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ConflitosOriente Médio

CIJ: Israel tem obrigação de deixar ajuda entrar em Gaza

22 de outubro de 2025

Corte Internacional de Justiça, em Haia, determinou que Israel deve garantir ingresso de ajuda humanitária na região. Decisão é anunciada após audiências e depoimentos de diversas nações e organizações.

Palestinos caminham no bairro de Sheikh Radwan. A destruição é total. Há uma mulher de mãos dadas com uma criança. Atrás, um homem trafega de bicicleta. Há escombros de prédios destruídos por todos os lados. A imagem é cinza, como se ainda tivesse fumaça no local devido aos bombardeios.
O bairro de Sheikh Radwan, em Gaza: território está em ruínas após dois anos de bombardeios israelensesFoto: Omar Al-qattaa/AFP/Getty Images

A Corte Internacional de Justiça (CIJ) decidiu nesta quarta-feira (22/10) que Israel tem a obrigação de facilitar a passagem de ajuda humanitária em Gaza, enfatizando que é preciso fornecer aos palestinos "necessidades básicas" essenciais à sobrevivência. A decisão ocorre em meio a tentativas de grupos e organizações para ampliar a assistência, aproveitando o cessar-fogo acordado neste mês de outubro.

O chamado "parecer consultivo" da CIJ, que é formada por 11 juízes e tem sede em Haia, na Holanda, não é juridicamente vinculativo, mas o tribunal acredita que tem "grande peso jurídico e autoridade moral".

O presidente da corte, Yuji Iwasawa, afirmou que Israel tem "a obrigação de concordar e facilitar os programas de ajuda humanitária proporcionados pela Organização das Nações Unidas (ONU) e suas entidades".

Isso inclui, por exemplo, a Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras para Refugiados da Palestina (UNRWA), organização da ONU que atua pelos refugiados palestinos.

Palestinos recebem suprimentos em meio ao cessar-fogo em Zawaida, na região central de GazaFoto: Mahmoud Issa/REUTERS

Israel baniu a agência após acusar alguns de seus funcionários de participarem do ataque perpetrado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou os ataques israelenses em Gaza. A CIJ, em contrapartida, julgou que Israel não comprovou essas alegações.

Sem participar efetivamente do processo, Israel, por meio de um funcionário do governo, havia dito que a decisão se tratava de "um abuso do direito internacional", e que o país "coopera com organizações internacionais e outras agências da ONU em relação a Gaza. Mas não irá cooperar com a UNRWA".

Iwasawa rebateu o funcionário israelense, dizendo que a CIJ "rejeita o argumento de que o pedido abusa e instrumentaliza o processo judicial internacional".

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Menos do que o necessário

Na véspera da decisão, a porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU para o Oriente Médio, Abeer Etefa, disse que 530 caminhões da UNRWA cruzaram a fronteira rumo à Gaza desde o cessar-fogo, que começou no dia 10 de outubro.

Ao todo, estima-se que os veículos transportaram e entregaram mais de 6.700 toneladas de alimentos, o que, segundo ela, seria "suficiente para suprir a demanda de cerca de meio milhão de pessoas durante duas semanas".

Etefa também informou que atualmente chegam em torno de 750 toneladas de mantimentos por dia, o que, embora seja mais do que antes do início do cessar-fogo, continua muito abaixo da meta do PMA, que é de cerca de 2 mil toneladas diárias.

Devido a isso, a CIJ afirmou que Israel tem "a obrigação de não impedir o fornecimento desses suprimentos". E lembrou que o país deve seguir a lei do direito internacional de não utilizar a fome como método de guerra.

O embaixador palestino na ONU, Ammar Hijazi, aguarda o resultado do processoFoto: Peter Dejong/AP Photo/picture alliance

A partir da decisão, a ONU pediu à CIJ para deixar claro quais são as obrigações de Israel, como força ocupante, em relação à própria organização e a outros órgãos, a exemplo de "garantir e facilitar o fornecimento incondicional de suprimentos urgentes e essenciais à sobrevivência" dos palestinos.

Durante uma semana, em abril, os juízes da CIJ ouviram depoimentos de dezenas de países e organizações, muitos dos quais a respeito da conceituação e do status da UNRWA. Em uma das audiências, o funcionário palestino Ammar Hijazi disse aos juízes que Israel estava fazendo do bloqueio de ajuda uma "arma de guerra", provocando fome em Gaza.

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Caso separado

A decisão desta quarta-feira foi julgada em separado de outros processos que Israel enfrenta no direito internacional devido à incursão em Gaza. Em julho de 2024, por exemplo, a CIJ emitiu outro parecer consultivo afirmando que a ocupação israelense de territórios palestinos era "ilegal" e deveria ser encerrada o mais rápido possível.

A CIJ também avalia acusações apresentadas pela África do Sul, de que Israel, com suas ações em Gaza, violou a Convenção das Nações Unidas sobre Genocídio de 1948.

Outra corte em Haia, o Tribunal Penal Internacional (TPI), emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade. E também contra o chefe do Hamas, Mohammed Deif, que Israel afirma ter sido morto em um ataque aéreo.

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Decisão criticada por Israel e EUA

Assim que confirmada e divulgada, a decisão foi criticada por Israel. O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, afirmou que o parecer sobre a UNRWA é "vergonhoso".

"Eles estão culpando Israel por não cooperar com os órgãos da ONU. Eles deveriam culpar a si mesmos. Esses órgãos se tornaram terreno fértil para terroristas. Veja, por exemplo, a UNRWA, uma organização que apoiou o Hamas durante anos", declarou Danon.

Nas audiências de abril, o funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Joshua Simmons, levantou "sérias preocupações" sobre a imparcialidade da UNRWA e alegou que o Hamas tira vantagem das instalações da agência.

Simmons também afirmou que Israel "não tem a obrigação de permitir que a UNRWA, especificamente, preste assistência humanitária [em Gaza]". E acrescentou que a agência não é a única opção para entregar ajuda na região.

No entanto, a CIJ observou que a UNRWA "não pode ser substituída a curto prazo sem um plano de transição adequado".

gb/md (AFP, Reuters)

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