibiliza jogos com temática nacionalista para "contar a história das conquistas de Trump"Foto: Jon Elswick/AP Photo/dpa/picture alliance

A Casa Branca lançou nesta quinta-feira (03/09) jogos em seu site oficial nos quais os jogadores podem deportar imigrantes e construir um muro na fronteira. A iniciativa do governo de Donald Trump gerou fortes críticas de entidades dos direitos humanos.

Um dos jogos, chamado Rio Run, uma versão do clássico Snake, popularmente conhecido como jogo da cobrinha, apresenta um avatar digital de Tom Homan – o encarregado das políticas de imigração e fronteira do governo dos EUA, conhecido como o "czar" da fronteira – perseguindo imigrantes com diferentes tons de pele às margens do Rio Grande, na fronteira com o México.

Outro jogo, inspirado no Tetris, chama-se Build the Wall ("Construa o muro"). "Proteja a fronteira da horda que se aproxima", dizem as instruções. Um terceiro jogo envolve a coleta de redes para serem depositadas nas chamadas "contas Trump" – contas de investimento com um depósito de mil dólares (R$ 5,1 mil) para crianças nascidas entre 2025 e 2028.

Para divulgar os jogos, o perfil da Casa Branca no X publicou um vídeo com o acrônimo Maga, de Make America Great Again ("Torne a América grande novamente"), imitando o logotipo clássico da fabricante de videogames Sega.

Trolagem como estratégia de governo

A estratégia de comunicação da Casa Branca emprega abertamente o princípio da trolagem nas redes sociais, que consiste em disseminar conteúdo provocativo para gerar indignação e alcançar um efeito viral.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) divulgou recentemente um vídeo mostrando a deportação de imigrantes haitianos algemados, após Washington revogar o status que lhes permitia permanecer legalmente no país. O vídeo foi considerado degradante e racista por opositores de Trump.

Trump fez campanha com a promessa de expulsar milhões de imigrantes indocumentados e adotou diversas medidas polêmicas desde que retornou ao poder, visando acelerar as deportações e reduzir as travessias de fronteira.

ONGs denunciam iniciativa

Grupos de direitos humanos criticaram os jogos. "Me dá nojo. Eles vêm brincando com a vida das pessoas há anos, e agora transformaram isso em um videogame", disse Amerika Garcia Grewal, codiretora da Federação Frontera no Texas. "Quem os projetou perdeu de vista o que significa ser humano e se importar com os outros", acrescentou.

Adriana Jasso, coordenadora de programas da ONG Amigos San Diego Community, que trabalha na fronteira, disse que os jogos mostram uma "falta de seriedade" fundamental por parte do governo. "A crueldade, o extremismo do governo [...] já não surpreendem", afirmou.

O DHS alegou ter prendido um número recorde de quase 51 mil imigrantes indocumentados em agosto de 2026 nos EUAFoto: Etienne Laurent/AFP

Ela disse que a Casa Branca parece determinada a desumanizar e ridicularizar os migrantes, mesmo enquanto pessoas morrem em centros de detenção. "Isso apresenta essa questão como se fosse um jogo, quando na verdade não é."

O governo dos EUA, porém, defendeu a iniciativa, afirmando em um comunicado à imprensa que o videogame "destaca ainda mais o contraste entre uma cultura de 'diversão' e 'sucesso' e a visão socialista sombria que os democratas têm para os Estados Unidos".

"Este governo está totalmente focado em maneiras de inovar e contar a história das muitas conquistas do presidente de uma forma que ressoe com todos os americanos", disse a Casa Branca, em nota.

rc/cn (AFP, EFE)

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