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EducaçãoBrasil

A tecnologia como parte da escola contemporânea

Tamires de Sousa de Matos
5 de março de 2026

Tecnologia já está nas escolas, mas ainda não foi absorvida plenamente pelas instituições de ensino.

Criança com tablet na escola
Escola precisa repensar papel em mundo digitalizado Foto: Sina Schuldt/dpa/picture alliance

Tablets como cadernos digitais, plataformas interativas, relatórios em tempo real e inteligência artificial corrigindo redações. A busca incessante por agilidade e novas ferramentas com uma promessa: a educação finalmente será inovadora. No entanto, enquanto celebramos a revolução digital, seguimos organizando a sala de aula como se a internet não tivesse transformado radicalmente a forma como o conhecimento circula.

O estudante acessa, em segundos, o que antes exigia horas de pesquisa. Ele aprende por vídeos, fóruns, redes sociais, podcasts e jogos. O acesso ao conhecimento "deixou" de ser escasso, a lógica do aprendizado agora é outra. Porém, a escola, enquanto instituição, permanece reproduzindo padrões do passado.

Por vezes, a tecnologia entra apenas como maquiagem pedagógica. Substituímos o quadro por uma tela, o livro por um PDF, o exercício impresso por um formulário online. Mas a lógica central permanece intacta: aula expositiva, conteúdo fragmentado, avaliação padronizada. A inovação vira um cenário não estruturado.

Por outro lado, a inserção de tecnologias educacionais por vezes é retratada como uma ameaça à instituição escolar. O medo da substituição é compreensível. A automação já transformou indústrias inteiras. Serviços bancários migraram para aplicativos, o comércio se reorganizou em marketplaces, o entretenimento cabe no streaming.

Parece lógico imaginar que a educação seguiria o mesmo caminho. Mas essa comparação simplifica demais o que é a escola. Não se trata de rejeitar a tecnologia. Seria ingênuo, e até irresponsável, ignorar seu potencial. Ferramentas digitais podem ampliar repertórios, democratizar o acesso à informação e apoiar processos de aprendizagem. O problema não está nas ferramentas disponíveis, mas na crença de que elas, sozinhas, resolvem aquilo que é estrutural.

É necessário que a escola reconheça a nova realidade

A escola nasceu em um contexto de escassez informacional. Sua arquitetura física e simbólica foi pensada para concentrar e distribuir o saber. Hoje vivemos o oposto: excesso de informação. Nesse cenário, a função da escola não pode ser apenas transmitir conteúdo, isso a internet já faz, e com mais velocidade.

Sua função precisa ser outra: ensinar a pensar, interpretar, duvidar, relacionar, argumentar. Quando a tecnologia é incorporada sem revisão do modelo pedagógico, ela apenas digitaliza velhos problemas. Mantém a passividade, reforça o produtivismo e ainda cria a ilusão de modernização.

A inovação real não começa na compra de equipamentos, mas na pergunta incômoda: para que serve a escola em um mundo hiperconectado? A verdadeira revolução não está na existência de tecnologias digitais na escola, mas na reflexão do que faremos para direcioná-las nos espaços educacionais e nas relações dentro da sala de aula.

Em um mundo onde a informação já não é o centro da questão, a escola corre o risco de se modernizar apenas na superfície, digitalizando práticas antigas e chamando isso de inovação.

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Vozes da Educação é uma coluna semanal escrita por jovens do Salvaguarda, programa social de voluntários que auxiliam alunos da rede pública do Brasil a entrar na universidade. Revezam-se na autoria dos textos o fundador do programa, Vinícius De Andrade, e alunos auxiliados pelo Salvaguarda em todos os estados da federação. Siga o perfil do programa no Instagram em @salvaguarda1.

Este texto foi escrito por Tamires de Sousa de Matos, de 23 anos, estudante de Química da Universidade Federal do Pará (UFPA), e reflete a opinião da autora, não necessariamente a da DW.

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A coluna semanal é escrita por jovens do Salvaguarda, programa social de voluntários que auxiliam alunos da rede pública do Brasil a entrar na universidade.

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