Chile instala a câmera mais potente do mundo em telescópio
1 de fevereiro de 2024
Aparelho tem três vezes a capacidade da atual câmera telescópica mais potente do globo e poderá fazer fotos de 3,2 mil megapixels. Com equipamento, astrônomos do Observatório Vera C. Rubin querem revolucionar astronomia.
Observatório Vera C. Rubin fica em uma montanha na região de Coquimbo, a 2,5 mil metros de altitudeFoto: Javier Torres/AFP
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Cercados pelas montanhas desérticas e pelo céu azul do norte do Chile, os astrônomos do Observatório Vera C. Rubin esperam revolucionar o estudo do universo com a instalação da maior câmera digital do mundo em um telescópio.
O sofisticado equipamento, que pesa 2,8 toneladas e tem o tamanho de um automóvel pequeno, revelará visões do cosmos como nunca antes, disseram à agência de notícias AFP funcionários do projeto, que é financiado pelos Estados Unidos (EUA).
A partir do início de 2025, quando a câmera de 800 milhões de dólares (R$ 3,97 bilhões) tirar suas primeiras fotos, suas lentes varrerão o céu a cada três dias, permitindo que os cientistas alcancem novas fronteiras em suas análises galácticas.
A revolução, segundo o presidente da Sociedade Chilena de Astronomia (Sochias), Bruno Dias, é que em vez de "estudar uma estrela e saber tudo sobre essa única estrela", os pesquisadores poderão "estudar milhares de estrelas de uma só vez".
Vice-diretor do NOIRLab, centro de pesquisa americano que administra o observatório situado a 2,5 mil metros de altitude na montanha Cerro Pachón, 560 quilômetros ao norte de Santiago, Stuartt Corder diz que a nova instalação marcará o início de "uma mudança de paradigma na astronomia".
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Posição dominante na astronomia
O projeto consolida a posição dominante do Chile na observação astronômica, já que o país sul-americano abriga um terço dos telescópios mais potentes do mundo, de acordo com a Sochias, e tem alguns dos céus mais claros do planeta.
A primeira tarefa da câmera do Observatório Rubin será concluir a Legacy Survey of Space and Time (LSST), uma revisão decenal do céu que os pesquisadores esperam que revele informações sobre 20 milhões de galáxias, 17 bilhões de estrelas e 6 milhões de objetos espaciais.
A pesquisa fornecerá aos cientistas um inventário atualizado de imagens do sistema solar, permitirá mapear nossa própria galáxia, a Via Láctea, e aprofundará o estudo da energia escura e da matéria escura.
300 TVs para exibir uma única imagem
A nova câmera será capaz de capturar fotos de 3,2 mil megapixels, resultando em imagens tão grandes que para visualizar apenas uma delas seria necessário alinhar mais de 300 aparelhos de TV 49 polegadas e alta definição (HD).
A máquina, construída na Califórnia, terá três vezes a capacidade da atual câmera mais potente do mundo, a Hyper Suprime-Cam de 870 megapixels do Japão, e terá seis vezes a capacidade da câmera mais potente do NOIRLab.
md/ra (AFP, ots)
Imagens do telescópio espacial James Webb
O telescópio espacial James Webb está em atividade desde julho de 2022. As imagens produzidas pelo equipamento continuam maravilhando o mundo, ao mesmo tempo que ajudam a compreender melhor nosso universo.
Foto: NASA, ESA, CSA, K. Lawson (GSFC), J. Schlieder (GSFC), A. Pagan (STScI)
Discos de poeira de uma estrela anã vermelha
Um disco de poeira cósmica envolve a estrela anã vermelha AU Mic (marcada em branco), a 32 anos-luz da Terra. Os discos são continuamente abastecidos por colisões de aglomerados de poeira. As duas imagens foram tiradas usando diferentes comprimentos de onda. Na imagem azul, o disco parece ser mais curto, sugerindo que o material particulado espalha luz azul de comprimento de onda mais curto.
Foto: NASA, ESA, CSA, K. Lawson (GSFC), J. Schlieder (GSFC), A. Pagan (STScI)
Webb revela estrelas recém-nascidas antes encobertas
Os astrônomos se aprofundaram nos dados desta imagem infravermelha próxima da região de formação de estrelas na constelação de Carina, conhecida como Penhascos Cósmicos. A câmera infravermelha do Webb atravessou nuvens de poeira, permitindo aos astrônomos descobrir sinais de dezenas de estrelas infantis.
Foto: NASA, ESA, CSA AND STSCI
Reciclagem de hidrogênio no Quinteto de Stephan
Os astrônomos descobriram um centro de reciclagem de hidrogênio no Quinteto de Stephan, a 270 milhões de anos-luz. À esquerda, uma nuvem gigante de hidrogênio frio (verde) é esticada em uma cauda quente de hidrogênio. No centro, uma colisão de alta velocidade alimenta gás quente em nuvens de gás frio. À direita, o gás hidrogênio entrou em colapso, gerando o que pode ser uma pequena galáxia anã.
Foto: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/JWST/ P. Appleton (Caltech), B.Saxton (NRAO/AUI/NSF)
Exoplaneta sem atmosfera
O exoplaneta LHS 475 b tem quase o mesmo tamanho da Terra. O espectógrafo de infravermelho do telescópio Webb revelou que o planeta não tem atmosfera. Os pontos brancos apontam o padrão de um planeta sem atmosfera (linha amarela). Se o planeta tivesse uma atmosfera de dióxido de carbono puro, os pontos seguiriam a linha roxa, se tivesse uma atmosfera de metano puro, seguiriam a linha verde.
Foto: ILLUSTRATION: NASA, ESA, CSA, Leah Hustak (STScI)/SCIENCE: Kevin B. Stevenson (APL), Jacob A. Lustig-Yaeger (APL), Erin M. May (APL), Guangwei Fu (JHU), Sarah E. Moran (University of Arizona)
Webb captura galáxia com muito mais detalhes do que Hubble
Estas duas imagens mostram a mesma galáxia, EGS 23205, de cerca de 11 bilhões de anos. Na imagem à esquerda, o telescópio espacial Hubble capturou uma imagem difusa da galáxia. Mas a imagem do James Webb, à direita, revela uma galáxia espiral com uma clara barra estelar.
Foto: NASA/CEERS/University of Texas at Austin
Antigas galáxias "ervilhas verdes"
As três galáxias marcadas aqui são "ervilhas verdes", pequenas galáxias raras. Essas imagens mostram as galáxias como elas eram quando o universo estava em seu primeiro bilhão de anos de sua idade atual, de 13,8 bilhões de anos.
Foto: NASA, ESA, CSA, and STScI
Formação de estrelas
O aglomerado de estrelas NGC 346 encontra-se na Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã próxima à Via Láctea. É um lugar onde estrelas e planetas são formados em nuvens repletas de poeira e hidrogênio. As plumas mais cor-de-rosa são hidrogênio energizado com uma temperatura de 10.000 ºC, enquanto a área mais laranja representa hidrogênio mais denso e mais frio, de cerca de -200 ºC.
Foto: NASA, ESA, CSA, M. Meixner, G. DeMarchi, O. Jones, L. Lenkic, L. Chu, A. Pagan (STScI)