Com chips em falta, smartphones podem virar artigo de luxo?
15 de fevereiro de 2026
O avanço da Inteligência Artificial (IA) fez explodir a demanda por chips, e a consequência disso é que smartphones e computadores estão saindo cada vez mais caros para o consumidor.
"O boom da IA e os investimentos associados em infraestrutura e data centers estão tendo um impacto perceptível no mercado de chips de memória", explica à DW Wolfgang Weber, da Associação Alemã da Indústria Eletroeletrônica e Digital (ZVEI).
Análises de entidades do setor, como o Instituto para Estatísticas de Comércio de Semicondutores (WSTS), indicam que, no último ano, houve um aumento de 50% nos preços desses chips. Isso pode não só atrasar as linhas de produção, mas também provocar um aumento dos preços de aparelhos eletrônicos e digitais.
"A escassez de tecnologias-chave como essas é um problema massivo para a nossa economia", diz Weber. "Somente a escassez de chips entre 2021 e 2023 causou prejuízos superiores a 102 bilhões de euros na Alemanha."
Boom no mercado de semicondutores
Os números mais recentes do WSTS comprovam o rápido crescimento do setor. O mercado global de semicondutores atingiu, no primeiro semestre de 2025, o valor de 346 bilhões de dólares (R$ 1,8 trilhão) – aumento de 18,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para o ano inteiro de 2025, o WSTS projeta um crescimento de 22%, alcançando 772 bilhões de dólares (R$ 4 trilhões). Para 2026, são esperados aumentos superiores a 25%, chegando a 975 bilhões de dólares (R$ 5,1 trilhões).
De acordo com um estudo da empresa de pesquisa de mercado IDC, os preços dos smartphones para o consumidor final podem aumentar de 3 a 5%, em um cenário moderado, ou até 8%, num cenário mais pessimista.
"A era de memórias e meios de armazenamento baratos e amplamente disponíveis está chegando ao fim. 2026 provavelmente será um ano em que a tecnologia ficará mais cara devido a gargalos de fornecimento, e não por aumento da demanda", afirma o estudo do IDC.
Samsung: smartphones ficarão mais caros
No fim de janeiro, o presidente da Samsung Electronics, Won-Jin Lee, declarou à Bloomberg que os preços já estavam subindo "diariamente".
"É claro que não queremos repassar esse ônus aos consumidores, mas chegaremos a um ponto em que teremos de considerar um reajuste dos preços de nossos produtos", afirmou.
A Apple ainda não se manifestou publicamente sobre possíveis aumentos de preços. Analistas do banco de investimentos Morgan Stanley, em seu relatório Outlook 2026, apostam que a empresa manterá os preços do modelo básico em um nível elevado, porém estável, embora possa cobrar valores adicionais por maiores capacidades de armazenamento.
Mais memória, mais custos
O uso e os custos de chips de memória na produção de smartphones aumentaram significativamente nos últimos cinco anos.
Segundo dados do setor, em 2020 a memória representava cerca de 8% dos custos de componentes de um aparelho como o iPhone 12 Pro Max. Até setembro de 2025, essa participação no iPhone 17 Pro Max havia subido para cerca de 10%.
Com os aumentos contínuos nos preços dos chips de memória, essa fatia pode chegar a 20%, estimam analistas da consultoria Counterpoint Research.
Estagnação no mercado alemão
Diante da atual escassez de chips no mercado alemão, a associação digital Bitkom prevê uma certa estagnação ou até uma leve retração nas vendas.
"De modo geral, a demanda de consumo na Alemanha está atualmente mais fraca”, afirma à DW Sebastian Klöss, diretor de Mercados e Tecnologias da Bitkom.
Ainda assim, o faturamento do setor continua registrando crescimento contínuo, embora modesto. Isso se deve, no entanto, ao aumento constante dos preços dos aparelhos. Segundo um estudo da Bitkom, o preço médio de um smartphone novo na Alemanha subiu de 591 euros em 2024 para 605 euros no ano passado.
Smartphones usados em alta
Em contraste com a demanda enfraquecida por novos aparelhos, o mercado de smartphones usados está em alta forte.
De acordo com uma análise conjunta da empresa de pesquisa de mercado NIQ, da Sociedade para a Promoção da Eletrônica de Consumo (GFU) e da IFA Management, os smartphones recauchutados (também chamados de "refurbished") alcançaram em julho de 2025 uma participação de mercado de 9% na União Europeia – em janeiro do mesmo ano, esse percentual era de 5%.
"Em alguns mercados, os modelos recauchutados já representam mais de 40% do faturamento online no segmento abaixo de 600 euros", afirma a análise. "Os aparelhos usados estão deixando de ser um produto de nicho para se tornarem um elemento consolidado no mercado."