China confirma detenção de americano por suposta espionagem
12 de junho de 2026
Pequim informou que pesquisador de centro especializado em Mianmar é suspeito de envolvimento de atividades de espionagem que "colocaram em risco a segurança nacional" do país asiático.
Ativista que conhece americano disse que ele desapareceu após viajar para participar de uma conferênciaFoto: NOEL CELIS/AFP/Getty Images
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A China confirmou nesta sexta-feira (12/06) a detenção de um cidadão americano, analista de um centro de investigação especializado em questões sobre Mianmar, por alegadas atividades de espionagem.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, disse que as autoridades de Pequim "acreditam" que o americano esteja envolvido em questões criminais, por alegadas atividades de espionagem que colocaram em risco a segurança nacional da China.
O representante da diplomacia chinesa não especificou a natureza das "medidas coercivas" que foram aplicadas ao cidadão americano, uma expressão que, na terminologia jurídica chinesa, normalmente indica que a pessoa não é livre para se deslocar.
Caso um mês após visita de Trump a Pequim
Não é comum que Pequim prenda um cidadão americano sob alegações de segurança nacional. O caso ocorre apenas um mês depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter se reunido com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, num momento em que ambos os países buscam redefinir uma relação tumultuada.
Um ativista birmanês que conhece o americano detido disse que ele desapareceu em 3 de junho, após viajar para Kunming, na província chinesa de Yunnan, para participar de uma conferência. O ativista, que falou sob condição de anonimato por medo de represálias do governo e de prisão, afirmou que o suspeito já havia visitado a China várias vezes anteriormente.
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Ex-ativista estudantil
O americano detido foi identificado como Min Zin, um ativista estudantil durante a revolta de 1988 em Mianmar, um movimento liderado por estudantes que o governo da época reprimiu com força militar. Mais tarde, ele obteve asilo nos EUA e cidadania americana. Segundo o ativista, ele não estava envolvido em nenhuma atividade direta de ativismo no momento.
Min Zin é membro fundador do ISP-Myanmar, um think tank que nos últimos anos tem produzido análises sobre a política externa chinesa e o comércio com Mianmar, país situado na fronteira sudoeste da China. O centro de estudos mantinha intercâmbios regulares com instituições similares na China e publicava trabalhos sobre temas como as exportações de terras raras de Mianmar para o país vizinho.
Min Zin também é doutorando na Universidade da Califórnia, em Berkeley.
A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional exigiu a libertação imediata de Min Zin. "As circunstâncias em torno da misteriosa prisão de Min Zin são extremamente preocupantes, assim como a aparente acusação de espionagem", afirmou Joe Freeman, pesquisador da ONG especializado em Mianmar.
md/cn (AP, DPA, Lusa)
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