Como uma revolta de estudantes mudou a política na Sérvia
Nemanja Rujevic de Belgrado
26 de outubro de 2026
Mobilização nascida após uma tragédia ferroviária leva jovens ao poder e põe fim à hegemonia de Aleksandar Vucic, acusado por críticos de corroer as instituições democráticas.
Belgrado em festa: sérvios comemoram eleição que sepultou a era VucicFoto: Petr David Josek/AP Photo/dpa/picture alliance
As ruas da Sérvia foram tomadas por centenas de jovens eufóricos no final da noite deste domingo (25/10). Eles comemoravam a derrota eleitoral do ex-presidente sérvio Aleksandar Vucic, o homem que governou o país com mão firme por mais de 14 anos.
A lista estudantil, impulsionada por um movimento de protesto que há dois anos sacode o país, obteve cerca de 53% dos votos. A aliança liderada pelo Partido Progressista Sérvio (SNS) de Vucic, acostumada a vitórias folgadas, ficou com aproximadamente 39%.
Nenhuma outra lista superou a cláusula de barreira de 3%. Apenas representantes de minorias nacionais, para as quais essa restrição não se aplica, também conseguiram assentos no Parlamento.
Dia da eleição ainda marcado por tensão
A reviravolta na Sérvia foi precedida por uma campanha tensa. Houve relatos de compra de votos e de pressão sobre funcionários públicos para que votassem no SNS de Vucic, até mesmo no próprio domingo de votação, e ataques violentos a apoiadores dos estudantes
Ao cair da noite, o parque ao lado do Parlamento começou a ser ocupado por homens vestidos de preto, encapuzados ou mascarados. O endereço serviu por quase dois anos como uma espécie de acampamento para apoiadores de Vucic. Dali partiram repetidas agressões contra simpatizantes da lista estudantil.
Críticos acusam Vucic há anos de corrupção, de conceder grandes contratos públicos a empresários próximos ao partido e de exercer um controle quase total sobre os meios de comunicação.
Aleksandar Vucic ficou 14 anos no poder na SérviaFoto: Darko Vojinovic/AP Photo/picture alliance
No estúdio da emissora Informer TV, considerada há anos um porta-voz informal de Vucic, a vitória do político era dada como certa — até ele admitir a derrota nas urnas.
Visivelmente contrariado, Vucic parabenizou a lista estudantil. Ao mesmo tempo, voltou a acusar seus representantes de destruir o Estado e executar o "trabalho sujo de outras pessoas". E se apresentou como alguém que pretende liderar um partido de oposição no futuro.
Clima de festa nas ruas
A comemoração da vitória dos estudantes entrou pela madrugada nas ruas de Belgrado e de outras cidades.
"Estou me sentindo ma-ra-vi-lho-so. Essa é, ao mesmo tempo, a forma mais curta e mais longa de explicar o que sinto", disse Aleksa, um homem na faixa dos 40 anos, perto do Parlamento.
Outros relataram que até esperavam uma vitória, mas não dessa proporção.
Questionada se esperava que Vucic reconhecesse a derrota dessa maneira, uma mulher radiante respondeu: "Não esperava isso. Tenho que admitir que talvez tenha sido um gesto positivo da parte dele, para evitar confrontos e tumultos e permitir que a vitória merecida fosse devidamente comemorada."
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Como nasceu a revolta dos estudantes na Sérvia
Na lista estudantil vitoriosa figuram, além de ativistas, professores renomados. Para eles, Vucic não deve se tornar apenas um político de oposição comum, e sim ocupar o banco dos réus.
A revolta estudantil começou após o desabamento, no fim de 2024, da marquise da recém-reformada estação ferroviária de Novi Sad, a segunda maior cidade do país. O acidente deixou 16 mortos e ajudou a expor um esquema de desvios na reforma da estação. A indignação pública foi acentuada com a revelação de indícios de que as autoridades teriam ignorado deliberadamente alertas sobre falhas de segurança.
"A corrupção mata!" tornou-se um dos principais slogans dos protestos estudantis. Durante dois anos, estudantes percorreram a Sérvia a pé, conversaram com a população e organizaram algumas das maiores manifestações da história do país.
Protesto em Belgrado em 15/03/2025Foto: Mitar Mitrovic/REUTERS
Uma lista diversa
A lista eleitoral dos estudantes é ideologicamente heterogênea. Nela há pessoas que defendem a entrada da Sérvia na União Europeia e outras mais próximas da Rússia. Há representantes da esquerda e da direita, progressistas e conservadores. O que os une é o desejo de restaurar o Estado de Direito na Sérvia.
Muitos observadores estão convencidos de que apenas uma aliança que ultrapassasse divisões ideológicas poderia derrotar Vucic.
Para o filósofo e comentarista político Ivan Milenkovic, o que os estudantes conquistaram com sua revolta de dois anos foi uma obra-prima política. "Raramente surge na Sérvia algo que mereça ser estudado no mundo inteiro. Habilidade política e perseverança se combinam aqui com virtudes humanas muito simples, como honestidade e honra. É isso que vem sustentando esses jovens o tempo todo", analisa.
Mas Milenkovic alerta que o verdadeiro trabalho dos estudantes ainda está por começar. "É preciso um certo grau de determinação. Porque conservar o poder é mais difícil do que conquistá-lo. É preciso cortar todos os tentáculos do polvo, mas sem deixar de respeitar a lei. Somente a lei garante que a Sérvia tenha uma chance."
A lista estudantil conseguirá permanecer unida?
Entre os que celebravam a vitória eleitoral de domingo, essas preocupações ainda soavam distantes.
No entanto, a Sérvia tem diante de si uma série de questões em aberto. Por quanto tempo a lista estudantil conseguirá permanecer unida, reunindo correntes políticas tão diversas? E quanto ela conseguirá realizar até que eventuais divergências apareçam?
Outras questões são a postura em relação à União Europeia, à Rússia e ao Kosovo, bem como sua capacidade de fazer avançar suas iniciativas a despeito do aparato de poder existente e do poder exercido pelo partido de Vucic a nível municipal.
Ainda não é possível prever quem liderará o novo governo sérvio. No entanto, um nome aparece com frequência: Dejan Soskic, ex-presidente do Banco Central e professor de Economia.
O país também terá que eleger um novo presidente até o fim do ano. Depois do domingo, porém, uma coisa parece certa: ninguém duvida de que os estudantes também poderão ocupar esse posto.
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Foto: AFP
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Considerada por muito tempo um dos países mais seguros da América Latina, a Costa Rica incrementa esforços contra o crime após uma alta de homicídios e inaugurou uma prisão de segurança máxima para presos de maior periculosidade, seguindo o modelo do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Governo quer transformar o país numa referência mundial em segurança penitenciária. (15/10)
Foto: Mayela Lopez/REUTERS
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Foto: Christoph Soeder/dpa/picture alliance
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Mais de 400 supermercados franceses foram forçados a descartar toneladas de alimentos congelados depois que hackers assumiram o controle de sistemas de refrigeração em unidades de todo o país, comprometendo estoques de grandes redes em um sofisticado ataque cibernético. Em alguns casos, refrigeradores totalmente abastecidos tiveram a temperatura elevada para 50º C por mais de seis horas. (12/10)
Foto: AFP
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O Papa Leão 14 anunciou que será submetido a uma cirurgia para remover um nódulo localizado em seu pulmão, detectado em "um estágio muito inicial". O anuncio do pontífice de 71 anos foi feito durante a oração dominical na Praça de São Pedro, no Vaticano. "Agradeço pela proximidade espiritual de vocês e confio-me às suas orações", disse o papa. (11/10)
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Foto: Indranil Mukherjee/AFP
Jurista sul-africana Navi Pillay ganha Nobel da Paz
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A canadense Anne Carson, de 76 anos, foi anunciada vencedora do Prêmio Nobel de Literatura. A Academia Sueca destacou sua obra "ousada e criativa", que combina tradição clássica e experimentação para criar novas formas literárias. Poeta, ensaísta, tradutora e estudiosa da Antiguidade, Carson é conhecida por textos sobre amor, desejo e perda. Ela se torna a 19ª mulher a receber o prêmio. (08/10)
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Morre idosa que virou ícone da luta por moradia digna na Espanha
Maricarmen Abascal, a mulher de 87 anos cujo despejo em Madri em setembro desencadeou protestos contra a crise habitacional na Espanha, morreu após quinze dias hospitalizada. Sua luta para não ser despejada do imóvel alugado onde morou por 71 anos fortaleceu os protestos que resultaram em um acampamento de ativistas em Madri e aumentou a pressão sobre o governo espanhol. (07/10)
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Ex-chefe do BND August Hanning foi preso sob suspeita de espionagem e traição, após descobertas feitas durante investigações de um outro crime: sua suposta participação em um sequestro de crianças, segundo relatos na imprensa alemã. Ele tinha acesso a documentos ultrassecretos, como informes para reuniões de inteligência onde os chefes das agências de segurança trocam informações. (06/10)
Foto: Abdelhak Senna/AFP
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O americano Karl Deisseroth e os alemães Peter Hegemann e Georg Nagel venceram o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2026 "pelas suas descobertas relativas aos canais iónicos ativados pela luz e à optogenética", um método que permite demonstrar como as células nervosas moldam as memórias, as emoções e os comportamentos no cérebro. O anúncio foi feito pelo Comitê do Prêmio Nobel. (05/10)
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Foto: Alexandre Meneghini/Pilar Olivares/REUTERS
Lula defende soberania, Flávio ataca STF em últimos atos de campanha
Líderes nas pesquisas para a Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) encerraram suas campanhas antes do primeiro turno. Em São Paulo, Lula participou de uma passeata ao lado de aliados, defendeu a democracia e soberania. Já Flávio liderou uma motocarreata no interior paulista, onde voltou a atacar o PT e o STF. (03/10)
Foto: Alexandre Meneghini/REUTERS
Protestos estudantis na França
Alunos dos liceus franceses bloqueiam escolas em protesto por melhores condições de ensino. Quase 2 mil pessoas foram detidas, a maioria acusada de atos violentos. Nesta sexta-feira, cerca de 400 escolas permaneciam fechadas. Desde o início dos protestos, 170 estudantes, 65 profissionais da educação e mais de 300 policiais ficaram feridos. (02/10)
Após polêmica, Alemanha vence pela 1ª vez sob o comando de Klopp
A Alemanha venceu a Sérvia por 2 a 0 em Munique, no 1º êxito da equipe em três partidas com o técnico Jürgen Klopp. Antes do jogo, ele rebateu comentários racistas que diziam que o time "não era alemão" ou "branco o suficiente". "O mundo deveria tomar o vestiário esportivo como exemplo. Lá, todos são respeitados, e não desacreditados por opiniões equivocadas. Ponto final." disse Klopp. (01/10)