Lauren Simmons não é apenas a corretora mais jovem, mas também a única do sexo feminino em tempo integral na maior bolsa do mundo: "Se você quer ser ouvida, tem que fazer tanto barulho quanto os homens".
Lauren Simmons não esquece seu primeiro dia na maior bolsa do mundoFoto: DW/A. Schwedt
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No pregão da Bolsa de Valores de Nova York, homens de ternos caros encaram, tensos, as telas dos computadores. Homens gritam números uns para os outros. Homens correm, afobados, de um estande de comércio de ações para o próximo, de headsets no ouvido. Até quem faz a limpeza aqui é um homem.
No meio de tudo isso, discretamente escondida na seção da casa de investimentos Rosenblatt Securities, está Lauren Simmons, 23 anos, menos de 1,60 metro de altura, saia curta e saltos altos.
"Eu acho que a minha história é sem igual, porque não sou só a mais nova no pregão, mas também mulher e faço parte de uma minoria", comenta a moça nascida numa cidadezinha no estado americano da Geórgia. "Cheguei à Bolsa de Nova York através de colegas", conta. Apesar de ter estudado genética, ela sempre foi fascinada por números, uma "linguagem universal, com que todo o mundo se sente conectado".
De início, sua família e amigos reagiram com preocupação à notícia de que se tornaria corretora da bolsa. "O único medo da minha mãe era: 'Mas quantas mulheres trabalham lá?'" Fora quatro outras corretoras em regime meio expediente, ela é, de fato, a única que opera em horário integral. E antes dela, em toda a história da praça de negócios, apenas uma mulher negra portou o crachá da NYSE.
De uma cidadezinha na Geórgia para a metrópole Nova YorkFoto: DW/A. Schwedt
No entanto, todas essas apreensões se dissiparam no momento em que ela pisou o pregão do maior mercado de ações do mundo, um dia que jamais esquecerá. "Eu tinha acabado de passar no teste e recebido o meu crachá, e aí me deixaram tocar o sino da bolsa", relata orgulhosa.
Juntamente com Richard Rosenblatt, o fundador da empresa para que trabalha, nesse dia ela apareceu no balcão com o sino. Uma visão inusitada, já que, do ponto de vista histórico, as mulheres não costumam fazer parte da imagem de Wall Street.
A algumas coisas a antes tímida Lauren teve que se acostumar. Num mundo dominado por homens, valem outras regras e formas de tratamento. "Aqui, eu aprendi bem depressa: se você quer ser ouvida, tem que fazer tanto barulho quanto os homens." Ainda assim, ela preza o senso de comunidade no pregão: "Os homens querem que as mulheres cresçam aqui e façam uma carreira de sucesso", afirma.
O trabalho de Lauren na bolsa é comprar e vender ações, por encomenda dos investidores. Isso exige uma certa capacidade de se impor, disposição ao risco e resistência ao estresse, enumera. E, embora essas sejam características tradicionalmente atribuídas aos homens, Lauren acredita que também as mulheres possam ser boas corretoras.
O que lhes falta são modelos. "Acho que muitas mulheres têm medo de sair de sua zona de conforto, tipo: 'Oh, e se eu for a única? A única representante de uma minoria?'"
Por isso ela ficou especialmente feliz quando, em maio de 2018, a bolsa nomeou Stacey Cunningham como sua primeira presidente do sexo feminino. Lauren acredita tratar-se de um importante passo em direção à equiparação. "Ter mais gente como eu ou você, que é subrepresentada aqui, resultaria em mais respeito mútuo."
Ela espera que sua história venha a ser modelo e inspiração para outras mulheres jovens e as encoraje.
Do direito ao voto ao espaço na política: ao longo dos últimos cem anos as mulheres alemãs lutaram para derrubar leis e convenções que hoje soam impensáveis.
Foto: picture-alliance/akg-images
O direito ao voto
Em 1918, o Conselho dos Deputados da Alemanha proclamou: "Todas as eleições serão conduzidas sob o mesmo sufrágio secreto, direto e universal para todas as pessoas do sexo masculino e feminino com pelo menos 20 anos de idade". Logo depois, as mulheres puderam votar, pela primeira vez, nas eleições para a Assembleia Nacional alemã, em janeiro de 1919.
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Lei de Proteção à Maternidade
A Lei entrou em vigor em 1952. Desde então, passou por várias alterações. O objetivo é assegurar a melhor proteção possível da saúde da mulher e do filho durante a gravidez, após o parto e durante a amamentação. Mulheres não podem sofrer desvantagens na vida profissional por causa da gravidez nem seu emprego pode ser ameaçado pela decisão de ser mãe.
Em 1971, Alice Schwarzer publicou na revista Stern um artigo no qual 374 mulheres confessaram ter interrompido a gravidez; entre elas, Romy Schneider. Após a publicação, dezenas de milhares de mulheres foram às ruas protestar a favor da maternidade autodeterminada. Em 1974, a coalizão social-liberal aprovou no Parlamento a descriminalização do aborto nos três primeiros meses da gestação.
Foto: Der Stern
Mais estudantes e professoras nas universidades
Em 1976, foi realizado em Berlim o evento "1° Universidade de Verão para as mulheres". Entre as exigências, as precursoras pediam o aumento da participação das mulheres entre estudantes e professoras, que era de 3 %. Em 1970, o percentual de estudantes passou para 9%. Hoje, ele chega a 48%. Em 1999, o número de professoras era de cerca de 4 mil. Hoje, elas são 11 mil em toda a Alemanha.
Foto: picture alliance/ZB/J. Kalaene
Livre da obrigação do serviço doméstico
Em 1977, entrou em vigor a nova lei de matrimônio. Até então, a esposa era "obrigada ao serviço doméstico". Ela só poderia trabalhar se não negligenciasse suas tarefas do lar e se o marido consentisse. Em 2014, 70% das mães trabalhavam fora; 30% em tempo integral e quase 40% em meio período. Entre os casais com crianças, a mulher alemã contribui com uma média de 22,6% da renda familiar.
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Igualdade salarial
Em 1979, 29 funcionárias processaram o laboratório fotográfico Heinze, em Gelsenkirchen, pelo direito de ter a mesma remuneração por trabalhos iguais. Elas venceram: em 1980, o Parlamento alemão aprovou a lei sobre igualdade de tratamento de homens e mulheres no trabalho. Mas ainda há muito o que fazer: em , as mulheres ganharam 18% a menos por hora trabalhada do que os homens.
Foto: picture-alliance/chromorange
Pilotas da Lufthansa
Em 1986, a companhia aérea alemã Lufthansa permitiu, pela primeira vez, que duas mulheres completassem a formação de piloto. Elas são: Erika Lansmann e Nicola Lunemann (na foto). Hoje, nas diversas companhias aéreas do grupo, 417 mulheres trabalham como co-pilotas e 114 são comandantes.
Foto: Roland Fischer, Lufthansa
Trabalho noturno
Em 1992, o Tribunal Constitucional Federal revogou a proibição do trabalho noturno para mulheres. O Tribunal declarou que a alegada proteção estava associada com salários mais baixos e "desvantagens consideráveis". Na antiga Alemanha Oriental, as mulheres tinham sido autorizadas a praticar todas as profissões desde o início, a qualquer hora do dia ou da noite.
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Sexo sem consentimento
Em 1997, a violação sexual no casamento passou a ser considerada crime. O Bundestag decidiu por uma maioria esmagadora que os maridos estupradores já não tinham direitos especiais. A ideia de que seria uma "ofensa menor de coerção" foi abolida. Todos os "atos sexuais" forçados passaram a ser punidos como estupro.
Foto: picture-alliance/dpa/F. Kästle
Mulheres na política
Depois de conquistarem o direito ao voto na maior parte dos países, as mulheres tentam alcançar a mesma proporção de participação política que os homens. Em 1949, o percentual de alemãs no Bundestag era de 6,8%. Atualmente, elas são 35,3%. A primeira mulher a chefiar o governo foi Angela Merkel, em 2005. Em 2018, ela chegou ao quarto mandato como chanceler federal, cargo que exerceu até 2021.
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Tarefas domésticas
Hoje as mulheres alemãs também lutam por direitos iguais em relação às tarefas domésticas e ao cuidado com familiares. Em 1965, elas exerciam esse trabalho durante, em média, quatro horas por dia; os homens, 17 minutos por dia. Atualmente as mulheres ainda gastam 43,8 pontos percentuais a mais de tempo com tarefas domésticas do que os homens: são quase 30 horas semanais, contra 20 dos homens.
Foto: Imago/O. Döring
O futuro
Para despertar o interesse das meninas em profissões antes consideradas masculinas, especialmente na indústria, desde 2001 empresas alemãs convidam meninas do 5º ano para o 'Girls day'. O dia das meninas é considerado o maior projeto de orientação profissional do mundo e, graças a ele, cada vez mais jovens mulheres decidem seguir carreira da área de ciências exatas na Alemanha.